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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Controle de Natalidade e Extermínio Negro: Obstáculos à acumulação capitalista

 Por Sergio J. Dias

A cada pobre e negro exterminado, a burguesia vê desvanecer parte de sua acumulação.

                 Burguesia, seu apreço pelo povo brasileiro
A História do Brasil é marcada por um total menosprezo de grande parcela de sua elite em relação ao restante da população. Todavia, nos últimos anos estamos vendo uma mudança neste paradigma. De repente, estes mesmos setores que tanto desprezaram o povo, vem a mídia falar de educação, saúde, saneamento básico e da necessidade destes fatores para o crescimento do país. Que fique bem claro crescimento, e não desenvolvimento. Conceitos que embora pareçam semelhantes carregam significados totalmente diferentes. Quando falamos de desenvolvimento, queremos atinar para a melhoria das condições de vida de todos. Por outro lado, quando falamos de crescimento incidimos sobre o aumento de ganhos econômicos, ou seja, melhor qualidade de vida pra um pequeno grupo, os mesmos.



           Ligadura e extermínio: impedimento à acumulação
Acontece que durante o governo petista, a melhora das condições de consumo para grupos excluídos significou uma ampliação dos níveis de acumulação a patamares nunca vistos. Isto levou a consciência de nossa burguesia e de seus parceiros a um novo estágio. Afinal, acumulação impõe mais acumulação. Dinheiro chama dinheiro. Entretanto, encontramos na realidade social atual um grande empecilho. Nossa população pobre, potencialmente trabalhadora, viveu ultimamente um sistema perverso de controle de natalidade, inspirados em conceitos malthusianos e neomalthusianos, na presença livre de instituições internacionais como a BEMFAM e no caos social que imperou nas décadas de 1980 e 1990. A esterilização de milhões de mulheres, através da laqueadura de trompa e práticas congeneres, junto com o extermínio de um número incontável de jovens mortos por armas de fogo, sobretudo negros, são elementos chaves para o entendimento do problema. Em Marx, encontramos a afirmação de que a elevação da população é condição necessária para o acréscimo de acumulação. E, embora, tenhamos recentemente uma elevação populacional, esta não atende aos reclamos capitalistas, um grande exército de mão de obra de reserva. Isto mesmo com as empresas empregando métodos toyotistas, larga escala.
Há muito não temos uma situação de empregabilidade como esta, 4,9% , segundo o IBGE. Não nos parece que os trabalhadores estejam preocupados, pelo contrário, mas, os empresários estão.



Paradoxo: Extermínio e melhora da qualidade de vida
É paradoxal e cruel verificar que, o genocídio de parcela considerável de brasileiros e um controle demográfico prussiano e tirânico, embora ilegal, na maioria das vezes, aspectos ainda em curso, tenham sido fatores decisivos para uma mudança na qualidade de vida da sociedade brasileira.
Nossa elite, tão prestimosa, hoje paga o preço de ter abandonado pobres e negros à sua própria sorte, por ter apoiado o discurso do "Estado Mínimo" para o povo e do "Estado Máximo" para as empresas. Os trabalhadores comemoram o pleno emprego, a burguesia maldiz a baixa acumulação e o PIB diminuto.
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