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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

A aplicação da Lei 11.645/2008 nas escolas públicas de acordo com a Prova Brasil 2009 - LAESER


Prezada leitora e prezado leitor do Tempo em Curso


Temos a satisfação de informar que o novo número do boletim eletrônico Tempo em Curso, edição de fevereiro, já está disponível em nosso site: http://www.laeser.ie.ufrj.br/PT/tempo%20em%20curso/TEC%202013-02.pdf

O tema especial deste mês é uma análise da aplicação da Lei 11.645/2008 nas escolas públicas de acordo com a Prova Brasil 2009.

Apesar de não ser insignificante, o número de escolas que aplicam a lei é ainda razoavelmente baixo. Em 2008, apenas sete em cada dez escolas públicas do ensino fundamental adotavam ações voltadas ao cumprimento da lei, sejam elas de natureza sistemática ou isolada.

Este dado é particularmente relevante considerando que o Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara) protocolou no 15 de fevereiro um Mandado de Segurança no  Supremo Tribunal Federal questionando o descumprimento da Lei 10.639/2003.

Neste número, encontra-se também uma análise da evolução das desigualdades raciais, em 2012, no mercado de trabalho das seis principais regiões metropolitanas brasileiras. Confiram a evolução dos rendimentos médios e da taxa de desemprego.

Mais uma vez, nós do LAESER, contamos com vosso diálogo, críticas e reflexões.
Boa leitura!
Equipe LAESER

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domingo, 17 de fevereiro de 2013

Agrotóxicos envenenam alimentos e causam câncer

Fonte: diarioliberdade

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Brasil - A Verdade - É cada dia maior o número de brasileiros com câncer. Com exceção dos ricos, que conseguem ter acesso a remédios caros e importados e aos melhores médicos e hospitais, a imensa maioria dos brasileiros que contraem a doença, morrem em poucos meses.

Alguns desinformados afirmam que o crescimento do número de pessoas com câncer é resultado do fato de a população estar vivendo mais. Porém, estudos científicos provam que existe uma relação direta entre o câncer e a alimentação e, mais precisamente, com a contaminação dos alimentos por agrotóxicos. O Brasil, como se sabe, é o país que mais consome agrotóxicos no mundo.
A gravidade dessa situação vem sistematicamente sendo denunciada pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). Em dossiê intitulado Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde, a Abrasco afirma que o processo produtivo agrícola brasileiro está cada vez mais dependente dos agrotóxicos. Somente na safra de 2011, foram utilizados 853 milhões de litros de agrotóxicos pulverizados nas lavouras, principalmente herbicidas, fungicidas e inseticidas, representando uma média de exposição ambiental/ocupacional/alimentar superior a 5 litros de agrotóxicos por habitante, quantidade altíssima e acima de todas as recomendações da Organização Mundial de Saúde. Segundo ainda o dossiê da Abrasco, "Parte dos agrotóxicos utilizados tem a capacidade de se dispersar no ambiente, e outra parte pode se acumular no organismo humano, inclusive no leite materno. O leite contaminado, ao ser consumido pelos recém-nascidos, pode provocar graves danos à saúde, pois eles são mais vulneráveis à exposição a agentes químicos presentes no ambiente, por suas características fisiológicas e por se alimentarem, quase exclusivamente, com o leite materno até os seis meses de idade." (Veja o dossiê completo em: www.abrasco.org.br)
Também o professor Wanderley Pignati, doutor no Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Mato Grosso, alerta que o Brasil, além de usar vários agrotóxicos que estão proibidos desde 1985 nos Estados Unidos e na União Europeia, "aqui, dezenas de agrotóxicos são aplicados por avião, coisa que é proibida em vários países. Jogamos agrotóxicos por avião perto de casas, animais, gado, nascentes de rios e córregos." O professor Pignati afirma também que "alguns agrotóxicos causam câncer, problemas neurológicos, má formação fetal e desregulação endócrina". São extremamente prejudiciais à saúde humana. Estão na água, no ar, na chuva. Os defensivos agrícolas demoram de três a quatro anos para se degradarem. Em 2008, 32,7% das intoxicações registradas no Brasil teve como principal agente tóxico os agrotóxicos de uso agrícola.
Apesar de todos esses alertas, os agrotóxicos continuam sendo usados indiscriminadamente e sem nenhum controle por parte do governo federal. Pelo contrário. Depois de 12 anos exercendo o cargo de gerente-geral de Toxicologia (GGTox) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Luiz Cláudio Meirelles foi afastado por denunciar pressões e fraudes da indústria de agroquímicos dentro do órgão. Não bastasse, o governo federal concede isenção de impostos e financiamentos para as grandes corporações que fabricam esses venenos.
Por trás de tudo isso, estão poderosos monopólios capitalistas como Syngenta, Bayer, Monsanto, Basf, Bayer, Dow AgroSciences e Du Pont, que faturam bilhões de dólares por ano à custa do envenenamento do nosso povo e reservam alguns milhões para subornar ministros, governadores, deputados, senadores e funcionários para que continuem permitindo mais um crime contra o povo brasileiro.
¹Os agrotóxicos são produtos químicos são pesticidas, praguicidas, herbicidas, inseticidas, desinfetantes, usados na agricultura. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define pesticide ou plaguicida como toda substância capaz de controlar uma praga, em sentido amplo, que possa oferecer risco ou incômodo às populações e ambiente.

