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sábado, 28 de julho de 2012

Debates e perspectivas para a institucionalização da lei 10.639/2003



© UNESCO

A série "Debates e perspectivas para a institucionalização da Lei no 10.639/2003", desenvolvida pelo Programa Brasil-África: História Cruzadas, tem como objetivo divulgar as contribuições realizadas pela UNESCO para implementar e institucionalizar a Lei no 10.639, de 2003. A série se inicia com as discussões desenvolvidas no decorrer dos eventos de lançamento da edição em português da Coleção História Geral da África da UNESCO, realizados no primeiro semestre de 2011.

O lançamento da Coleção é resultado da parceria da Representação da UNESCO no Brasil com o Ministério da Educação e a Universidade Federal de São Carlos. Os eventos contaram com a presença de expositores nacionais e internacionais, que potencializaram trocas de experiências e discutiram, de forma profunda, temas de história e cultura africana e afro-brasileira e da educação das relações étnicoraciais. Essas discussões possibilitaram um mapeamento de necessidades e perspectivas para a implementação das diretrizes curriculares nacionais para a educação sobre relações étnico-raciais, história e cultura africana e afro-brasileira no sistema da educação básica do país e, ainda, foram apresentadas possibilidades de uso da Coleção HGA como um subsídio para a sua efetivação.
Brasília: UNESCO, 2012.
4 volumes - Download gratuito (PDF):
  1. Brasil-África: importância, reconhecimento e ressignificação; debates do Seminário de Lançamento da Edição em Português da Coleção da UNESCO História Geral da África em Cachoeira, Bahia, 2 de abril de 2011. 10 páginas. (522 Kb).
  2. Brasil-África: herança cultural e interculturalidade; debates do Seminário de Lançamento da Edição em Português da Coleção da UNESCO História Geral da África em Salvador, Bahia, 4 de abril de 2011. 14 páginas (553 Kb).
  3. Brasil-África: história, historiografia e a produção de saberes na África e na Diáspora; debates do Seminário de Lançamento da Edição em Português da Coleção da UNESCO História Geral da África em São Paulo (SP), 6 de abril de 2011. 11 páginas (609 Kb).
  4. Brasil-África: heranças históricas e perspectivas contemporâneas; debates do Seminário de Lançamento da Edição em Português da Coleção da UNESCO História Geral da África em Belo Horizonte, Minas Gerais, 13 de abril de 2011. 26 páginas (674 Kb).

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Em busca de respeito: mesmo com expressiva presença no Estado, religiões de origem africana vivem sob o preconceito

