Blog comprometido com as mais diversas lutas sociais do planeta, particularmente, o que diz respeito a luta pelo socialismo, a ampliação do uso dos software livre Gnu/Linux na busca pela expansão de nossa inteligência coletiva e da cultura livre, além da batalha pela melhoria das condições de vida da população brasileira, sobretudo, do povo negro.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Encontro De 23 maio no RJ com presidente FCP sobre editais para cultura negra

Paulinho Sacramento  27/05/2013  FACEBOOK
Pretos Velhos SIM! Negros contemporâneos também!

Olá galera! Realmente não tinha como não expressar meu sentimento, depois de uma conturbada tarde do dia 23 de maio. Demorei uns dias pra escrever por conta de uma viagem de trabalho e o tempo apertou.

Com o sentimento de dever não cumprido preso no peito, seguidos de algumas horas investidas do meu tempo, por conta de uma convocação para uma discussão que literalmente incluia meu futuro e de muitos outros que por aqui estão.

Cheguei ao local marcado no encontro as 15:27 Horas, atrasado 27 minutos e super agoniado de ter perdido alguma idéia importante, de alguém interessante, para tal ação que iria ser articulada. Acho que quase todos aqui sabem do que estou falando e o motivo do encontro.

No início achei que iríamos ter uma grande articulação, a lista era gigante, todos queriam falar, achei ótimo, mas após algumas horas de espe ra para poder dizer o que penso, percebo que a maioria das pessoas que fazem seu discurso vão embora, não dando voz a quem ficou e lhes ouviu, dando pareceres do tipo: Já dei o meu recado, fica a dica e quem ficar por último que apague a luz sozinho… Ou seja, pelo andar da carroagem o último a falar teria as cadeiras vazias como platéia.

Não acharia tão ruim, se o que estivesse sendo dito, fosse levado em conta o real problema que hoje estamos passando, mas não, aconteceu o que na maioria das vezes acontece em encontros do tal "movimento negro" no Rio de Janeiro… uma guerra de egos e uma imensa palestra com sua platéia já cansada de ouvir a mesma coisa, percebi quando dei conta que algumas pessoas cochilavam em suas cadeiras, acostumadas a presenciar os insultos de sempre… nem vou levar em conta o depoimento de um cidadão que chegou a oferecer oficinas de shiatsu, um outro que citou religião como ferramenta de mudança e um distinto que teve a ousadia de dizer que deveríamos ficar plantados em frente ao monumento de Zumbi dos Palmares e João Cândido, aguardando pessoas pra conversar e possivelmente criar um "galerão", além de palmas ao vento e uma grande quantidade de risadas...

Ao mesmo tempo percebo que toda essa energia desperdiçada tem um único objetivo: receber diplomas, moções honrosas, medalhas, entrar pra alguma galeria ou secretaria e quem sabe chegar a Brasília pra criar ementas, sem falar na prática de contra-partida" que o "movimento negro" costuma fazer nas últimas décadas, que é dar condecorações para os que continuam sentados em cima de uma tal maleta premiada, ou então sendo protagonistas de novela, esse, denominado sonho de consumo de quase todos os artistas do território nacional.

Estou cansado de ouvir nossa galera se auto denominar africana… somos Brasileiros, nosso passaporte é verde, nossa identidade é expirada pelo DETRAN e ponto final! Sentimen to é outro papo! Quem quiser continuar com esse papinho que pegue um avião e se mude pra Africa, pois aqui em nosso país a história é outra.

Estou cansado de ter meu trabalho questionado, só por que estudo 3 Dimensões, cinema e tecnologia, não uso roupa africana e não cito a feijoada… minha pele é preta, não sou cego, nasci em Bonsucesso, fui camelô e minhas atitudes falam por mim, já basta… Não preciso fazer capoeira, posso fazer karatê, pois minha pele é negra. Onde está escrito que pra ser negro tem que ter trabalho direcionado as questões raciais? Bem pior a atitude farsante de muitos tais "intelectuais engravatados gênios de boteco" que ganham verbas públicas falando sobre o assunto racial, somente como assunto que rende dinheiro e não como objetivo de diretriz pessoal. Onde estão os políticos negros? Onde eles moram e o que fazem em suas cadeiras parlamentares?