Internet: mundo infinito ou condomínio fechado?



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Ronaldo Lemos, do CreativeCommons adverte: para multiplicar relações libertadoras, rede não pode reduzir-se a espaços controlados e uniformes, como Facebook
Entrevista a Página 22
Fundador e diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da FGV, o professor Ronaldo Lemos é hoje um dos maiores pesquisadores da cultura digital no país. Ele trafega pelos temas internet, direitos autorais e propriedade intelectual na mesma medida em que se interessa por música, pelo tecnobrega paraense (objeto de uma de suas pesquisas mais conhecidas) e a proliferação de lan houses e tablets.
Lemos foi uma das figuras-chave na iniciativa e elaboração do projeto de lei que cria o Marco Civil da Internet no Brasil. Também fundou o site Overmundo, para mostrar como se faz trabalho colaborativo, livre e compartilhado. E ainda gerencia o Creative Commons no país, as licenças públicas para produção de conteúdos diversos.
Nesta entrevista, concedida no Rio, durante o Global Congress – uma conferência com a missão de construir uma agenda propositiva global na área de propriedade intelectual –, Lemos aponta que a tarefa dos próximos anos é selecionar e tornar disponíveis os conteúdos que vão “rodar” nas já onipresentes ferramentas tecnológicas.
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Em 2001, Manuel Castells (no livro A galáxia da internet) fez uma análise interessante sobre o uso da web e os efeitos na cultura e na sociedade. Conectividade não resolveria os problemas da humanidade nem seria a derrocada da vida social. Como fazer uma análise adequada e profunda do tema, considerando-se esgarçamento das relações, solidão, doenças psicossomáticas versus novas sociabilidades, relações mais horizontais, compartilhamento, cultura livre?
O Castells é ótimo, enxergou a internet pela perspectiva de rede e das ciências sociais, o que trouxe reflexões para o ativismo e o papel da internet em mudanças no sistema político. Mas tem um pensamento que eu acho particularmente interessante, que é do McLuhan [Marshall McLuhan foi um teórico da comunicação, que introduziu o conceito de aldeia global para caracterizar a sociedade contemporânea interligada]. Ele lembra que estamos mergulhados em um universo de mídia. Ou seja, toda vez que há uma mídia nova, isso, inevitavelmente, leva a mudanças de vida. A internet, que é a mídia de todas as mídias em toda sua complexidade, flexibilidade e dinamismo, tem um impacto gigantesco na vida de todos.
Sem ser ufanista ou catastrofista.

Nenhuma das duas coisas. McLuhan enfatizava o caráter humanista das mídias. Achava que elas extrapolariam as possibilidades humanas, amplificariam os sentidos, nossa capacidade de pensar e nossa memória. Ele via como que uma expansão do humano se materializando naquelas mídias. Eu concordo, mas não sou tão otimista. Ele considerava as mídias um vórtice em que os seres humanos seriam envolvidos e saberiam compreender. Mas hoje a capacidade desse vórtice extrapolou. É tanta informação, dados e coisas acontecendo que nós não temos mais a capacidade de processar e lidar com tudo isso.