Fonte: adital


Em 25 de março de 1884, a cidade de Redenção, no estado do Ceará (Nordeste do Brasil), saiu na frente de todas as outras e, quatro anos antes da assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, aboliu a escravidão. Apesar disso, 128 anos ainda não foram suficientes para acabar com todo preconceito que circunda a cultura da população afrobrasileira. O tratamento dado às religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda, é uma prova do quanto ainda é preciso evoluir para se superar o convencionalismo e a discriminação.
O preconceito histórico com as religiões de matriz africana anda de mãos dadas com o preconceito racial que persiste até hoje. O professor Henrique Cunha Júnior, do Núcleo de Africanidades (Nace) da Universidade Federal do Ceará (UFC) explica que o racismo relacionado a estas religiões é chamado de racismo antinegro.
"O racismo não é algo que passa simplesmente pelo preconceito, é uma forma de intolerância que prejudica a imagem, prejudica a vida, e que impede a realização de uma série de coisas”, assinala.
"Existe no imaginário popular um arquivo morto dessas religiões, consequência de uma política pública do Brasil no início da República, quando se tentou estigmatizar todas as ações culturais da população negra. Tentou-se desafricanizar o Brasil, houve uma condenação das religiões de matriz africana e isso ficou até hoje. Na República Velha, os seguidores das religiões [de matriz afro] eram presos e internados em manicômios, pois eram tidos como dementes. E isso acontecia em todos os Estados da Federação”, explica.
Este tipo de situação não foi registrado apenas no Brasil. A história conta que as religiões de matriz afro começaram a ser demonizadas, deturpadas e criticadas a partir da chegada de missionários europeus ao continente africano, que ao tomarem conhecimento do culto aos orixás - e não aos santos-; das danças e batidas dos tambores passaram a propagar que os negros adoravam o demônio.
Outra explicação complementar também seria a de que missionários se depararam com uma escultura do orixá "Exu” - montículo de terra com um pênis de barro e um par de cifres - e logo associaram ao demônio conhecido nas religiões cristãs, mesmo esta sendo uma figura inexistente para as religiões de terreiro.
A historiadora Silvia Maria Vieira explica. "O preconceito à cultura afrodescendente (as religiões de matriz africana estão nesse hall) se construiu a partir da ideia de que tudo que estava fora do padrão eurodescendente não se configurava como algo importante, científico e valorizável. As religiões ocidentais têm como fundamento o dualismo, a ideia de que o bem deve vencer o mal. Dentro das religiões de matriz africana o bem e o mal devem estar em equilíbrio, afinal todos temos o bem e mal dentro de nós. Por que um deve ser anulado em função do outro?”, questiona.
A partir da falsa afirmação de culto ao demônio, toma-se como verdade a ideia de que as religiões de matriz africana são usadas exclusivamente para se praticar o mal. Esse pensamento segue no imaginário popular até hoje e por este motivo, entre outros, ‘macumbeiro’ se tornou um xingamento.
Em Fortaleza, capital cearense, a situação não é muito diferente. O Candomblé chegou aqui por volta da década de 1950 e ganhou notoriedade com a apresentação do espetáculo "Uma noite na Bahia”, estrelado no Teatro José de Alencar em 7 de fevereiro de 1955, pelo capoeirista Mestre Bimba e seus alunos.
Depois deste contato com a cultura africana o Candomblé começou a se popularizar na cidade, mas como era de se imaginar, seu exercício na "Terra da Luz” foi cercado de discriminação. Para que as primeiras casas começassem a funcionar foi preciso ajuda de pais, mães e filhos de Santo do Estado da Bahia, onde a religião era praticada e conhecida há mais tempo.
Ainda hoje, mesmo com a presença de 5 mil terreiros em Fortaleza e região metropolitana e uma média de 14 mil no estado cearense - segundo dados da União Espírita Cearense de Umbanda - a população do Estado tem dificuldades em aceitar as religiões de matriz africana, a presença de pais e mães de Santo com suas vestimentas características e o batuque dos tambores nos terreiros.
O pesquisador de folguedos populares e da cultura Afro-brasileira no Ceará, iniciado no Candomblé e presidente da Associação Afro Brasileira de Cultura ALÀGBA, Leno Farias, testemunha que por conta da discriminação com as religiões de matriz africana não é difícil a polícia entrar em terreiros para apreender os instrumentos justificando estar cumprindo a Lei do Silêncio.
"O terreiro, passou das 10h [da noite], se ele tiver tocando tambor, a polícia vai lá e fecha, mas a igreja de Fátima pode fechar a [Avenida] 13 de maio e fazer culto e atrapalhar a vida de todo mundo até a hora que eles quiserem. A igreja evangélica, na periferia, pode deixar sua banda - com bateria, guitarra - tocar até a hora que eles quiserem, até uma hora da manhã, e nada acontece”, revela.
Quando fala sobre a igreja de Fátima, o pesquisador faz referência à caminhada e à missa campal que acontecem todo dia 13 de maio para relembrar a última aparição de Nossa Senhora de Fátima.
Leno conta que o preconceito chega a prejudicar a vida pessoal dos frequentadores dos terreiros. Ele mesmo chegou a ser demitido quando seu empregador, um padre da Igreja Católica, tomou conhecimento de que seu funcionário era do Candomblé.
O pai de Santo e historiador Valdo de Iansã também assumiu já ter passado por situações em que foi discriminado por ser seguidor de uma religião de matriz afro. 
"Já passei constrangimentos como, por exemplo, recebi convites para ser padrinho de uma pessoa na igreja, mas quando descobriram que eu era de terreiro não deixaram. Na escola aqui no bairro onde eu sou professor, sou conhecido como professor Lopes, os alunos me abordaram perguntando se eu morava ‘naquela casa’, na casa do macumbeiro Valdo. Eu disse que estavam falando com ele e os alunos se admiraram por eu ser macumbeiro, como eles dizem, e também professor. Eles imaginavam que quem era seguidor das religiões de terreiro não tinha cultura. As pessoas sabem de tudo, menos o que a religião realmente é e faz”, relata.
O professor Henrique Cunha revela que as crianças que frequentam o terreiro também sofrem com o olhar torto e o desrespeito de quem não conhece as religiões de matriz africana. "As crianças enfrentam uma barreira muito séria na escola. Alguns quando chegam de cabeça raspada [uma das etapas da iniciação ao Candomblé, que significa renascimento] preferem dizer que tiveram leucemia do que assumir que são do candomblé. No Maranhão, uma criança chegou a levar uma surra de Bíblia de evangélicos. E em Fortaleza há os mesmo problemas”, conta.
Mais adeptos
Apesar de todo preconceito, o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que cresceu o número de adeptos das religiões de terreiro. O censo de 2000 registrou que até este ano existiam no Brasil 127.582 seguidores do candomblé e 397.431 adeptos da Umbanda, religião genuinamente brasileira nascida no Rio de Janeiro, na década de 20, mas que carrega fortes características das religiões de matriz africana. Já a última pesquisa, a de 2010, revelou que em todo o Brasil 167.363 pessoas afirmam ser adeptas do Candomblé e 407.331 da Umbanda. O censo trás ainda a informação de que 14.103 pessoas se declararam de outras religiosidades afro-brasileiras.
Pai Valdo de Iansã acredita que a quantidade de seguidores destas religiões seja muito maior. "Estas pessoas que aparecem na pesquisa são apenas as que tiveram coragem de assumir sua religião, mas muitas mais frequentam os terreiros e quando saem do portão para fora elas dizem que são católicas ou evangélicas, justamente pelo preconceito”, assegura.
Respeito
Mesmo com todas as manifestações de discriminação, desrespeito e intolerância, o pai de Santo acredita que hoje as pessoas estão com a mente mais aberta. "Antes sentia que o preconceito era maior, até os terreiros recuavam”, opina.
Mas Leno Farias quer ainda mais. Ele assegura que o povo de Santo e os demais seguidores das religiões de matriz africana não desejam apenas ser tolerados. "A mim não interessa ser tolerado, o povo de terreiro não quer tolerância, o que nós queremos é respeito. Se não for possível, não queremos mais nada”, assegura.
Para o professor Henrique, conhecer antes é uma das atitudes que pode ajudar a acabar com a discriminação. "Entender o que essas religiões fazem ajuda a combater o preconceito e inclusive ajuda as religiões a cumprirem suas missões”.
A historiadora Silvia Maria também defende a valorização das religiões. "Acima de tudo as religiões de matriz africana devem ser valorizadas e reconhecidas como parte da nossa cultura. Temos muito que aprender com essas religiões que valorizam a natureza, a comunidade, os ancestrais, a cooperação e acima de tudo o ser humano”.
Silvia, também acredita que um bom passo é conhecer a influência destas religiões na cultura e formação social brasileira. "Temos muito da cultura africana, porém não sabemos que muito do que fazemos e valorizamos tem essa matriz. Pedir a benção aos mais velhos é típico da cultura africana/afrodesdendente, a configuração de uma família estendida onde as pessoas se preocupam e ajudam uns aos outros ,dividindo tudo e inclusive a comida é outra prática, a musicalidade, a valorização da natureza e sua manipulação com o uso das ervas, a nossa malemolência”, acrescenta.
Redenção?
O estado do Ceará se vangloria de ter sido a primeira província brasileira a abolir a escravidão no Brasil, a ponto de ser conhecido como Terra da Luz. O feito aconteceu na cidade de Redenção em 25 de março de 1884 – quatro anos antes, então, do 13 de Maio, marcado pela assinatura da Lei Áurea, em 1888. A abolição, no entanto, se deu num contexto onde a presença do povo negro não era, sob o ponto de vista comercial, interessante para os fazendeiros e demais castas ricas cearenses, uma vez que não se teve fortemente a cultura de cana-de-açúcar ou do café, comum em outros estados como Bahia e Rio de Janeiro, por exemplo.
"Negros no Ceará – Redenção?”  é uma série de matérias elaboradas por ADITAL que busca retratar e questionar a história atual do povo negro no Ceará. Quais são suas lutas, como se identificam neste processo ainda bem marcado pelas nuanças brancas, o que tem a dizer sobre o orgulho de ser negro, o que acham das políticas afirmativas, o que pensam do preconceito. Essas são algumas das diretrizes que procuram evidenciar esta cultura rica que, embora invisibilizada, pulsa forte como uma batida do maracatu e que cada vez mais conquista seu espaço através de muita luta, que reverbera em seus tambores o ritmo da justiça e o anseio de peitar uma dívida histórica social.




