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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Joaquim Barbosa, mensalão, Lula e o PT

Por Sergio J Dias

Em primeiro lugar quero deixar bem claro, não me considero uma pessoa de direita, ou influenciado pela velha mídia ( Globo, Veja, etc.), nem percebo como tema fundamental a questão da corrupção. Sonho com um tempo em que as punições em relação à crimes de corrupção sejam um assunto menor, deixando as páginas políticas de jornais, revistas e afins. Afirmo que muito tempo temos perdido com o que Gramsci chamou de "pequena política", esquecendo dos grandes temas nacionais, a chamada "grande política", àqueles que verdadeiramente influenciam nosso cotidiano.

Muito se tem assacado contra o STF, e sobretudo, contra ministro Joaquim Barbosa. Entretanto, para melhor entendê-lo devemos lembrar de sua origem. Barbosa vem dos rincões de Minas Gerais, um homem negro que certamente enfrentou todas as agruras e dificuldades que um ser humano pode passar, isto sem falar do racismo e dos preconceitos que deve ter sido vítima. Muitos lhe imputam uma ferocidade anormal no julgamento do mensalão. Chegam a compará-lo ao cruel inquisidor espanhol Tomás de Torquemada, de triste memória. Com sua foice ceifaria a cabeça dos réus sem nenhuma condolência. Contudo, sua trajetória contradiz esta premissa, vemos em Barbosa um homem oriundo dos setores populares. Alguém que se acostumou a ver nos tribunais a forte mão do Estado contra os mais humildes, contra àqueles que não podem alegar atenuantes para seus crimes. Lembro da cena final do "Auto da Compadecida", de Ariano Suassuna, o julgamento de João Grilo, onde Jesus absolve o cangaceiro, reconhecendo as dores vividas por este e pune com o purgatório o padre e o bispo. Sábia justiça que ainda nos espanta.

A alegação de muitos é que este julgamento é um julgamento político, e como o é, devemos ter na lembrança a forte incrustação da corrupção na política brasileira. A máxima de São Francisco de Assis tem de deixar de ser deturpada. Afinal é "dando que se recebe", mas não deveria ser assim, ao menos, na Política. Creio que está se construindo um conjunto de procedimentos, um arcabouço jurídico, acerca de como deve agir o Judiciário nestes casos. O velho modo de fazer política no Brasil precisa ser modificado. As decisões políticas devem estar pautadas pelas convicções individuais e coletivas, e não, pelo ressoar de 30 moedas nos bolsos corrompidos, para o bem da democracia e de suas instituições.

Fica, no entanto, uma preocupação com a figura impoluta e imaculada de Lula. Quem pode negar que anos iniciais de seu primeiro mandato, foram de total responsabilidade de Dirceu na política e Palocci na economia? Lula, naqueles dias, mais parecia um espectro de si mesmo. Chego a afirmar que o episódio do mensalão e o caso Caixa Econômica, livraram Lula de incômodos, que o impediam de governar. A partir de então Lula se livrou das amarras que o continham e pode navegar por águas mais tranquilas. Gilberto Carvalho e Guido Mantega deram a Lula o suporte que desejava e permitiram a construção de um governo com a sua cara no segundo mandato. Além disso, o Mensalão obrigou àqueles que viam na política apenas um meio de enricarem a pensar bem antes de voltarem a velhas práticas. Como simpatizante do PT vi com tristeza o niilismo de sua direção a justificar as atitudes que ora se encontram sob questionamento judicial. No poder, naqueles tempos, o PT deixou de ser PT e se tornou qualquer coisa.
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