Precisamos cada vez mais de ferramentas e é a própria mídia que analisa a mídia. Existem várias estratégias, as curadorias sociais e as curadorias eletrônicas por algoritmo, que é o que o Google faz. O que eu acho importante é que o McLuhan pensava que o homem sempre seria capaz de dar conta do vórtice, mas estamos chegando no momento em que não dá mais.
E as curadorias ainda são feitas pelas grandes corporações, reproduzindo o modelo concentrador do mundo real, não é?
É informação demais e as pessoas não têm tempo para tanto, estão cansadas. Quem fica imerso e conectado precisa de filtros. Hoje, para a maioria das pessoas, os filtros são estes: de um lado o Google [que usa algoritmos matemáticos para descobrir o que é importante e o que não é] e de outro o Facebook, que usa algoritmos, mas também as informações de suas relações sociais. É curioso, porque ele devolve para você o mundo à sua imagem e semelhança, e entrega o que você mais preza, que é você mesmo.
O produto do Face é ser um espelho do usuário, é mergulhar você em uma bolha. Tem gente dizendo que isso aumenta o radicalismo, porque confirma posições e você acaba convivendo apenas com quem pensa da mesma maneira, perde o convívio com o diferente, com o acaso e o contraditório. E isso já é um problema geracional – quem nasceu depois de 1976 tem dificuldade de conviver com contradições e frustrações, as características da geração Y, a geração do ego. Pensando em tudo isso, a promessa original da internet, que é a diversidade, ausência de fronteiras e pluralidade, não se concretizou.
O diagnóstico então é sombrio, porque existe uma concentração nessas ferramentas que determinam o que será a vida social.
Antes um artista importante lançava um disco e as pessoas faziam fila para comprar o disco. Você estava prezando o conteúdo. Hoje as pessoas fazem fila para comprar o iPhone ou o novo aparelho. Não é o artista que importa mais, é o meio que se tornou a estrela, em detrimento do conteúdo. A mídia interessa mais que o conteúdo. Aliás, o conteúdo é X, pode ser qualquer coisa e tem uma validade mínima. Tudo está virando a lógica da moda, você tem alguns momentos de atenção, popularização, começa a decair, até que fica esquecido. Isso se aplica à música, o artista do verão que depois desaparece, e também à informação.
O ciclo das notícias está se acelerando, a notícia do dia enquanto a gente conversa aqui é essa tragédia nos EUA em que várias crianças foram assassinadas em uma escola, e o ciclo desses dias será essa tragédia, mas daqui a três quatro dias o ciclo se renova e essa notícia perdeu a relevância e, muitas vezes, nem a memória dela será preservada. A memória em tempos de internet é para mim um tema muito importante.
O tema desta edição é “menos é mais”. Quais “menos” necessários enxerga em sua seara (tecnologia e sociedade)? Menos conectividade, por exemplo, é necessário?
Estamos caminhando para um momento em que a desconexão será um luxo. Hoje a conexão ainda é um luxo, pensando que, dos 7 bilhões de habitantes da Terra, apenas 30% têm acesso à internet. Pensando a longo prazo, e para os que já estão conectados, o fato é que vai ser cada vez mais difícil se desconectar. A internet vai se misturar ao mundo físico. Hoje o acesso é mediado pelo celular, mas estamos caminhando para “a internet das coisas”, em que a rede estará em todos os lugares. Você estará cercado por telas sensíveis ao toque, à voz, à sua movimentação, e o mundo inteiro será um grande aparelho de interação.
Nessa perspectiva, a desconexão será rara e as pessoas vão querer se desconectar em algum momento, porque o equilíbrio é necessário. Ficar conectado o dia inteiro e ser bombardeado de informação gera uma sobrecarga cognitiva. Não sou fatalista, acho que o cérebro tem possibilidades imensas para se adaptar, mas desconectar faz bem. Então, abrir mão da sobrecarga e valorizar outro ritmo é positivo para a inteligência e para o bem-estar.
Quais redes sociais manter e de quais podemos “nos livrar”, em nome da sanidade?
Bem, o Facebook é a praça do shopping, não da cidade. Isso porque ele é privado, com regras próprias, ele diz o que pode e o que não pode e isso não é decidido de maneira livre e democrática. E tem uma frase que um amigo costuma dizer de que eu gosto muito: o Facebook é o condomínio fechado tomando conta da cidade. Esse é o nosso dilema, estamos trocando a cidade ampla, descentralizada, livre, caótica (que é a internet), que está perdendo espaço e virando um grande condomínio fechado, com as ruas todas arborizadas padronizadas.
Podemos pensar então que a internet está subaproveitada?
O potencial dela é quase ilimitado. Pense que a internet é uma infraestrutura em que tudo o que você constrói no topo – foto, vídeo, filme, qualquer aplicação – vai rodar e na base pode ser acessada por qualquer aparelho. Então ela tem formato de ampulheta, roda qualquer aplicação, no topo, e, embaixo, qualquer aparelho. Com qualquer coisa que plugar você terá acesso a todo tipo de suporte que ela pode exibir. Esse caráter de abertura de conteúdos e acesso tem que ser preservado. O problema é quando sites como Facebook, Google e mesmo governos tentam restringir essa estrutura de ampulheta.
