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domingo, 21 de outubro de 2012

Ubuntu, um risco para o GNU/Linux?

Por Sergio J Dias


O mundo do software livre, que tem no sistema operacional GNU/ Linux sua maior realização, enfrenta o seu maior desafio. A sua melhor distrô, assim os usuários do GNU/Linux chamam as várias versões do sistema, o Ubuntu, concentra 50% dos usuários, sem falar nos "forks". E agora, após o lançamento da sua última versão, a 12.10, também conhecida como (Quantal Quetzal), seu dirigente máximo, o milionário Mark Shutterwolf, impõe webapps pré-instalados no Unity ligados à grandes empresas (Amazon, Gmail, etc.) da internet e impede o acesso da comunidade ao desenvolvimento de determinados aplicativos da próxima versão, a 13.04. 

Todas essas ações põem em suspense e estupefacto o mundo GNU/Linux. Os principais sites da participativa comunidade se mantém calados, em um silêncio ensurdecedor diante dos últimos acontecimentos. Uma figura central na ideologia que moldou o software livre, o programador Richard Stalmann fez críticas à decisão da Canonical de fazer propaganda de produtos da Amazon, afirmando que a privacidade dos usuários corre riscos, pois ela poderá ser forçada a entregar informações para vários governos, em particular, para o governo dos EUA, salientando que essa busca pode ser obtida mesmo sem ordem judicial naquele país.

Em movimento semelhante e com uma atitude mais radical, o programador independente e criador do Ubuntu Tweak, um dos aplicativos mais usados pelos usuários do Ubuntu resolveu interromper o seu desenvolvimento, com uma lacônica frase: If making free software is not free any more, why still doing this?, onde deixa transparecer toda a insatisfação de grande parcela da comunidade com os rumos da distrô. Aliás, a direção do Ubuntu não deve esquecer que grande parte dos aplicativos são construídos de forma autônoma, por anônimos desenvolvedores, que acreditam no "mantra" das quatro liberdades essenciais, como são descritas no site http://www.gnu.org/philosophy/free-sw.pt-br.html, que dispõe sobre a filosofia do software livre: 

  • A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito (liberdade 0).
  • A liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo às suas necessidades (liberdade 1). Para tanto, acesso ao código-fonte é um pré-requisito.
  • A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao próximo (liberdade 2).
  • A liberdade de distribuir cópias de suas versões modificadas a outros (liberdade 3). Desta forma, você pode dar a toda comunidade a chance de beneficiar de suas mudanças. Para tanto, acesso ao código-fonte é um pré-requisito. 
 É fato que o Ubuntu é o melhor projeto, em desktop, no GNU/Linux há algum tempo, contudo, as mudanças que vem sendo adotadas por seus desenvolvedores começam a torná-lo perigoso para o conceito que fez surgir o software livre e seu sistema operacional. O ideal "hacker" vem sendo corroído e daqui a pouco estaremos caminhando para padrões proprietários. Para mim, que vi no GNU/Linux uma alternativa contestadora tais fatos são inaceitáveis. Sei que para muitos jovens usuários, isto pouco importa, entretanto, há uma galera das antigas muito incomodada com isso.



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