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segunda-feira, 16 de julho de 2012

Racismo e intolerância religiosa na Rede Globo de Televisão

Por Sergio J Dias

Ontem fui dormir angustiado, após o "Fantástido, O Show da Vida", mais parecido com um espetáculo de bárbarie. Sabia que viria dali mais um ataque à cultura negra, neste caso, apontado contra as religiões de matriz africana. Não assisti ao programa, o texto já era conhecido, afinal quando se fala em "magia negra" neste país já sabemos a quem estão se referindo, até porque somos tão poucos no horizonte que açoitar-nos é como bater em cachorro morto. Fiquei muito preocupado com as possíveis ações de intolerância religiosa contra templos umbandistas e candomblecistas, já tão comuns em vários estados do país. Lembrei-me do "Delegado Chico Palha", de triste memória eternizado na voz de Zeca Pagodinho: "Ele não prendia, só batia". Em uma fiel descrição à perseguição às várias manifestações da cultura negra, em grande parte do século XX.

Contudo, estamos aqui para falar da trajetória da Rede Globo de Televisão até chegar a este desfecho. É de conhecimento público que a citada emissora vem perdendo telespectadores, em grande quantidade, para a sua "co-irmã" Rede Record. Esta alinhou o discurso neoliberal à teologia da prosperidade e conseguiu rapidamente crescer entre os setores populares e jovens da população. É sabido que o público da Globo é considerado "velho" e pratica uma audiência inercial, mantendo o controle remoto sempre no mesmo canal. Entretanto o extrato mais novo se encantou com a programação da emissora do Bispo Macedo, o que vem preocupando a "vênus platinada". Ciente disso, a Globo vem construindo lentamente uma estratégia de aproximação do público evangélico. Buscou apoio em um dos líderes evangélicos mais importantes, Silas Malafaia, realizou shows gospels, começou a noticiar, enfaticamente, as marchas cristãs, e tantas outras ações, que no cômputo geral evidenciam seus planos.

Sua direção viu na figura de Rosane Collor mais uma chance de atrair a multidão neopentecostal, ainda tão desconfiada da mudança global. Seria uma tacada de mestre, afinal os mistérios sobre a administração Collor ainda fascinam muitos brasileiros. Por outro lado, era uma oportunidade de fustigar o ex-presidente assaz rebelde em tempos presentes. E como último trunfo, se estabelecia um canal mais profundo entre a emissora e o mercado evangélico em contínuo crescimento.

Mas, a própria reação interna da emissora deixa transparecer uma certa contrariedade em relação à matéria produzida. Normalmente, a Globo age em conjunto, isto é todos as empresas ligadas a holding procuram acolher e desenvolver os temas veiculados. Desta feita, não é o que vemos. Fiquei surpreso com a ausência de Chico Pinheiro, no telejornal matinal, ou foi poupado do incômodo, ou se recusou a participar da farsa. Na internet, tanto no Globo.com, quanto no Globoonline, a repercussão é mínima, diminuta e acanhada. O enfoque religioso, quando se fala da reportagem fica pouco evidenciado. Fato distinto do que ocorreu antes do famigerado programa, onde este elemento era o mais salientado. Infelizmente, a Rede Globo sairá ilesa de mais este incidente. Agiu contra os direitos humanos de uma parcela expressiva da população, pode ser acusada de racismo e nada vai lhe acontecer, além de manter-se com audiência declinante. 

Outros incidentes mais graves marcam a sua história como o "Caso Proconsult" e o "Golpe de Estado", dado contra os setores organizados da sociedade civil na manipulação do Jornal Nacional na véspera da eleição de 1989, onde os melhores momentos de Collor e os piores de Lula foram apresentados. Tudo para garantir a eleição de Collor à presidência da república.
Como vemos não é algo novo, as agressões da Globo contra a sociedade brasileira. Só lamento que não tenhamos televisões dirigidas por partidos políticos de esquerda e sindicatos, como ocorre em vários países do mundo. Isso nos garantiria uma verdadeira democracia. De todo este episódio fica a certeza da necessidade de acabar com o monopólio dos meios de comunicação, nas mãos de tão poucas pessoas. São verdadeiros "aparelhos ideológicos de Estado", usados para manter alienado e submisso o povo brasileiro.



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