O senhor disse em artigo na Folha de S.Paulo que, cedo ou tarde, a educação será revolucionada pela tecnologia. Que o material didático baseado no texto é um descompasso com o mundo multimídia. Mas a inserção de tecnologia nas escolas resolveria estatísticas como a que aponta o Ibope, de que 38% dos egressos do ensino superior no Brasil são analfabetos funcionais, ou seja, mais de um terço dos que completam a faculdade não são plenamente alfabetizados?
A tecnologia sozinha não resolve esse problema. É preciso enxergá-la como integrante de um sistema mais complexo: professores, qualidade do material didático, programa pedagógico bem pensado. Mas a tecnologia é uma ferramenta extraordinária. Chamo atenção para o paradoxo que vivemos. Os alunos convivem com um ritmo e uma intensidade de informações altíssimos fora da escola e, quando chega lá, essa velocidade e quantidade caem drasticamente. A escola se torna um ambiente frustrante do ponto de vista da informação. Se São Tomás de Aquino se materializasse no mundo de hoje, ele se surpreenderia com hospitais, com as estradas, automóveis, mas não se surpreenderia com uma escola.
Ela está no mesmo modelo da Idade Média, que é um professor na frente e um monte de alunos ouvindo. Para a educação é fundamental mudar a dinâmica de como o conhecimento é gerado. A escola precisa ser participativa, os alunos precisam aprender a colaborar uns com os outros.
Hoje o modelo educacional é unidirecional, em que o aluno ouve e o professor fala. Isso ignora que o aluno também é fonte de informação. E essa troca de experiências e informações e visões de mundo tem que ser provocada no ambiente escolar. A escola tem o papel de soltar a força e todo o conhecimento entre os alunos e fazer com que eles colaborem uns com os outros. E a tecnologia é excelente ferramenta catalisadora da colaboração.
Aqui no Rio tem uma experiência bacana, a da Universidade das Quebradas, baseada na ecologia dos saberes, que é pensar a educação pela experiência de todos, unindo prática e a ciência.
O projeto do Gilberto Dimenstein do Bairro Escola é muito interessante. O bairro em que a escola está inserida é usado como oportunidade educacional. Por exemplo, se tem uma oficina mecânica, o mecânico pode compartilhar o saber dele com as pessoas, e o dono da padaria compartilha a informação financeira com os alunos.
O que a tecnologia permite é trazer tudo isso sem necessidade de ir fisicamente até lá, construir as pontes e manter os canais abertos, sem que os alunos tenham que sair com a professora naquela operação que nem sempre é simples. Você pode criar buscadores, fazer videoconferências, abrir janelas para o mundo ou o bairro desde a sala de aula.
A respeito do Marco Civil da Internet, o que está em jogo, por que a votação está parada no Congresso e quais são os ganhos para os cidadãos?
A FGV participou do processo desde o início, em 2007, quando escrevemos um artigo dizendo que a internet deveria ser regulamentada civilmente. Tivemos várias adesões e começou um movimento nessa direção, culminando no projeto de lei do Marco Civil, que ficou um ano e meio em consulta pública e resultou em um documento muito bem feito e sofisticado.
O Executivo abraçou o projeto e o enviou ao Congresso, mas agora ele está enfrentando dificuldades e lobbies. Mas, do ponto de vista do interesse público, ele é importantíssimo. Garante que a internet permaneça internet, ou seja, com os princípios de abertura, decentralidade, isonomia, amplo acesso. Preserva a privacidade, tem disposições muito específicas assegurando que o que está na Constituição precisa estar garantido também na internet. Defende também a liberdade de expressão e incentiva e protege a inovação.
Hoje, quem está barrando o projeto no Congresso são as grandes empresas de telecomunicações, que pretendem transformar a internet em um serviço multimídia.
Este é um debate global, mas tivemos uma vitória recente. [A conferência de uma agência da ONU, realizada em] Dubai disse que qualquer linguagem no tratado internacional de telecomunicações contra a neutralidade da rede deve ser excluída. Ou seja, a rede é neutra e livre. Aqui no Brasil, nossas chances resvalam no sistema político. O que assistimos hoje é que o Marco Civil está pronto para ser votado e o que sobrou foi a questão política.
Vemos de forma clara os partidos comprometidos com o interesse público e os partidos comprometidos com interesses puramente privados ou corporativos, que não estão nem aí para o interesse público e são contrários ao Marco Civil. Houve uma cisão, o cidadão pode olhar os partidos contrários e verá que a razão é de comprometimento privado, porque receberam alguma doação de campanha das teles ou porque estão comprometidos com outros interesses econômicos.