                                                                                                                                                                                                                                

Atleta grega é expulsa das Olimpíadas após comentário racista




A grega Voula Papachristou está fora dos Jogos Olímpicos de Londres. A atleta disputaria o salto triplo na capital inglesa, mas foi expulsa da competição após publicar um comentário racista em sua conta do Twitter.
"Com tantos africanos na Grécia, pelo menos os mosquitos do Nilo comerão comida caseira", escreveu Papachristou no microblog. A mensagem foi classificada pelo Comitê Olímpico Grego como um ato "incompatível com os valores olímpicos".
O comentário da atleta foi feito em um momento no qual a Grécia é amplamente afetada pela crise econômica e financeira, com aumento significativo de incidentes racistas. Papachristou tentou se justificar nesta quarta-feira, dizendo que só "retuitou" uma mensagem postada anteriormente no site.
"Não quis ofender ninguém. Respeito todos sem levar em conta a cor da pele. Não tenho qualquer relação com a política, só me interessa o atletismo", disse a atleta.

HSBC paga multa milionária por envolvimento em lavagem de dinheiro no México

Fonte: operamundi


O banco decidiu não recorrer às acusações judiciais no país depois de o Senado dos EUA ter comprovado seu envolvimento com fundos de cartéis mexicanos


Uma semana depois da divulgação do relatório do senado dos Estados Unidos que acusava o HSBC de ter exposto o país a rede de terrorismo e lavagem de dinheiro, o maior banco europeu pagou uma multa de 27,5 milhões de dólares no México por seu fraco sistema de controle no país.
Segundo a Comissão Nacional Bancária e de Valores, as filiais do HSBC no México deixaram de cumprir as regras para a prevenção de lavagem de dinheiro durante operações realizadas em 2007 e 2008. O valor da multa representa mais da metade do lucro obtido pelas agências bancárias mexicanas em 2011 e é a maior sanção imposta por autoridades mexicanas contra uma instituição financeira.
A multa, que foi emitida em 7 de novembro de 2011, apenas foi paga nesta quarta-feira (25/07) porque o banco desistiu de recorrer na justiça às acusações. O HSBC mexicano emitiu uma declaração reconhecendo que falhou em relatar 39 transações suspeitas e atrasou em relatar outras 1729. O HSBC México reconhece que não conseguiu cumprir rigorosamente a regulamentação bancária nem com as normas que os reguladores e clientes esperam de nossa instituição e se desculpa", diz a nota. O banco está entre os cinco maiores no México com mais de 1,4 mil agências e 6 milhões de clientes. 
Provas da lavagem de dinheiro
A decisão do HSBC vem uma semana depois do Senado norte-americano ter publicado um relatório que contém diversas provas de seu comportamento irregular referente a ações bancárias ilícitas, incluindo no país mexicano. 
Segundo o documento, o banco continuou a realizar negócios com casas de câmbio mexicanas apesar das crescentes suspeitas de que estariam ligadas à lavagem de dinheiro do narcotráfico, enquanto outros bancos pararam de se relacionar com essas instituições. O banco "não tomou medidas decisivas para enfrentar essas filiais e colocar um fim à conduta", diz o relatório.
De acordo com as informações, as casas mexicanas possuíam uma filial nas Ilhas Cayman que mesmo movimentando 2,1 bilhões de dólares em apenas um ano, não possuía funcionários nem escritório. O documento também aponta que unidades do banco nos EUA receberam 7 bilhões de dólares das casas transportados por aviões ou carros durante os anos de 2007 e 2008.
Além da multa emitida pelas autoridades mexicanas, o HSBC terá que responder às acusações judiciais nos Estados Unidos. Analistas estimam que o banco terá de pagar cerca de 1 bilhão de dólares referente ao processo norte-americano, informou a rede Al-Jazeera. 

Escândalos financeiros

O HSBC, considerado a maior instituição financeira da Europa, não foi o único banco britânico a enfrentar acusações por ter realizado ações irregulares no mercado. O Barclays, segundo maior banco da Grã-Bretanha, passou de 2007 a 2012 mentindo sobre sua liquidez para dizer-se mais sólido do que realmente era.
Os bancos sediados em Londres, como HSBC e Barclays, geraram receita de 32 bilhões de libras esterlinas (cerca de 100 bilhões de reais) para os cofres britânicos em 2010, dinheiro suficiente para aliviar quase metade do déficit da balança comercial do Reino Unido com a Europa. Eles são considerados imprescindíveis pelo governo do premiê David Cameron, do Partido Conservador, que preferiu romper com a União Europeia no final do ano passado a aumentar taxas e controles sobre suas operações.
As multas podem ser suficientes para apaziguar as instituições políticas, mas não para acalmar a ira da população europeia e norte-americana que enfrentam um período de dura crise econômica. 

quarta-feira, 18 de julho de 2012

“Qualquer um pode ser apreendido, preso ou morto se estiver no lugar errado”

Fonte: cartamaior

Em entrevista à Carta Maior, Vera da Silva Telles, professora da Universidade de São Paulo e especialista em Sociologia Urbana, analisa o surto de violência nas periferias de São Paulo e a ação policial nestas áreas. Entre 17 e 28 de junho, segundo dados do Sistema de Informações Criminais, 127 pessoas foram assassinadas na capital paulista. Durante todo o mês de junho, 39 cidades da Grande São Paulo registraram, juntas, 166 mortos.

Rodrigo Giordano

São Paulo - Na avaliação de Vera da Silva Telles, professora da Universidade de São Paulo e especialista em Sociologia Urbana, o surto de violência nas periferias de São Paulo faz parte de um embaralhamento dos critérios de ordem, no qual as ações dos agentes policiais gera um sentimento de imprevisibilidade nos moradores de tais áreas. 