Estou cansado de ver os mesmos negros de bata e gravata co ntando as mesmas "kaôzadas" em época de alguma eleição, seja na política, sindicato ou secretaria, sempre jogando o negro como pobre coitado, apoiado em discurso de cor da pele ou questão social, mandando email pedindo voto, apertando a mão de todo mundo pela rua, distribuíndo caldinho de feijão com cachaça, ou mandando coroa de flores pro próximo morto da lista, torcendo pra ser o último da fila para que o mesmo possa se colocar como REI da RAZÃO E DONO DA HISTÓRIA.

Estou cansado de assistir as remoções absurdas em várias partes do estado onde moro, crianças negras jogadas pelo chão, jovens negros assassinados em toneladas conforme dados da Anistia Internacional que divulgou no dia 22 (segunda-feira), um relatório no qual afirma que os jovens negros são de forma desproporcional as principais vítimas de violência.

Estou cansado de ver as cadeias super lotadas, artistas deprimidos, farsas políticas, e, ao mesmo tempo ver o "movi mento negro" parado, com um ego super inflado e em busca do título do "quem sabe mais sou eu", escrevendo livros pra mesma meia dúzia de sempre, que distribui prêmios e aquelas placas de metal feitas na Uruguaiana, que simbolizam "Honra ao Mérito". Chega de se juntar pela metade quando se perde algo, já passou da hora de nos encontrarmos por inteiro pra discutir ações que tenham resultado. O edital que foi cancelado teve quase 2 mil inscritos e agora pouco não tínhamos nem a metade desse número de pessoas que assinaram a petição pública contra a suspensão da justiça do edital. O que está acontecendo?

Não consigo enxergar um mínimo movimento de formação de professores (podem me corrigir se eu estiver errado) pra inserção da lei 10639 de 2003, norma que instituiu obrigatoriedade do ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira, assinada pelo presidente Lula no início do seu mandato. Ou seja: Quem sabe o que?". Quem nos representa?
< br /> Já passou da hora de termos um coletivo forte de pensamento e ações, um coletivo jovem que não esqueça o passado, mas que se concentre e entenda o presente, para construir um futuro promissor direcionado por aplicativos, com uma utilização inteligente da internet, com um polo organizado de discussões via web, criando espaços virtuais através de encontros organizados, se formando e informando a distância, criando suas páginas e colocando pro mundo o seu pensamento, se comunicando por holograma e organizando a nossas ações e nossa história "on-linemente".

A escrita já está com seus dias contados, em pouco tempo ninguém vai mais escrever ou assinar papel. Precisamos entender e aceitar a velocidade do mundo e quem não aceitar que peça pra ele parar e desce, pois o "bonde" não vai parar. E para os resistentes de plantão, vou adorar ouvir outras alternativas.

Nossa molecada está nascendo com celular na mão e tablet na mochila , o mundo não é mais o mesmo e todos sabem disso, precisamos já mudar a forma de manter o passado vivo e uma primeira alternativa é fugir desse mecanismo de pensamento falido que se instaurou e está provado que não funciona.

Estamos falando de FUTURO, não temos pra onde correr e se continuarmos com o romantismo do papel de carta, em breve seremos exterminados mesmo presentes de corpo e alma, pregados na cadeira do ego, dentro de casa e oprimidos assistindo BBB na TV de Led de 40 polegadas e virando discussão de mestrado da PUC.

Precisamos de Ação e não pode ser orquestrada, não pode ser política e não pode ser religiosa! Se não criarmos uma estratégia nossa, seremos parte da estratégia de alguém.

Sou carioca, Brasileiro, artista visual, cineasta, ex-camelô, amante de dobradinha e feijoada, torcedor do Bonsucesso Futebol Clube, sangue bom e aproveito pra reafirmar que com excessão do meu parceiro Cobrinha que sempre grit a quando é necessário, nenhum dos negros que estão hoje na política brasileira me representa!