Direitos autorais e propriedade intelectual: como o país se posiciona hoje? A lei ainda penaliza autores e beneficia os intermediários?
A reforma da lei de direitos autorais já se estende por sete anos. É um tema fundamental, porque a lei se descolou da realidade. Se olharmos as práticas de hoje nas bibliotecas, nas universidades e o que os jovens fazem no computador, vemos que a tecnologia trouxe possibilidades que a lei de direitos autorais não dá conta de atender. É preciso reconciliar a lei e a realidade, permitindo que se pense a informação conjugada com o desenvolvimento, dando ao autor a justa remuneração, ao mesmo tempo que fomentam novos negócios e possibilidades de circulação da informação.
O que significa a ampliação da banda larga no Brasil? O que devemos observar sobre a proposta de regulá-la?
A banda larga hoje no País é muito insuficiente. O Brasil tem que ser mais agressivo e enxergar a banda larga como parte da infraestrutura, como a China fez. O salto tecnológico chinês partiu desta premissa, a de que a tecnologia da informação causa impacto em todas as outras áreas.
Aumenta a eficiência da saúde, da agricultura, de todas as outras áreas. Produz externalidades positivas para tudo. O Brasil precisa ser ambicioso, construir redes, receber tecnologias vindas de todos os lugares e fomentar a demanda que o país tem pela conectividade. Permitir que o brasileiro tenha sua internet, de qualidade, com fibra ótica passando nos municípios, pois a qualidade do acesso é tão importante quanto o acesso em si.
E o cabeamento das cidades vai definindo as regiões prioritárias para desenvolvimento. Sou do interior de Minas e vejo a transformação. Minha cidade (Araguari) foi escolhida para um projeto pioneiro de TV a cabo já em 1987. Isso impactou uma geração inteira e vejo claramente a ligação entre conectividade e oportunidade.
Acabei de ir a uma conferência na Universidade Harvard e eles faziam um mapa no qual viam as pessoas que participavam da conferência, tinha gente do mundo todo. Depois pegaram um mapa que mostrava onde existia conectividade em banda larga e o sobrepuseram ao mapa anterior: coincidia exatamente. Estavam ali em Harvard apenas pessoas que habitavam os lugares onde havia conectividade banda larga. Não é uma coincidência, conectividade significa oportunidade.
O Creative Commons no Brasil está fazendo dez anos. Como está a disseminação?
O Brasil foi pioneiro em Creative Commons, em 2004, foi o terceiro país do mundo, logo depois do Japão e da Finlândia. A partir daí, a adoção das licenças públicas só cresceu. Começou muito na música, pelo entusiasmo do Gil [Gilberto Gil, quando ministro da Cultura, levou o Creative Commons para sua pasta], e teve aquela explosão na musica e no audiovisual. Agora, ele chega cada vez mais à educação. É um terreno que está se ampliando.
Existe um movimento global dos chamados REAs – Recursos Educacionais Abertos. É uma recomendação da Unesco que os materiais didáticos sejam cada vez mais produzidos de forma livre, aberta, de modo a potencializar a educação. Quando o cara tiver um tablet na sala de aula, o conteúdo que ele vai acessar primeiro é o que estiver aberto e disponível. Se este conteúdo estiver em Creative Commons, é o que ele vai utilizar.
Suas pesquisas são voltadas para tecnologia e periferia, a proliferação das lan houses e o fenômeno do tecnobrega. Agora, o uso da internet já está disseminado em outro cenário. Quais os desdobramentos de seus estudos, para onde caminham?
As pesquisas continuam de vento em popa e cada vez mais descobrimos coisas incríveis. Estamos fascinados com a chegada dos tablets no Brasil. Em 2011 eram 200 mil, no fim de 2012 são mais de 5 milhões. E a maioria deles não são Apple ou Samsung Galaxy, são feitos na China a custo baixíssimo. Desenhados para a população de baixa renda, custam de 60 a 80 dólares com características diferentes dos Apple: pegam rádio FM, TV digital, Bluetooth. Para os de alta renda pode não ter importância, mas para as áreas carentes isso é essencial. Então, a gente está muito fascinado com isso que está dando conectividade para muitas periferias do Brasil. O impacto na educação e acesso ao conhecimento é fundamental.
A pergunta que se faz é qual o conteúdo vai ocupar esses tablets. Como as pessoas vão buscar esses conteúdos, quais os materiais, as músicas, os filmes?  A tecnologia está se espalhando, seja por lan house, seja por tablet, ou o que virá depois, o que a gente precisa se preocupar é em dar garantias para que a pessoa tenha acesso ao melhor conteúdo possível. Hoje tem um monte de gente comprando o tablet antes de ter o PC, é isso que estamos enxergando nas pesquisas. Então, os projetos são múltiplos, tentando ver o que vai impactar os próximos dez anos e ajudar a planejar as políticas públicas mais adequadas para aproveitar esses potenciais.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