“Tudo pode acontecer, qualquer um pode ser apreendido, preso ou morto se estiver no lugar errado, na hora errada”, diz a professora, em entrevista à Carta Maior. 



Entre 17 e 28 de junho, segundo dados do Infocrim (Sistema de Informações Criminais), 127 pessoas foram assassinadas na capital paulista; nesse mesmo período, 39 cidades da Grande São Paulo registraram, juntas, 166 mortos durante todo o mês de junho. 



Especula-se que o estopim para essa onda de “violência extralegal”, como diz Vera, seria um suposto confronto entre membros do PCC (Primeiro Comando da Capital) em 28 de maio, na zona leste, com oficiais da ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), do qual teria resultado cinco mortes.



Que relação você enxerga entre os assassinatos ocorridos nos bairros periféricos de São Paulo e o Estado?



Certamente detalhes de circunstâncias e números é algo ainda a ser mais bem investigado. Por ora, eu gostaria de enfatizar alguns aspectos do que parece estar acontecendo, e que podem efetivamente dar um registro do modo de atuação das forças da ordem. Pelos relatos e depoimentos que circulam nas reportagens e também pelas redes sociais: toque de recolher (Parque Bristol e outros bairros das periferias paulistas e bairros de municípios da Grande São Paulo), evidências de ação de grupos de extermínio (jovens executados por grupos encapuzados, em motos), execuções em supostos confrontos (a assim chamada “resistência seguida de morte”), invasão da PM nas vielas de favelas do Parque Bristol e Jardim São Savério, ruas cercadas pela polícia. 



É importante prestar atenção justamente no modus operandi das forças da ordem nesses casos; aqui, o que se evidencia é, em primeiro lugar, o uso da violência extralegal. Mais ainda: é essencial atentar para o modo como os agentes da ordem fazem uso das prerrogativas que o Estado lhes confere para, na prática, suspender a lei e praticar a violência, em suas várias formas (das execuções ao toque de recolher, passando por varias formas de intimidação e violência). Mas, com isso, é como se ficasse anulada a diferença entre a lei e a transgressão da lei, a lei é como que desativada. 



E isso significa que é a própria diferença entra a lei e o crime que fica embaralhada e, no limite, anulada. É isso o que permite acionar essa espécie de autorização para matar, sem que isso seja considerado um crime, e que está exposto nessa expressão que acompanha os registros policiais - “resistência seguida de morte”: uma categoria que não tem existência legal, mas que opera como uma espécie de autorização para matar, invertendo tudo e suspendendo todas as diferenças, de tal modo que toda e qualquer execução vira outra coisa, o crime é atribuído à vitima em suposta “troca de tiros” e “resistência à prisão”. 



Quando é dito oficialmente que não há ocorrência nessas regiões que exijam reforço policial, é um modo de dizer, às avessas, que as forças policiais estão efetivamente operando ao revés da lei, fazendo uso da violência extralegal, com as consequências que se sabe. E quando se admite que algo ocorre, é no registro da “guerra urbana” supostamente desencadeada pelo assim chamado “crime organizado”. 



Nas filigranas do que dizem autoridades políticas e policias, a senha para a matança, em nome do combate ao crime e exigência do endurecimento repressivo é uma gramática que aciona o argumento da urgência e emergência inscrito em dispositivos de exceção. Concretamente, é o reconhecimento de que vigora nas periferias paulistas (não só, também nas regiões centrais da cidade) situações de exceção. E é essa “exceção que virou a regra” que marca, atravessa, constitui e afeta a vida nessas regiões da cidade.



Quais as causas, tensões e engendramentos do atual conflito urbano na periferia?



Assim como aconteceu em 2006 (em outra escala), esses fatos operam algo como uma grande ocular do que é recorrente nas micro-situações da vida nessas regiões da cidade, sejam as periferias, sejam as regiões do centro (vide repressão ao comércio dito informal e combate aos camelôs): sempre, e em cada qual, um modus operandi que opera esse embaralhamento da lei e da transgressão da lei, dos critérios de ordem e “desordem” e, ainda, entre segurança e ameaça. Isso é importante para aquilatar o que pode estar em jogo em fricções ou conflitos abertos com as forças policiais, tão frequentes na historia urbana de nossas cidades, e que vem se repetindo nos últimos anos. 



A isso se deve ainda acrescentar a mesma lógica e o mesmo embaralhamento da lei e não-lei, ordem-desordem, segurança-ameaça, que ocorrem nos conflitos, por vezes acirrados, em torno das igualmente recorrentes ações de “reintegração de posse”, como Pinheirinho. Esses fatos e circunstâncias devem ser colocados lado a lado, para se entender algo do conflito urbano de hoje, mas que tem um lastro na historia urbana (e política) de nossas cidades. 



Baseado em suas pesquisas sobre cidade, trabalho e o ilegal no espaço urbano, qual o significado do toque de recolher?



Para isso, efetivamente, valeria a pena uma reflexão mais detida, até porque evoca dispositivos de segurança que começam a ser praticados por todos os lados, é uma forma de instituir algo como “zonas de exclusão” no interior e em torno da qual “tudo pode acontecer” e qualquer arbitrariedade pode se efetivar sem que seja reconhecida como tal: zonas de suspensão da lei e das garantias legais, e isso por conta da ação daqueles que são, em princípio, representantes da ordem e portadores das prerrogativas legais.



Qual o nível de semelhança dos assassinatos ocorridos nas últimas semanas com o que aconteceu em 2006? O que isso quer dizer?



É tudo muito parecido, por mais que as circunstâncias possam ser outras e a escala também. A lógica e a gramática das coisas são as mesmas. O complicador do que acontece agora está numa certa desproporção que precisaria ainda ser bem entendida. Em 2006, houve o “salve geral” e os chamados ataques do PCC; não é isso o que aconteceu agora, por mais que se possa aventar a hipótese de que houve ações e reações de revide dos ditos grupos criminosos (mas ao que se sabe, até agora isso não foi confirmado e resta tudo muito nebuloso). Sequer foi confirmado de que isso tenha algo a ver com o PCC, apenas suposições, rumores e referências vagas a isso. 



