Blog comprometido com as mais diversas lutas sociais do planeta, particularmente, o que diz respeito a luta pelo socialismo, a ampliação do uso dos software livre Gnu/Linux na busca pela expansão de nossa inteligência coletiva e da cultura livre, além da batalha pela melhoria das condições de vida da população brasileira, sobretudo, do povo negro.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Enfim, Comissão de Ética dos jornalistas pauta a questão racial na mídia

De Fernando Paulino

Pela primeira vez na história, a Comissão de Ética dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro vai tratar da questão racial na mídia.Na próxima quarta-feira, dia 6, os jornalistas Fátima Lacerda e Fernando Paulino terão que dar explicações perante a Comissão. Motivo: eles são responsáveis pela divulgação de um texto intitulado "Estudante denuncia aula de racismo na UFF”, que descreve a denúncia de uma aluna da disciplina Ação Cultural em Unidades de Informação, do Instituto de Artes e Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense, em Niterói, que se recusou a fazer uma prova que considerou de conteúdo racista. A denúncia chegou à Coordenadoria Municipal de Promoção de Políticas de Igualdade Racial de Niterói, para análise.
O texto da prova, aplicada pela professora Renata Gouvea Barbatho, foi retirado de um site que chama o deputado federal Jean Willian de pedófilo, diz que o holocausto nunca existiu, desqualifica todos os heróis negros, além de lançar o pastor Marcos Feliciano para a Presidência da República.  Para a Comissão de Ética, os jornalistas foram parciais na divulgação. A Comissão sugeriu que eles optassem por alguma forma de defesa: por escrito ou em uma reunião presencial. Fátima e Fernando escolheram a reunião presencial, considerando que, desta maneira, cria-se uma rara oportunidade de se discutir a questão racial na mídia.
"A Comissão de Ética, historicamente, nunca tratou da questão do racismo na mídia. Então, achamos que devemos debater coletivamente o tema a partir do procedimento ético que a comissão abriu. Não é de hoje que optamos por um Jornalismo de combate às desigualdades e injustiças sociais, em contraponto a essa mídia de mercado, que discrimina o negro, o pobre, a mulher e LGBT”, afirma Fernando Paulino.
Já Fátima Lacerda diz que “nos expor a esse constrangimento é uma questão política que evidencia a necessidade das nossas elites intelectuais aprofundarem o debate sobre o racismo no Brasil, em lugar de banalizarem o que em hipótese alguma pode ser banalizado. Nossas elites intelectuais parece que preferem repreender ou punir aqueles que ousam colocar o dedo nessa dolorosa ferida, que marca a ferro e fogo a sociedade brasileira, ignorando a persistência do racismo e a necessidade de superarmos essa chaga”.
Fátima tem pós-graduação em História da África (Penesb/UFF) e Fernando fez pós-graduação em Relações Étnico-Raciais e Educação, no Cefet-RJ.
A reunião presencial está marcada para as 19h, na sede do sindicato da categoria, na Rua Evaristo da Veiga, 16, 17º andar, na Cinelândia, Centro do Rio.
Licença Creative Commons
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 2.5 Brazil License.