Pretos Velhos SIM! Negros contemporâneos também!

Abaixo o link do meu site com todos meus contatos.

Noix por Noix!
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paulinho sacramento, vídeomaker, artista visual e músico HOME , Videomaker, Artista visual e músico,foi coordenador da área de vídeo do Circo Voador – Lapa/ RJ e lá registrou shows de importantes artistas como Caetano Veloso

Polêmica sobre Inserção no CV Lattes da Pergunta Relativa a Raça ou Cor do/a Pesquisador/a.

Lilia Schwarcz
Professora Titular Departamento de Antropologia da USP e Global Scholar (Princeton)
Maria Helena P. T. Machado
Professora Titular, Departamento de História da USP

Caros colegas da comunidade acadêmica,

Tem causado polêmica a novidade da inserção  no CV Lattes da pergunta relativa a raça ou cor do/a pesquisador/a. Nosso objetivo é, mais uma vez, incentivar o debate em nossa comunidade e tentar avançar algumas questões envolvidas tanto na introdução do quesito, como na reação que ele vem causando.
Em primeiro lugar, cabe considerar que as opções constante deste item estão perfeitamente de acordo com os parâmetros da auto atribuição que vêm norteando a adoção das políticas públicas de inclusão racial no Brasil dos últimos anos. Além disso, queremos destacar, que, embora a resposta ao quesito seja obrigatória, há opção para o pesquisador que não queira assim se caracterizar, responder à última alternativa, “não desejo declarar”, resguardando dessa maneira a liberdade daqueles que não concordam com a implementação de um política de delimitação do perfil sócio-racial do pesquisador brasileiro.
Mas vamos à questão de fundo. Muitos estudiosos têm destacado, acertadamente, o fato de raça não ser um conceito cientificamente válido. Em nosso entender não há dúvidas a esse respeito. No entanto, tal constatação não pode eliminar a realidade de uma sociedade brasileira altamente racializada em suas práticas cotidianas e inclusive no que tange o acesso ao ensino superior e à pesquisa científica. Julgamos, assim, que ao lado das investigações que revelam as falácias de um modelo que usou raça de maneira essencial e ontológica (e por isso gerou a prática de determinismos e racismos políticos de toda ordem), é hora de avaliarmos como o desacreditado conceito, baseado em assertivas biológicas faz muito ultrapassadas, continua sendo reatualizado e opera socialmente. Se não existem raças – apenas uma, a humana --, no nosso dia a dia raça surge como um potente marcador social de diferença, delimitando  hierarquias sociai s, culturais e econômicas.
Vale, pois, perguntar se devemos exclusivamente criticar o uso canônico do termo, ou se seria importante, igualmente, analisarmos as implicações cotidianas e recorrentes da utilização da categoria raça na prática social, considerando, principalmente a  maneira como esta se inscreve em nossa realidade e, em particular, no contexto universitário brasileiro. Entendido dessa maneira, o termo continua válido e seria preciso avaliar as decorrências da “raça após o racismo”. Falar de raça não significa, em nosso entender, instaurar o racismo ou racializar o cotidiano, o qual, aliás, já se encontra racializado. Falar de raça implica enfrentar o problema sem eufemismos, desvelando  as práticas discursivas que pretendem não dizer, dizendo.
            O conjunto crítico de livros, ensaios, artigos que faz tempo vêm mostrando o lado perverso do conceito biológico de raça, cumpriu e cumpre um papel fundamental no sentido de trazer de volta valores básicos como o universalismo e o humanismo. É por isso que, contando com esses ganhos -- com os quais concordamos e nos associamos --, quem sabe seja o momento de descer também à lógica do particular, das negociações políticas, dos discursos do senso comum que se convertem em práticas tão influentes aquelas desmontadas pelas pesquisas que desnudaram, sem pejas, os perigos do racismo científico. Hoje falamos de novas formas de  racismo: o social, o político, aquele que se inscreve nas formas de discriminação mais cotidianas.