No entanto, o modo como as execuções e assassinatos ocorreram agora, assim como os locais e algo como uma cartografia dos eventos, também ecoam o que aconteceu em 2006: evidências que dão razões de sobra para acreditar que em tudo isso deve haver acertos de conta entre forças policiais e grupos criminosos (como em 2006, como se sabe, o estopim dos acontecimentos foram justamente desacertos em torno dos acordos entre PCC e policia, achaques em demasia, vinganças, disputas). 



Como você interpreta a cobertura da mídia sobre o assunto?



Na mídia, impera o clima de “guerra urbana”; isso é grave, pois é justamente o que aciona a razão legitimadora dos dispositivos de exceção e, mais concretamente, do processo de militarização da gestão urbana, que vem se acentuando nos últimos anos. E o gatilho que aciona isso e a lógica da “guerra urbana” é sempre o mesmo: a “guerra à droga”, as figuras da guerra urbana etc. Por outro lado, essas “miudezas” – o modo de operação das forças da ordem, nada disso entra em pauta, e quando entra, tudo aparece como acidentes de percurso aqui e ali. Não por acaso, esses “detalhes” circulam em forma de depoimentos, relatos e mini-reportagens, pelas redes sociais e por obra de múltiplos coletivos militantes que são, por isso mesmo, da maior importância no cenário atual.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Sérgio Vaz: Magia negra e feitiço de branco


Fonte: revistaforum
O poeta da Cooperifa explica a verdadeira “magia negra”
O poeta Sérgio Vaz, do Sarau da Cooperifa, publicou em seu blog, um texto que explica a verdadeira “magia negra”. A expressão ganhou destaque nas últimas 24 horas, por conta da entrevista com Rosane Collor, no programa Fantástico deste domingo, 15. A ex-primeira dama disse que Collor fazia rituais de magia negra na Casa da Dinda, a então residência do casal. Entre outras “pérolas” ainda disse que considera pequena a pensão de R$ 18 mil mensais do ex-marido: “Uma amiga minha que se separou e o marido não é ex-presidente, não é senador da República, e tem uma pensão de quase R$ 40 mil”, protestou.
Com brilhantismo, Sérgio Vaz põe os pingos nos “is”.
MAGIA NEGRA
Magia negra era o Pelé jogando, Cartola compondo, Milton cantando. Magia negra é o poema de Castro Alves, o samba de Jovelina…
Magia negra é Djavan, Emicida, Mano Brow, Thalma de Mreitas, Simonal. Magia negra é Drogba, Fela kuti, Jam. Magia negra é dona Edith recitando no Sarau da Cooperifa. Carolina de Jesus é pura magia negra. Garrincha tinhas duas pernas mágicas e negras. James Brow. Milton Santos é pura magia.
Não posso ouvir a palavra magia negra que me transformo num dragão.
Michael Jackson e Jordan é magia negra. Cafu, Milton Gonçalves, Dona Ivone Lara, Jeferson De, Robinho, Daiane dos Santos é magia negra.
Fabiana Cozza, Machado de Assis, James Baldwin, Alice Walker, Nelson Mandela, Tupac, isso é o que chamo de magia negra.
Magia negra é Malcon X, Martin Luther King, Mussum, Zumbi, João Antônio, Candeia e Paulinho da Viola. Usain Bolt, Elza Soares, Sarah Vaughan, Billy Holliday e Nina Simone é magia mais do que negra.
Eu faço magia negra quando danço Fundo de Quintal e Bob Marley.
Cruz e Souza Zózimo, Spike Lee, tudo é magia negra neles. Umoja, Espírito de Zumbi, Afro Koteban…
É mestre Bimba, é Vai-Vai, é Mangueira todas as escolas transformando quartas-feira de cinza em alegria de primeira.
Magia negra é Sabotage, MV Bill, Anderson Silva.
Pepetela, Ondjaki, Ana Paula Tavares, João Mello… Magia negra.
Magia negra são os brancos que são solidários na luta contra o racismo.
Magia negra é o RAP, O Samba, o Blues, o Rock, Hip Hop de Africabambaataa.
Magia negra é magia que não acaba mais.
É isso e mais um monte de coisa que é magia negra.
O resto é feitiço racista.


A importância de assinar e divulgar a Carta de Olinda


Fonte: meganaoPor João Carlos Caribé



As empresas de Telecomunicações e a indústria do Copyright estão fazendo forte lobby na Câmara dos Deputados para segurar o Marco Civil da Internet, esta pressão ainda conta com o apoio do Ministério das Comunicações. Os oponentes do Marco Civil já anunciaram abertamente que farão de tudo para atrasar a votação e que não concordam que a neutralidade da rede faça parte do Marco Civil.
O Marco Civil da Internet foi escrito com a participação da sociedade, e tem fundamentalmente o objetivo de criar bases e limitações para novas leis sobre a Internet, criando uma camada de proteção à sociedade livre e democrática, tamanha capacidade desta camada que o Techdirt o classificou como um projeto Anti-ACTA.
Entretanto este projeto esta seriamente ameaçado, o lobby acima já conseguiu adiar a votação para agosto, e já anunciaram que pretendem adiar o quanto for necessário para os interesses deles, e depois da votação na Comissão Especial do Marco Civll na Câmara, ainda teremos a votação no Plenário e em seguida a tramitação no Senado para votação do substitutivo (O Marco Civil é o substitutivo do PL 5403) para então ir à sanção presidencial, um caminho que promete muitos obstáculos.
Ora! Os opositores do Marco Civil representam 1%, nós somos os 99%, nós temos a força, só temos de mostrar isto! Temos de nos unir e fazer a Carta de Olinda “bombar” e numa velocidade incrível!

O que é a Carta de Olinda?

