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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Dor, solidão e racismo na Unifesp - O suicídio de um estudante negro

 O racismo mata. A dor pela solidão por ele provocada, mata. O negro nas altas instâncias do poder é um solitário. A solidão o corrói por dentro. Ao olhar do lado de fora de seu carro. Vê sua gente cabisbaixa e envergonhada. Nos semáforos, a negritude se mostra ainda como no pós-abolição, indigente e sofrida. O caminho para os altos escalões para o negro é puro isolamento. Sua gente, lá não está; sua cultura, lá não está; seu trejeito lá não está; sua alegria lá não está. Nega-se tudo. Só lhe resta se tornar um guerrilheiro, um eremita, ou um saco vazio moldável ao sabor dos sete ventos, preparado para exibir quantos formatos forem necessários. Recusar-se a isso é aproximar-se da morte.


Fonte: brasildefato


Luiz Carlos de Oliveira, de 20 anos, foi encontrado suspenso com uma corda no pescoço na escadaria do Centro Acadêmico; de acordo com amigos, ele era rejeitado por alguns colegas da faculdade pelo fato de ser negro e pobre.

Por José Francisco Neto

Luiz Carlos de Oliveira, de 20 anos, estudante de filosofia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), em Guarulhos, se suicidou na manhã de sábado (15) após uma festa de inauguração de um Centro Acadêmico (C.A.). Luiz Carlos foi encontrado por amigos, por volta das 10h, suspenso com uma corda no pescoço na escadaria do C.A..
De acordo com alunos, os motivos que levaram o jovem a cometer o suicídio podem ter sido vários. Luiz Carlos, segundo amigos, era rejeitado por alguns colegas da faculdade pelo fato de ser negro e pobre. Outros também disseram ao Brasil de Fato que o estudante passava por desgaste emocional, crises existencias, motivos emocionais e problemas financeiros.
"Não deixe que essa universidade, ou melhor, algumas pessoas que nela estão, te contaminem assim como um dia fizeram comigo", essa foi a útima frase dita por Luiz Carlos ao seu amigo Samuel do Nascimento.
O fato causou comoção entre os colegas e as pessoas que tiveram contato com Luiz Carlos. Algumas mensagens na página do Facebook da Unifesp demonstram o sentimento dos estudantes.
Uma estudante escreveu que Luiz Carlos admitia que se sentia sozinho e sem controle sobre si. "Sempre reconheceu prontamente isso e as consequências de quando extrapolava, que se envolvia na esperança, mesmo que mínima, de que alguém o aceitasse por completo, e ele percebia que não era assim [...] ele sabia quando se sentia usado por falsos amigos, que ele não sabia quando existia falsos amigos, mas percebeu cedo que existia muitos assim na faculdade."
Para o colega Luís Fernando Tedesco, a última mensagem que Luiz Carlos deixou foi: “Você não está amando? Então procure fazer isso! Vai se sentir bem melhor”.
Em nota, a Unifesp lamentou a morte do estudante e informou que está prestando apoio a sua família. O corpo do jovem, que completaria 21 anos daqui a um mês, foi enterrado na tarde de domingo (16) no cemitério da Vila Formosa, em São Paulo.

Leia algumas mensagens deixadas no Facebook por amigos de Luiz Carlos:
"Perdemos um grande homem, um artista sem igual! Luiz Carlos de Oliveira você sempre estará vivo no meu coração!"
"Precisamos ser fortes... mais um amigo querido que se vai neste ano tão duro, difícil e revelador. Te vi tão em paz semana passada e agora esta triste notícia... Vá em paz meu amigo!!"
"Perdi uma pessoa que também me ensinou a ser um artista problematizador e um homem de verdade: Luiz Carlos de Oliveira."
"Diriam que o humor dele não era humor. Um sujeito que vivia rindo, pouco importando para se encaixar numa ideologia política teórica, para se enquadrar numa forma de bolo e sair militanto por isso ou aquilo. Uma pessoa que não tinha medo de dizer o que pensava, que falava das entranhas aquilo que tinha vontade sem nem temer gritos ou dedos sendo apontados para sua cara. Atitude é a virtude que agora nos vem quando lembramos de sua imagem, que está impregnada no seu corpo e entrelaçada com as várias esperanças que temos dessa coisa que colocaram o nome de UNIFESP-Guarulhos."

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