Mas voltemos ao documento em pauta. Segundo o CNPQ, a adoção do quesito cor/raça encontra-se embasado na Lei 12.228, de 20 de julho de 2010, que instituiu o “Estatuto da Igualdade Racial”, cujo objetivo é combater todas as formas de exclusão e discrimação racial ainda vigentes em nosso país. Tal estatuto, vem corroborando outros esforços e ações públicas, especificamente voltadas para a inclusão universitária, na forma do sistema cotas adotado pelas universidades federais, entre outras políticas de inclusão. A iniciativa do CNPQ vem, pois, na esteira destas políticas e pretende utilizar tais dados como base para a elaboração futura de políticas científicas de inclusão sócio-racial.
Na página da Instituição consta também que a informação sobre raça será para “uso interno” do CNPq.  Por um lado, fica subentendido que tal dado não será exibido no currículo acessado publicamente, o que significa que não se pretende misturar, na esfera pública, a produção docente com esse tipo de caracterização. Aliás, de maneira coerente o CNPQ também não divulga dados pessoais, como endereço e  cpf. Por outro lado, é preciso indagar como esse tipo de informação será efetivamente aproveitado. Enfim, é de interesse da comunidade tomar a “novidade” não como resultado, mas como parte de um processo,  cabendo a nós, pesquisadores, o papel de interpelar a Instituição sobre os usos desses dados.
De toda maneira, e em nossa compreensão, não nos parece que o objetivo do CNPQ seja incentivar a radicalização do debate, mas antes iluminar uma cena e evidenciar processos de discriminação facilmente observados por todos aqueles que adentram nossos campi  universitários. Não é segredo para ninguém, que o pesquisador/a brasileiro/a é majoritariamente branco e, por conseguinte, que os quadros de docentes de nossas universidades estão compostos igualmente, e também majoritariamente, por homens e mulheres brancos. É passível de mérito, portanto, que esse tipo de evidência seja veiculada de maneira aberta, e debatida no contexto de nossas políticas públicas, para que a comunidade acadêmica brasileira possa refletir acerca das demandas de uma sociedade cidadã, atenta às desigualdades e cada vez mais avessa aos preconceitos.
Cientista que somos, é nosso mister produzir pesquisas e dados que possam deixar mais transparentes o perfil econômico, social e porque não racial de nossa comunidade estendida. Não se atropelam iniciativas que visam a melhor conscientização, estudo e compreensão de nossa sociedade, antes que elas possam minimamente mostrar suas potencialidades. Desautorizar pesquisas é, à sua maneira, um gesto de obscurantismo. Abertas como são, as investigações, aí sim, poderão se transformar em matéria de análise, escrutínio e avaliação crítica.
Tendo em vista tais argumentos, nos colocamos a favor da iniciativa do CNPQ que incluiu o critério racial/ cor na definição do perfil do pesquisador/a brasileiro/a. Esperamos que a oportunidade retorne à comunidade acadêmica sob a forma de novos desafios pautados em informações e dados eticamente comprometidos com a pesquisa científica sobre o perfil do/a pesquisador/a, da comunidade acadêmica e sobre políticas públicas de inclusão social.
Lilia Schwarcz
Professora Titular Departamento de Antropologia da USP e Global Scholar (Princeton)
Maria Helena P. T. Machado
Professora Titular, Departamento de História da USP
 
 
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Vanicléia Silva Santos
Profa. História da África
Departamento de História - FAFICH 
Universidade Federal de Minas Gerais