O Fórum de Internet de Olinda acontece de 3 a 5 de julho deste ano (Foto: Flickr/Fora do Eixo)
Durante o II Forum da Internet em Olinda, no dia 04 de julho, diversos ativistas elaboram um manifesto em favor do Marco Civil da Internet que foi batizada de “Carta de Olinda em defesa do Marco Civil da Internet no Brasil“. Dentre estes ativistas, tínhamos representantes do Coletivo Trezentos, Movimento Mega Não, Partido Pirata do Brasil, GPOPAI, Artigo 19, Pontão Ganecha, ACID, Instituto Bem Estar Brasil, dentre outros.
Esta carta foi citada pelo Deputado Alessandro Molon durante sua coletiva de imprensa e posteriormente entregue a ele durante a plenária final, quando ele declarou total apoio à Carta de Olinda.
Desde então, a carta está disponível online para receber assinaturas de qualquer cidadão interessado em ter uma Internet livre, inclusiva e democrática. Para que possamos repetir o sucesso da petição contra o Ai5Digital temos de ter dezenas de milhares de assinaturas. É um objetivo ambicioso, conseguimos uma vez, se você se mobilizar e divulgar nas suas redes e com seus amigos e familiares chegaremos lá até agosto, quando o Marco Civil deve ser votado.
Para você ver que não é impossível, no dia seguinte que o Ai5Digital foi votado no Senado, a petição contra ele recebeu mais de 30 mil assinaturas, e isto em um só dia!
Por isto vamos nos mobilizar para repetir esta façanha e com isto dar apoio ao Dep Alessandro Molon que poderá dizer que conta com ele, representados pelas milhares de assinaturas da Carta de Olinda!
Vamos à luta! O tempo é curto!

João Pedro Stedile: As mentiras paraguaias das elites brasileiras

Por onde caminha o imperialismo brasileiro.

Fonte: mst


O maior conflito do Paraguai é reaver a terra usurpada por fazendeiros brasileiros. O país vizinho "cedeu" a estrangeiros 25% do seu território cultivável
 
Mal havia terminado o golpe de Estado contra o presidente Fernando Lugo e flamantes porta-vozes da burguesia brasileira saíram em coro a defender os golpistas.
 
Seus argumentos eram os mesmos da corrupta oligarquia paraguaia, repetidos também de forma articulada por outros direitistas em todo continente. O impeachment, apesar de tão rápido, teria sido legal. Não importa se os motivos alegados eram verdadeiros ou justos.
 
Foram repetidos surrados argumentos paranoicos da Guerra Fria: "O Paraguai foi salvo de uma guerra civil" ou "o Paraguai foi salvo do terrorismo dos sem-terra".
 
Se a sociedade paraguaia estivesse dividida e armada, certamente os defensores do presidente Lugo não aceitariam pacificamente o golpe.
 
Curuguaty, que resultou em sete policiais e 11 sem-terra assassinados, não foi um conflito de terra tradicional. Sem que ninguém dos dois lados estivesse disposto, houve uma matança indiscriminada, claramente planejada para criar uma comoção nacional. Há indícios de que foi uma emboscada armada pela direita paraguaia para culpar o governo.
 
Foi o conflito o principal argumento utilizado para depor o presidente. Se esse critério fosse utilizado em todos os países latino-americanos, FHC seria deposto pelo massacre de Carajás. Ou o governador Alckmin pelo caso Pinheirinho.
 
O Paraguai é o país do mundo de maior concentração da terra. De seus 40 milhões de hectares, 31.086.893 ha são de propriedade privada. Os outros 9 milhões são ainda terras públicas no Chaco, região de baixa fertilidade e incidência de água.
 
Apenas 2% dos proprietários são donos de 85% de todas as terras. Entre os grandes proprietários de terras no Paraguai, os fazendeiros estrangeiros são donos de 7.889.128 hectares, 25% das fazendas.
 
Não há paralelo no mundo: um país que tenha "cedido" pacificamente para estrangeiros 25% de seu território cultivável. Dessa área total dos estrangeiros, 4,8 milhões de hectares pertencem brasileiros.
 
Na base da estrutura fundiária, há 350 mil famílias, em sua maioria pequenos camponeses e médios proprietários. Cerca de cem mil famílias são sem-terra.
 
O governo reconhece que desde a ditadura Stroessner (1954-1989) foram entregues a fazendeiros locais e estrangeiros ao redor de 10 milhões de hectares de terras públicas, de forma ilegal e corrupta. E é sobre essas terras que os movimentos camponeses do Paraguai exigem a revisão.
 
Segundo o censo paraguaio, em 2002 existiam 120 mil brasileiros no país sem cidadania. Desses, 2.000 grandes fazendeiros controlam áreas superiores a mil ha e se dedicam a produzir soja e algodão para empresas transnacionais como Monsanto, Syngenta, Dupont, Cargill, Bungue...
 
Há ainda um setor importante de médios proprietários, e um grande número de sem-terra brasileiros vivem como trabalhadores por lá. São esses brasileiros pobres que a imprensa e a sociologia rural apelidaram de "brasiguaios".
 
O conflito maior é da sociedade paraguaia e dos camponeses paraguaios: reaver os 4,8 milhões de hectares usurpados pelos fazendeiros brasileiros. Daí a solidariedade de classe que os demais ruralistas brasileiros manifestaram imediatamente contra o governo Lugo e a favor de seus colegas usurpadores.
 
O mais engraçado é que as elites brasileiras nunca reclamaram de, em função de o Senado paraguaio sempre barrar todas as indicações de nomes durante os quatro anos do governo Lugo, a embaixada no Brasil ter ficado sem mandatário durante todo esse período.

Capital financeiro - HSBC é acusado de lavar dinheiro de cartéis mexicanos e do terrorismo‎

Fonte: operamundi

Senado dos Estados Unidos apresentou dossiê com mais de 300 páginas; executivos darão explicações ao senadores hoje


O banco britânico HSBC expôs o sistema financeiro dos Estados Unidos a uma ampla rede de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e financiamento de terroristas devido ao seu fraco sistema de controle, diz um relatório do Senado dos Estados Unidos que investigou as filias do banco no país por um ano.  
Executivos do banco devem responder às acusações nesta terça-feira (17/07) em uma audiência perante o Comitê Permanente de Investigações do órgão norte-americano, responsável pela produção do documento de mais de 300 páginas que foi divulgado nesta segunda-feira (16/07).

