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sábado, 22 de dezembro de 2012

A "supremacia Ubuntu" e seus desvios do Software Livre

Por Sergio J Dias

O Ubuntu, de longe, é hoje a distribuição mais usada entre os utilizadores do GNU/Linux. A proposta que lhe deu origem tinha este fito. Pretendia-se fazer chegar ao maior número possível de pessoas o sistema operacional agregador de todas as conquistas do software livre. Sobre este ponto de vista o objetivo, de certa forma, foi alcançado. Não resta dúvida, para o iniciante, o Ubuntu se apresenta como a opção mais fácil de operar. Todavia, tal situação tem trazido algumas dúvidas quanto as vantagens do desenvolvimento do Ubuntu para a comunidade.

O Unity em segredo
Desde o Ubuntu 10.10, a Canonical vem desenvolvendo o Unity, uma nova interface gráfica. Até aí nada demais, podemos considerar o mesmo produtivo. A inovação é um dos aspectos centrais do software livre. Criar, experimentar, transformar, compartilhar são elementos básicos desta filosofia, centrada na ideia de que o compartilhamento do conhecimento, seu uso e reelaboração conduzem a seu crescimento e melhoria. Os conceitos, cultura livre e inteligência coletiva prevêem exatamente estes aspectos, consideramos fundamental que os saberes construídos pelo homem se constituam coletivamente e, por isso não devam ser apropriados individualmente. Defendemos a livre troca de informações, um dos princípios formadores da internet.

 Imaginem se, Al-Khwamizri, o criador da Álgebra tivesse negado à humanidade o direito de conhecê-la. O que seria a matemática, hoje? Suponham que, Einstein e Eddington não tivessem compartido informações em meio à 1ª Guerra Mundial por terem nascido em pátrias inimigas naquele momento, Alemanha e Inglaterra. Não teríamos a Lei da Relatividade Geral. E tantos outros exemplos ao longo da História da humanidade.

Contudo, soubemos recentemente que, Mark Shutterwolth, milionário sul-africano, provedor financeiro do Ubuntu, colocou em segredo o desenvolvimento do Unity. Vejam só, que equívoco! Isto corresponde a "retirar a escada" para que outros subam e cheguem ao mesmo patamar, exatamente aqueles que foram fundamentais para que tivéssem subido. Muitos não sabem, mas quando escrevemos um texto acadêmico e usamos o NÓS em vez do EU, estamos reverenciando todos os construtores do saber que vieram antes de nós. Por conseguinte, achamos a postura atual da Canonical um contrasenso para o mundo do software livre.

O abandono do GNOME e do KDE
Primeiro, desprezaram o Kubuntu. O suporte a este "spin" do Ubuntu deixou de ser feito, sem qualquer explicação. Apenas um comunicado lacônico. A comunidade Kubuntu, em todo o mundo, recebeu a notícia com espanto. O que fazer? Depois, mais traumática ainda, a renúncia ao Gnome, interface padrão da "distrô" desde seu início, causou comoção. Tão grande foi o escândalo, que houve uma "precarização" do suporte ao Gnome, e não sua destituição. Hoje, podemos instalar o Ubuntu Gnome Remix, um "spin", relegado pela "empresa" ao segundo plano.

A Amazon e o Ubuntu
Para finalizar e coroar a heterodoxia do Ubuntu, em relação ao software livre tinha de vir algo ainda mais inusitado. Um dos pilares da filosofia GNU/Linux é a privacidade do usuário. Os cuidados com a segurança conformam toda a arquitetura de construção do Kernel e dos aplicativos. Por conta disso, o GNU/Linux aparece em grande parte dos servidores das grandes empresas. Livre de vírus, "malwares" e outras pragas virtuais tão comuns no Windows nos fortalecemos neste campo. Entretando, a Canonical resolveu renegar esta premissa e criou um "webapp" para a Amazon, conhecida transnacional de comércio na internet. De posse deste dispositivo, a Amazon passou a ter acesso a todas as pesquisas realizadas pelo usuário. Na prática, funciona como um "spyware". Se compramos ou pesquisamos determinado produto na internet. Todos os aplicativos em rede passam a exibir opções de compra daquela mercadoria em sua publicidade.

Saindo do Ubuntu
Em função disso tudo, não me restou outra saída, abandonamos o Ubuntu. Voltamos ao "velho" Fedora, para ser mais específico, o Fedora 17. Triste, porque notamos o fim de vários blogs brasileiros desta comunidade, talvez efeito da "onda" Ubuntu. Quem sabe? Quase toda documentação se encontra em inglês, o que dificulta o uso da distribuição.
Hoje, folheando as páginas do Google, encontrei um blog que falava de uma "supremacia Ubuntu". Isto é fato! Extremamente perigoso, porém verdadeiro.
A multiplicidade de distrôs, de interfaces gráficas e aplicativos sempre foi uma marca do GNU/Linux. Mas, por quanto tempo? Meditemos. Saberá a comunidade manter seus princípios norteadores? A construção do conhecimento, coletivamente. O reconhecimento da importância do outro, daquele que nos auxilia e a quem ajudamos na "subida da escada", em busca de novos vôos e paradigmas.
Esta comunidade já fez várias revoluções, saberá fazer outras.


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