domingo, 26 de maio de 2013

A questão da vinda dos médicos cubanos para o Brasil


Do blog do Nassif




Olá Nassif, sou médico e gostaria de opinar sobre a gritaria em relação à vinda dos médicos cubanos ao Brasil. Bom, como opinião inteligente se constrói com o contraditório, vou tentar levantar aqui algumas informações sobre a vinda de médicos cubanos para regiões pobres do Brasil que ainda não vi serem abordadas.
– O principal motivo de reclamação dos médicos, da imprensa e do CFM seria uma suposta validação automática dos diplomas destes médicos cubanos, coisa que em momento algum foi afirmado por qualquer membro do governo. Pelo contrário, o próprio ministro da saúde, Antônio Padilha, já disse que concorda que a contratação de médicos estrangeiros deve seguir critérios de qualidade e responsabilidade profissional. Portanto, o governo não anunciou que trará médicos cubanos indiscriminadamente para o país. Isto é uma interpretação desonesta.
– Acho estranho o governo ter falado em atrair médicos cubanos, portugueses e espanhóis, e a gritaria ser somente em relação aos médicos cubanos. Será que somente os médicos cubanos precisam revalidar diploma? Sou médico e vivo em Portugal, posso garantir que nos últimos anos conheci médicos portugueses e espanhóis que tinham nível técnico de sofrível para terrível. E olha que segundo a OMS, Espanha e Portugal têm, respectivamente, o 6º e o 11º melhores sistemas de saúde do mundo (não tarda a Troika dar um jeito nesse excesso de qualidade). Profissional ruim há em todos os lugares e profissões. Do jeito que o discurso está focado nos médicos de Cuba, parece que o problema real não é bem a revalidação do diploma, mas sim puro preconceito.
– Portugal já importa médicos cubanos desde 2009. Aqui também há dificuldade de convencer os médicos a ir trabalhar em regiões mais longínquos, afastadas dos grandes centros. Os cubanos vieram estimulados pelo governo, fizeram prova e foram aprovados em grande maioria (mais à frente vou dar maiores detalhes deste fato).
A população aprovou a vinda dos cubanos, e em 2012, sob pressão popular, o governo português renovou a parceria, com amplo apoio dos pacientes. Portanto, um dos países com melhores resultados na área de saúde do mundo importa médicos cubanos e a população aprova o seu trabalho.
– Acho que é ponto pacífico para todos que médicos estrangeiro tenham que ser submetidos a provas aí no Brasil. Não faz sentido importar profissionais de baixa qualidade. Como já disse, o próprio ministro da saúde diz concordar com isso. Eu mesmo fui submetido a 5 provas aqui em Portugal para poder validar meu título de especialista. As minhas provas foram voltadas a testar meus conhecimentos na área em que iria atuar, que no caso é Nefrologia. Os cubanos que vieram trabalhar em Medicina de família também foram submetidos a provas, para que o governo tivesse o mínimo de controle sobre a sua qualidade.
Pois bem, na última leva, 60 médicos cubanos prestaram exame e 44 foram aprovados (73,3%). Fui procurar dados sobre o Revalida, exame brasileiro para médicos estrangeiros e descobri que no ano de 2012, de 182 médicos cubanos inscritos, apenas 20 foram aprovados (10,9%). Há algo de estranho em tamanha dissociação. Será que estamos avaliando corretamente os médicos estrangeiros?
Seria bem interessante que nossos médicos se submetessem a este exame ao final do curso de medicina. Não seria justo que os médicos brasileiros também só fossem autorizados a exercer medicina se passassem no Valida? Se a preocupação é com a qualidade do profissional que vai ser lançado no mercado de trabalho, o que importa se ele foi formado no Brasil, em Cuba ou China?
O CFM se diz tão preocupado com a qualidade do médico cubano, mas não faz nada contra o grande negócio que se tornaram as faculdades caça-níqueis de Medicina. No Brasil existe um exército de médicos de qualidade pavorosa. Gente que não sabe a diferença entre esôfago e traqueia, como eu já pude bem atestar. Porque tanto temor em relação à qualidade dos estrangeiros e tanta complacência com os brasileiros?
– Em relação este exame de validação do diploma para estrangeiros abro um parêntesis para contar uma situação que presenciei quando ainda era acadêmico de medicina, lá no Hospital do Fundão da UFRJ.