TST discute indenização bilionária a trabalhadores da Basf e da Shell contaminados



Débora Zampier,

   
   Protesto realizado em frente ao TST nesta quinta - Foto: Antonio Cruz/ABr
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) realiza nesta quinta-feira (14) audiência de conciliação entre representantes das empresas Basf e Shell e empregados que trabalhavam em uma indústria na cidade de Paulínia (SP). Eles discutirão a condenação por danos morais que chega a R$ 1 bilhão.
O processo judicial envolve centenas de trabalhadores que atuavam na indústria de pesticidas desde a década de 1970. A fábrica pertencia à Shell, que vendeu seus ativos à multinacional Cyanamid na década de 1990. Em seguida, o negócio passou para as mãos da Basf, que manteve a fábrica em funcionamento até 2002, quando foi fechada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Após a realização de estudos ambientais, concluiu-se que o complexo industrial não tinha condições adequadas de funcionamento, poluindo a área próxima e os lençóis freáticos com vários componentes químicos. Os efeitos da exposição para a saúde dos trabalhadores e seus descendentes também foram avaliados por autoridades públicas e pesquisadores, que constataram risco de várias doenças, como câncer e disfunções da tireoide.
Com os resultados, o Ministério Público do Trabalho da 15ª Região (MPT15), em Campinas (SP), entrou com uma ação pública contra as empresas cobrando os tratamentos de saúde e uma indenização por danos morais que, em valores atualizados, se aproxima de R$ 1 bilhão.
Após condenações em primeira e segunda instâncias, a Justiça determinou a antecipação da execução da sentença para o custeio dos tratamentos de saúde que, segundo o Ministério Público, já estão sendo pagos. Até o momento, cerca de 60 pessoas morreram em decorrência de complicações de saúde ligadas à exposição às substâncias tóxicas da fábrica em Paulínia.
De acordo com o MPT, que participará da audiência de conciliação, os trabalhadores estão abertos a negociar a indenização, desde que a cobertura integral dos tratamentos de saúde seja mantida. A audiência está marcada para as 14 horas e, de acordo com a assessoria do TST, deve ser conduzida pelo presidente do tribunal, ministro João Oreste Dalazen. Os trabalhadores realizaram um protesto em frente ao tribunal na parte da manhã.

A vitória da "Vila", a derrota de Martinho

Por Sergio J Dias


Nenhuma escola de samba cantou tanto as lutas do povo brasileiro, quanto a Unidos de Vila Isabel. São da Vila, os enredos campeões - Kizomba, Festa de um Povo e Soy Loco por ti América, Latinidad -  de fortes conteúdos de esquerda e vanguardistas. Na condução desta trajetória encontramos o principal intelectual do samba brasileiro e um dos maiores da nossa história recente, Martinho da Vila. Com uma caminhada singular, Martinho incorporou os desejos do nosso povo por uma vida melhor e uma sociedade mais justa, social e racialmente. E, estas aspirações foram impressas na "Vila", em cada enredo, em cada alegoria, em cada fantasia, em cada verso de samba. São de Luis Carlos da Vila, Jonas e Rodolfo estes versos belíssimos, que a "Vila" soube tão bem representar: 


"Valeu Zumbi!

O grito forte dos Palmares

Que correu terras, céus e mares

Influenciando a abolição
Zumbi valeu!

Hoje a Vila é Kizomba

É batuque, canto e dança

Jongo e maracatu
Vem menininha pra dançar o caxambu        (bis)

Ôô, ôô, Nega Mina

Anastácia não se deixou escravizar       (bis)

Ôô, ôô Clementina

O pagode é o partido popular

O sacerdote ergue a taça

Convocando toda a massa

Neste evento que congraça

Gente de todas as raças
Numa mesma emoção

Esta Kizomba é nossa Constituição       (bis)

Que magia

Reza, ajeum e orixás

Tem a força da cultura

Tem a arte e a bravura
E um bom jogo de cintura
Faz valer seus ideais a beleza pura dos seus rituais


Vem a Lua de Luanda

Para iluminar a rua                                 (bis)

Nossa sede é nossa sede

De que o "apartheid" se destrua
Valeu!"

Uma ode à luta do movimento negro e dos movimentos sociais contra o racismo e a exploração. 

Basf e Rosa Magalhães
Todavia, quis o destino que esta história se imantasse com as energias da escuridão e do conservadorismo. Veio o patrocínio da Basf, Ínsumos Agrícolas - empresa multinacional, processada por trabalhadores, como observamos no link: TST discute indenização a trabalhadores da Basf e Shell contaminados, e produtora de agrotóxicos, defensivos agrícolas. 
Na goela da "Vila" foi empurrado o enredo: "A Vila canta o Brasil, celeiro do mundo - Água no feijão que chegou mais um".  Nada de MST, comunidades remanescentes de quilombo, ou a luta dos povos indígenas por suas reservas, cantou-se as realizações do agronegócio, sua pujança e poder. A comissão de frente apresentou felizes fazendeiros a partilhar o anarriê das quadrilhas francesas, tão forte em solo nacional. Esqueceu-se o jongo, o caxambu, a congada, o reizado, a folia de reis e tantas outras manifestações campesinas. Desprezou-se Francisco Julião e  João Pedro Stédile, lembramos Roberto Rodrigues.
Para artífice desta construção contratou-se a mais conservadora das carnavalescas: Rosa Magalhães. Com seu estilo pomposo e barroco deu o contorno esperado pelas hostes reacionárias ao enredo. Ah! Que belos girassóis! 