As investigações do Senado reforçam as suspeitas de envolvimento do HSBC com redes de lavagem de dinheiro dos cartéis mexicanos e introduzem novas acusações quanto possíveis vínculos com bancos sauditas e bengaleses como também com contas iranianas, rompendo com diversas sanções estabelecidas pelo governo dos EUA.  
“Em uma época de terrorismo internacional, de violência relacionada às drogas nas nossas ruas e fronteiras e crime organizado, parar com fluxos de dinheiro ilício vinculados a essas atrocidades é um imperativo da segurança nacional”, afirmou o senador Carl Levin, presidente do Comitê. 
Cartéis mexicanos
O HSBC continuou a realizar negócios com casas de câmbio mexicanas apesar das crescentes suspeitas de que estariam ligadas à lavagem de dinheiro do narcotráfico, enquanto outros bancos pararam de se relacionar com essas instituições. O banco "não tomou medidas decisivas para enfrentar essas filiais e colocar um fim à conduta", disse o documento.
Segundo o relatório, o negócio mexicano possuía uma filial nas Ilhas Cayman que mesmo movimentando 2,1 bilhões de dólares em apenas um ano, não possuía funcionários nem escritório. O documento também aponta que unidades do banco nos EUA receberam sete bilhões de dólares das casas transportados por aviões ou carros durante os anos de 2007 e 2008.
Desrespeito a sanções 
O Senado também denunciou o banco por movimentar dinheiro vinculado ao Irã e a Cuba, ambos sancionados pelos EUA. Para burlar as regras norte-americanas, o HSBC apagou todas as referências das transações de seus registros, explicou o jornal britânico The Telegraph
Acredita-se que mais de 28 mil transações irregulares foram realizadas pelo HSBC durante o período de 2001 a 2008. O Irã estaria envolvido em 25 mil dessas movimentações que envolveram cerca de 19,4 bilhões de dólares, informou o jornal britânico The Guardian. 
O HSBC providenciou dólares e serviços bancários a bancos da Arábia Saudita e de Bangladesh, suspeitos de financiarem organizações terroristas. 
Em um dos casos descritos no relatório, o Al Rajhi Bank, instituição saudita suspeita de financiar a Al-Qaeda, ameaçou retirar todos os seus investimentos do HSBC em 2006 caso não recuperasse acesso à transação em massa. Um executivo do HSBC argumentou que o banco deveria retomar os negócios com o saudita, informou o diário norte-americano The New York Times.  
Em outro exemplo de negociações ilícitas travadas pelo banco britânico, o relatório informa que o HSBC lavou 290 milhões de dólares durante quatro anos por meio do envio de cheques para um banco japonês. Segundo o britânico The Guardian, esta transação deve ter beneficiado russos envolvidos no negócio de carros usados.  
A falta de controle dos EUA
O Comitê do Senado também criticou o papel dos órgãos de controle das instituições financeiras nos EUA. “O escritório regulador do banco federal, o OCC (Escritório de Controle da Moeda), tolerou o fraco sistema contra lavagem de dinheiro do HSBC por anos”, disse o senador Carl Levin, presidente do Comitê. “Se um banco internacional não vai policiar as suas próprias filiais para parar de dinheiro ilícito, as agências reguladoras devem considerar a possibilidade de revogar a carta do banco dos EUA sendo usada para ajudar e estimular este dinheiro ilícito”, criticou.
Esta não é a primeira vez, no entanto, que investigações comprovam a relação de uma relevante instituição financeira com o crime organizado. Em um escândalo de 2007, ficou conhecido que um dos maiores bancos dos EUA, o Wachovia (filiado, atualmente, ao Wells Fargo) lavou 378,4 bilhões de dólares do narcotráfico – quantia equivalente a um terço do PIB do México – por meio de transações financeiras com casas de cambio mexicanas.

Rio dos Macacos é quilombo, diz Incra

Fonte: global

O Incra confirmou, ontem, que a população que está sendo expulsa pela Marinha do Brasil de uma área próxima da Base Naval de Aratu é mesmo um quilombo, sendo sua origem anterior à chegada da armada brasileira ao local.
O documento que atesta esta informação deve ficar pronto em uma semana e será enviado para a presidente Dilma Rousseff. Com isso, pode estar próxima a solução do impasse, que vem repercutindo em todo país, principalmente devido aos métodos que a Marinha, supostamente, tem usado para tentar retirar os quilombolas da área.
Para concluir o estudo, os técnicos do Incra abriram um parêntese na greve nacional da categoria iniciada no dia 18 de junho. “Temos nossa luta, mas ficamos sensibilizados com a luta deles que é muito mais dramática”, disse Aroldo Andrade, chefe da divisão de ordenamento da estrutura fundiária do órgão.
O trabalho de pesquisa do Incra, iniciado em 6 de dezembro de 2011 – interrompido pela Marinha por um mês – levantou ainda dados geográficos sobre o quilombo. São 62 famílias que ocupam uma área de 300 hectares. “Não é o trabalho de nossa equipe declarar que a comunidade é um quilombo, mas pesquisar dados que levam a esta conclusão, e isso fica claro no estudo”, destaca Andrade.
De imediato, o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID) deve cessar o processo de reintegração de posse da terra, quando os quilombolas seriam retirados do local, que está marcada para o dia 31 de julho. Além disso, dará o lastro legal para o quilombo seguir sua luta em busca de seus direitos. A Constituição, no seu artigo 68 dos atos das disposições transitórias, garante aos remanescentes das comunidades dos quilombos, que estejam ocupando suas terras, que seja reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os respectivos títulos.
A notícia sobre a finalização do RTID foi anunciada ontem em uma reunião dos funcionários do Incra com os quilombolas na sede do órgão. A comunidade do Rio dos Macacos requereu o encontro com o objetivo de pedir que os estudos do relatório fossem concluídos, apesar da greve. “Eles não sabia que nós estávamos trabalhando. Paramos apenas na primeira semana da greve, depois decidimos continuar, pois sabemos o que a comunidade vem sofrendo”, ressaltou Andrade, que aproveitou  a reuniao para comunicar que a conclusão do relatório está a uma semana do final.
Andrade explica que o relatório é só uma de cinco etapas para que o quilombo receba o documento final de propriedade definitiva da terra. Segundo ele, no entanto, o processo total não deve demorar muito. “Há processo que demoram até dez anos, mas como é uma área que pertence a União e não há conflitos entre terceiros, tudo fica mais fácil”, sustenta.
Comunidade reclama da Marinha

