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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Carta Aberta da Comunidade do Moinho - São Paulo


Até onde chegaremos por causa capital? Quantas mortes e destruição de vidas assistiremos? Repetem nossos prefeitos os passos de Pereira Passos na derrubada dos cortiços do centro do Rio de Janeiro, na primeira década do século XX e Antônio Salema, com o assassinatos de índios da nação Tamoio da região da Lagoa Rodrigo de Freitas, no século XVI, ao raiar do Brasil. Parece que o progresso capitalista, o crescimento econômico traz a reboque a expulsão dos pobres das áreas mais valorizadas, seja por que artifício seja necessário.

Em São Paulo, incêndios e mais incêndios devastam as favelas localizadas nas áreas centrais da cidade. Se antes era interessante manter um pequeno número de pobres nas proximidades, que servissem de mão-de-obra barata à elite paulistana. Hoje, com a ascensão artificial dos preços do metro quadrado se justifica sua expulsão. 

Desesperado por não encontrar formas de se multiplicar nas regiões mais dinâmicas do capitalismo, por causa da crise econômica internacional. O capital busca em outros lugares maneiras de seguir o seu fito. Compra-se safras de alimentos, destroi-se outras, aumenta-se os preços das comodities, especula-se com terras nas regiões mais pobres do planeta e mata-se e deixa-se morrer sem qualquer comiseração.

A morte caminha ao lado do capital. Para ele, pouco importam as vidas e a dignidade humana. Carecemos de um sistema social, econômico e político mais justo.




CARTA ABERTA DOS MORADORES DO MOINHO

IDENTIDADES DESTRUÍDAS
Desde 2006 os moradores da Comunidade do Moinho, no Centro de São Paulo, lutam constantemente para garantir seu direito à moradia. Ao longo destes 6 anos diversas situações delicadas colocaram os moradores em posições desgastantes, POREM, NÓS NUNCA DESISTIMOS DA LUTA PELA MORADIA.
Em dezembro de 2011 a comunidade foi atingida por um incêndio de grandes proporções, que destruiu mais de 400 moradias. Na época, foi pactuado um atendimento emergencial correspondente ao pagamento de aluguel até a conclusão das unidades habitacionais para atendimento definitivo, conforme o “Termo de Compromisso de Atendimento Habitacional” assinado pela SEHAB, Defensoria Pública, Ministério Público e Escritório Modelo.
Passados nove meses desse incêndio, mais uma vez o fogo consumiu inúmeras moradias da comunidade do Moinho, e também uma vida. Com isso, mais 80 famílias que moravam embaixo do viaduto Orlando Gurgel vão engrossar o número de desalojadas do Moinho, vivendo em situação provisória, aguardando uma solução e a garantia do seu direito à moradia. Mais 80 famílias que vão ter de brigar para ter um compromisso de atendimento, que sequer vem sendo cumprido adequadamente: os pagamentos de aluguel são irregulares, nunca pagos em data certa; famílias ficaram sem cadastro e, portanto, sem atendimento habitacional; os projetos das unidades definitivas se é que andam, andam a passos lentíssimos.
Curioso notar que os moradores vitimados são os mesmos que há 15 dias tinham relatado a ocorrência de forte pressão psicológica por parte da Municipalidade, que exigia que esses moradores deixassem o local até outubro.... Outra dúvida que cerca esse novo episódio se refere aos três focos iniciais de incêndio, pondo em dúvida a versão apresentada de briga de moradores viciados em drogas.
Nesse episódio, ocorreram inúmeras falhas no sistema de prevenção de incêndios: há um mês foi instalado um hidrante na comunidade, porém sem as mangueiras e sem a chave para acionamento da água, situação que obrigou os moradores a arrancarem as mangueiras que abasteciam suas próprias moradias para conter o incêndio (aliás, as famílias do Moinho estão sem água e sem luz!). Também não foram entregues roupas de segurança nem colocados extintores, tal como combinado.
A Prefeitura ofereceu aos moradores colchão, cobertor e cesta básica, mas a orientação sobre o alojamento provisório era buscar casas de parentes ou amigos ou se dirigir a um albergue. Mais uma vez a Prefeitura demonstra seu despreparo no atendimento de situações emergenciais, pois, da mesma forma que há nove meses atrás, não oferece abrigo que permita que as famílias permaneçam unidas, principal reclamação dos moradores por ocasião do primeiro incêndio.
ASSIM COMO TANTAS OUTRAS COMUNIDADES DE SÃO PAULO QUE SOFRERAM COM INCÊNDIOS (34 SÓ NESTE ANO!) O MOINHO, MAIS UMA VEZ, SOFRE COM O DESPREPARO DA PREFEITURA DE SÃO PAULO!
Vamos pressionar os vereadores de São Paulo a averiguar essa série de incêndios comparecendo na próxima reunião da CPI dos incêndios que ocorrerá no dia 26/09/12 às 12h, na Câmara Municipal (Viaduto Jacareí, no 100, 8o andar – Sala Tiradentes).
Vamos exigir o atendimento adequado que as famílias merecem e ampliar a luta pela moradia!!!Vamos romper contra essa política que não consegue garantir moradia adequada de forma definitiva e não enfrenta essa forma excludente de construção da cidade!!!
ASSOCIAÇÃO DE MORADORES DO MOINHO





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