A amargura de Martinho
Entretanto, nada foi mais triste, do que perceber o desconforto e a amargura estampada no rosto de Martinho, um corpo ausente da apuração. Seus olhos estavam mortos, doloroso presente para seus 75 anos de vida. Talvez pensasse, poderia ter gritado mais, poderia não ter parceria no samba, poderia não ter desfilado, mas pouco adiantaria, o mal já estava feito.

O capital agrário internacional
O capital agrário internacional precisava dar mais uma demonstração de força. Sua dança, sua música, seus rítmos e sua cultura emolduram as cidades. O Brasil se desindustrializa a olhos vistos. A China avança sem delongas. Voltamos ao século XIX, de novo raciocinamos como "celeiro do mundo" e assim nos querem. A "Vila" de Martinho é apenas mais um instrumento. Há vitórias que soam muito mais como derrotas e esta foi uma dessas.



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

País tem o homicídio como principal causa de morte entre jovens

Esta matéria se conecta com outra, UPP: dispara o número de jovens pegos com drogas. O fato é que, mesmo em em áreas "dominadas" pelo poder público a realidade social carece de mudanças mais rápidas. A presença policial por si só, apenas maquia a situação dramática vivida por expressivas parcelas da população. Os casebres de tijolos e laje, outrora  alvejados e ainda distinguidos pelos furos da morte, desvendam um mundo cruel, onde o capital, em sua busca insana por acumulação continua a fazer suas vítimas preferenciais.

Fonte: brasildefato

Com baixa expectativa de vida, jovens negros são as principais vítimas do país


Viviane Tavares,
do Rio de Janeiro (RJ)


Operação policial na favela de Antares, na zona oeste do Rio de Janeiro
Foto: Frame/Folhapress
Em quase todos os países, assim como no Brasil, as principais causas de mortes entre as pessoas são doenças como as cardíacas, isquêmicas, acidentes vasculares cerebrais, câncer, diarreias e HIV. Mas outro fator vem ganhando as primeiras posições nas últimas décadas: o da violência. Segundo dados da Vigilância de Violências e Acidentes do Sistema Único de Saúde (Viva SUS 2008-2009), o homicídio tem ficado em terceiro lugar do ranking de causas de mortes dos brasileiros e, estratificando-se pela faixa etária de 1 a 39 anos, este número alcança a primeira posição.
Ratificando este índice, de acordo com a pesquisa Global Burden of Disease (GBD) – Carga Global de Doença, em português, publicada neste mês pela revista inglesa The Lancet e organizada pela Universidade de Harvard, dos Estados Unidos, o Imperial College, de Londres, e a Organização Mundial da Saúde (OMS), o fator violência é apontado como a principal causa de mortes entre jovens no Brasil e Paraguai. Entre os países da América Latina, a Argentina, Chile e Uruguai têm os assassinatos em 12ª colocação, enquanto na Europa Ocidental, que inclui países como Inglaterra, França e Espanha, as mortes violentas ficam em 50ª lugar.
Dados nacionais desenvolvidos pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o Observatório de Favelas e o Laboratório de Análise da Violência (LAV-Uerj) e divulgados no mês de dezembro de 2012 destacam a parte deste número de homicídios que acontece ainda na adolescência. De acordo com o Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), criado em 2007 por estas instituições, o número de mortes entre jovens de 12 a 18 anos vem aumentando ao longo do tempo. Para cada mil pessoas nesta faixa etária, 2,98 é assassinada. O índice em 2009 era de 2,61. Este índice representa cerca de 5% dos casos de homicídio geral. Entre as principais causas de homicídio está o conflito com a polícia. E o estudo aponta uma expectativa não muito animadora: até 2016 um total de 36.735 adolescentes poderão ser vítimas de homicídio.
Para Luiz Eduardo Soares, cientista político e especialista em segurança pública, esse quadro já não é novidade para quem estuda o assunto, mas traz uma reflexão urgente. “Há 20 anos estamos vendo este cenário se repetir. E é isso que o torna cada vez mais grave porque sabemos quem são as vítimas, mas não somos capazes de ajudá-las, de reverter estas estatísticas”, lamenta.
Doriam Borges, do LAV-Uerj e um dos responsáveis pelo levantamento do IHA, explica que o índice de homicídios entre os jovens expressa a metamorfose que a violência vem sofrendo ao longo do tempo. “Nas décadas de 1960 e 1970, a violência era caracterizada por assalto a bancos e, embora houvesse homicídio e latrocínio, o número era menor. Atualmente, o tráfico de drogas nacional e internacional foi ganhando força no país, mas o que é mais relevante é o aumento do tráfico de armas e a facilidade de acesso a estes instrumentos”, explica.