“A vida do quilombo vem sendo transformada em vida de senzala”. Essa é descrição que faz Rosemeire dos Santos, uma quilombola com cerca de 40 anos, presente à reunião na sede do Incra. Ela não sabe, por ser analfabeta, assim como quase todos os quilombolas de sua geração, que seu relato lembra mais os anos de ditadura militar do que os anos de escravidão. “Desde que a vila militar foi construída, vivemos cercados e durante minha infância não podíamos sair para ir à escola”, conta.
A construção da vila ocorreu na década de 1970 e, segundo os quilombolas, a obra só foi realizada depois da expulsão de mais de 50 famílias do local. Nos últimos três anos, se é verdade o que narra a população do quilombo, a Marinha vem “torturando” a comunidade para que eles saiam do terreno que a Constituição lhes dá posse. Uma das vítimas dos métodos utilizados, Antônio Alexandria, 76, está no Hospital do Subúrbio, devido às pressões que, supostamente, sofreu dos marinheiros.
“Eles foram à casa de seu Antônio, levou ele para a vila e lá disseram que a sua casa seria a primeira ser derrubada e depois disso fizeram o velho assinar três documentos. Dias depois ele teve um derrame”, contou Rosemeire dos Santos.
Não é só a pressão de estarem à beira de serem lançados ao mundo sem meios de sobrevivência, depois de uma vida de isolamento, que já levou quatro outros anciãos da comunidade à morte. De acordo com seus relatos, helicópteros estão sobrevoando o quilombo durante a noite, lançando luzes de potentes refletores sobre as casas.  Até as fontes de sustento da comunidade teriam sido atingidas por supostas táticas de expulsão. Mais de 150 mangueiras estão morrendo sem explicação.
Os quilombolas contam ainda que em 2010, um jovem da comunidade morreu depois de ter sido atropelado por um militar, propositadamente. Para Rosemeire dos Santos, o que torna ainda mais incompreensível a postura dos militares “que deveriam proteger o cidadão brasileiro”, é a dificuldade de assumirem que estão lidando com quilombolas e não com criminosos.
Carlos Vianna Junior

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Racismo e intolerância religiosa na Rede Globo de Televisão

Por Sergio J Dias

Ontem fui dormir angustiado, após o "Fantástido, O Show da Vida", mais parecido com um espetáculo de bárbarie. Sabia que viria dali mais um ataque à cultura negra, neste caso, apontado contra as religiões de matriz africana. Não assisti ao programa, o texto já era conhecido, afinal quando se fala em "magia negra" neste país já sabemos a quem estão se referindo, até porque somos tão poucos no horizonte que açoitar-nos é como bater em cachorro morto. Fiquei muito preocupado com as possíveis ações de intolerância religiosa contra templos umbandistas e candomblecistas, já tão comuns em vários estados do país. Lembrei-me do "Delegado Chico Palha", de triste memória eternizado na voz de Zeca Pagodinho: "Ele não prendia, só batia". Em uma fiel descrição à perseguição às várias manifestações da cultura negra, em grande parte do século XX.

Contudo, estamos aqui para falar da trajetória da Rede Globo de Televisão até chegar a este desfecho. É de conhecimento público que a citada emissora vem perdendo telespectadores, em grande quantidade, para a sua "co-irmã" Rede Record. Esta alinhou o discurso neoliberal à teologia da prosperidade e conseguiu rapidamente crescer entre os setores populares e jovens da população. É sabido que o público da Globo é considerado "velho" e pratica uma audiência inercial, mantendo o controle remoto sempre no mesmo canal. Entretanto o extrato mais novo se encantou com a programação da emissora do Bispo Macedo, o que vem preocupando a "vênus platinada". Ciente disso, a Globo vem construindo lentamente uma estratégia de aproximação do público evangélico. Buscou apoio em um dos líderes evangélicos mais importantes, Silas Malafaia, realizou shows gospels, começou a noticiar, enfaticamente, as marchas cristãs, e tantas outras ações, que no cômputo geral evidenciam seus planos.

Sua direção viu na figura de Rosane Collor mais uma chance de atrair a multidão neopentecostal, ainda tão desconfiada da mudança global. Seria uma tacada de mestre, afinal os mistérios sobre a administração Collor ainda fascinam muitos brasileiros. Por outro lado, era uma oportunidade de fustigar o ex-presidente assaz rebelde em tempos presentes. E como último trunfo, se estabelecia um canal mais profundo entre a emissora e o mercado evangélico em contínuo crescimento.

Mas, a própria reação interna da emissora deixa transparecer uma certa contrariedade em relação à matéria produzida. Normalmente, a Globo age em conjunto, isto é todos as empresas ligadas a holding procuram acolher e desenvolver os temas veiculados. Desta feita, não é o que vemos. Fiquei surpreso com a ausência de Chico Pinheiro, no telejornal matinal, ou foi poupado do incômodo, ou se recusou a participar da farsa. Na internet, tanto no Globo.com, quanto no Globoonline, a repercussão é mínima, diminuta e acanhada. O enfoque religioso, quando se fala da reportagem fica pouco evidenciado. Fato distinto do que ocorreu antes do famigerado programa, onde este elemento era o mais salientado. Infelizmente, a Rede Globo sairá ilesa de mais este incidente. Agiu contra os direitos humanos de uma parcela expressiva da população, pode ser acusada de racismo e nada vai lhe acontecer, além de manter-se com audiência declinante. 

Outros incidentes mais graves marcam a sua história como o "Caso Proconsult" e o "Golpe de Estado", dado contra os setores organizados da sociedade civil na manipulação do Jornal Nacional na véspera da eleição de 1989, onde os melhores momentos de Collor e os piores de Lula foram apresentados. Tudo para garantir a eleição de Collor à presidência da república.
Como vemos não é algo novo, as agressões da Globo contra a sociedade brasileira. Só lamento que não tenhamos televisões dirigidas por partidos políticos de esquerda e sindicatos, como ocorre em vários países do mundo. Isso nos garantiria uma verdadeira democracia. De todo este episódio fica a certeza da necessidade de acabar com o monopólio dos meios de comunicação, nas mãos de tão poucas pessoas. São verdadeiros "aparelhos ideológicos de Estado", usados para manter alienado e submisso o povo brasileiro.



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