Rio inaugura escola pública sem salas, turmas ou séries

Fonte: ponto.outraspalavras


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Na Rocinha, Ginásio Experimental de Novas Tecnologias agrupa alunos em equipes, define estratégias individuais de aprendizado, eleva professores à condição de orientadores e tem jornada integral
Por Patrícia Gomes, no Porvir
O Rio de Janeiro começa, nas próximas semanas, a experimentar um novo tipo de escola. Nada de séries, salas de aula com carteiras enfileiradas e crianças ordenadamente caminhando pelo espaço comum. A aposta para dar a 180 crianças e jovens da Rocinha uma educação mais alinhada com o século 21 é o Gente, acrônimo para Ginásio Experimental de Novas Tecnologias, na escola Municipal André Urani. O espaço, que acaba de ser totalmente reformulado para comportar a nova proposta, perdeu paredes, lousas, mesas individuais e professores tradicionais e ganhou grandes salões, tablets, “famílias”, times e mentores.
Não houve pré-seleção. Os alunos que farão parte dessa nova metodologia já são os matriculados na escola antes da reforma. Mas agora as antigas séries serão extintas e não haverá mais as salas de aula tradicionais, com espaço para 30 e poucos alunos. Em vez disso, os jovens – que estariam entre o 7o e 9o anos – serão agrupados em equipes de seis membros, chamadas de “famílias”, independentemente de sua série de origem. A formação das famílias ocorrerá em parte por afinidade, a partir da escolha dos próprios membros, e em parte a pelo diagnóstico de habilidades ao qual os alunos se submeterão no início do ano letivo.
Essa avaliação, que ocorre assim que eles chegarem ao Gente, pretende fazer um raio-x do estado da aprendizagem de cada um, tanto do ponto de vista do conteúdo tradicional quanto das habilidades não cognitivas, como comunicação, senso crítico, autoria. Cada aluno terá um itinerário de aprendizado pessoal, que funciona como uma espécie de playlist, só que em vez de músicas, estarão os pontos que ele precisa aprender ou desenvolver. Será o jovem o responsável por escolher a forma como o conteúdo lhe será entregue – videoaulas, leituras, atividades individuais ou em grupo. Todas as semanas os alunos serão avaliados na Máquina de Testes, um programa inteligente que propõe questões de diferentes níveis de dificuldade, para garantir a evolução no conteúdo. Quando ele não chegar ao resultado esperado, o jovem receberá uma atenção individualizada.
Tal atenção é de responsabilidade do mentor da família, o professor. Cada mentor será responsável por três famílias, que reunidas serão chamadas de equipe. “O mentor deve dar uma educação mais ampla, preocupada não só com os conteúdos tradicionais, mas com higiene, com aspectos socioemocionais do aluno, com a motivação dele”, diz Rafael Parente, subsecretário de novas tecnologias educacionais da Secretaria Municipal de Educação do Rio, explicando a mudança no papel do professor naquele contexto. Em vez de dar aula de português ou matemática, o mentor vai ajudar o aluno a encontrar a informação de que precisa para entender o conteúdo, mesmo que o assunto não seja o da sua formação.
Assim, explica Parente, se um professor de língua portuguesa precisar explicar um assunto mais específico de matemática, ele deve pedir ajuda para membros da família, se sentar com o aluno para assistir à videoaula da Educopedia com ele, tentar aprender junto. “O professor não vai ser mais aquele que transmite o conhecimento. Ele vai ser especialista na arte de aprender”, diz o subsecretário. O grupo de mentores que fará parte do Gente foi treinado para essa nova forma de lecionar.
Todos os dias, ao chegarem à escola, os alunos passarão por um momento de acolhida, em que compartilharão com seus pares experiências e expectativas para o dia. A jornada na escola é integral. Neste tempo, com o auxílio de seu itinerário e a liderança do tutor, cada um deverá decidir o que e em que ordem estudar e poderá, à livre escolha, se juntar a grupos de estudo de língua estrangeira, robótica, esportes, artes, desenvolvimento de blogs. É nesse momento que uma pergunta inevitável aparece: mas se o aluno não quiser fazer nada, ele não vai fazer nada, certo? Mais ou menos. Os mentores, explica Parente, estarão sempre por perto para motivar os alunos a avançarem, as avaliações mostrarão quem está ficando para trás e os integrantes da família – o tal grupo de seis – também deve incentivar uns aos outros. “Quando o aluno é protagonista do próprio aprendizado, faz suas escolhas, ele se envolve mais, se empolga mais com a escola.”
A tecnologia é outro fator importante na forma como o projeto foi organizado. Para que os alunos possam escolher entre ambiente virtual ou presencial, era preciso que todos os alunos tivessem acesso a equipamentos e internet. Por isso, cada aluno terá o seu tablet ou netbook e, quando for pedagigocamente justificável, vai poder levá-lo para casa. Todas as dependências do André Urani terão internet sem fio de alta velocidade.
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