Um rapaz, se não me engano brasileiro, tinha feito seu curso de medicina na Bolívia e havia retornado ao país para exercer sua profissão. Como era de se esperar, o rapaz foi submetido a um exame, que eu acredito ser o Revalida (na época realmente não procurei me informar). O fato é que a prova prática foi na enfermaria que eu estava estagiando e por isso pude acompanhar parte da avaliação.
Dois fatos me chamaram a atenção, o primeiro é a grande má vontade dos componentes da banca com o candidato. Não tenho dúvidas que ele já havia sido prejulgado antes da prova ter sido iniciada. Outro fato foi o tipo de perguntas que fizeram.
Lembro bem que as perguntas feitas para o rapaz eram bem mais difíceis que aquelas que nos faziam nas nossas provas. Lembro deles terem pedidos informações sobre detalhes anatômicos do pescoço que só interessam a cirurgiões de cabeça e pescoço. O sujeito que vai ser médico de família, não tem que saber todos os nervos e vasos que passam ao lado da laringe e da tireoide. O cara tem que saber tratar diarreia, verminose, hipertensão, diabetes e colesterol alto. Soube dias depois que o rapaz tinha sido reprovado.
Não sei se todas as provas do Revalida são assim, pois só assisti a uma, e mesmo assim parcialmente. Mas é muito estranho os médicos cubanos terem alta taxa de aprovação em Portugal e pouquíssimos passarem no Brasil. Outro número que chama a atenção é o fato de mais de 10% dos médicos em atividade em Portugal serem estrangeiros. Na Inglaterra são 40%. No Brasil esse número é menor que 1%. E vou logo avisando, meu salário aqui não é maior do que dos meus colegas que ficaram no Brasil.
– Até agora não vi nem o CFM nem a imprensa irem lá nas áreas mais carentes do Brasil perguntar o que a população sem acesso à saúde acha de virem 6000 médicos cubanos para atendê-los. Será que é melhor ficar sem médico do que ter médicos cubanos? É o óbvio ululante que o ideal seria criar condições para que médicos brasileiros se sentissem estimulados a ir trabalhar no interior. Mas em um país das dimensões do Brasil e com a responsabilidade de tocar a medicina básica pulverizada nas mãos de centenas de prefeitos, isso não vai ocorrer de uma hora para outra.
Na verdade, o governo até lançou nos últimos anos o Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab), que oferece salários mensais de R$ 8 mil e pontos na progressão de carreira para os médicos que vão para as periferias. O problema é que até hoje só 4 mil médicos aceitaram participar do programa. Não é só salário, faltam condições de trabalho. O que fazemos então? Vamos pedir para os mais pobres aguentar mais alguns anos até alguém conseguir transformar o SUS naquilo que todos desejam? Vira lá para a criança com diarreia ou para a mãe grávida sem pré-natal e diz para ela segurar as pontas sem médico, porque os médicos do sul e sudeste do Brasil, que não querem ir para o interior, acham que essa história de trazer médico cubano vai desvalorizar a medicina do Brasil.
– É bom lembrar que Cuba exporta médicos para mais de 70 países. Os cubanos estão acostumados e aceitam trabalhar em condições muito inferiores. Aliás, é nisso que eles são bons. Eles fazem medicina preventiva em massa, que é muito mais barata, e com grandes resultados. Durante o terremoto do Haiti, quem evitou uma catástrofe ainda maior foram os médicos cubanos. Em poucas semanas os médicos dos países ricos deram no pé e deixaram centenas de milhares de pessoas sem auxílio médico.
Se não fosse Cuba e seus médicos, haveria uma tragédia humanitária de proporções dantescas. Até o New England Journal of Medicine, a revista mais respeitada de medicina do mundo, fez há poucos meses um artigo sobre a medicina em Cuba. O destaque vai exatamente para a capacidade do país em fazer medicina de qualidade com recursos baixíssimos (http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMp1215226).
– Com muito menos recursos, a medicina de Cuba dá um banho em resultados na medicina brasileira. É no mínimo uma grande arrogância achar que os médicos cubanos não estão preparados para praticar medicina básica aqui no Brasil. O CFM diz que a medicina de Cuba é de má qualidade, mas não explica por que a saúde dos cubanos, como muito menos recursos tecnológicos e com uma suposta inferioridade qualitativa, tem índices de saúde infinitamente melhores que a do Brasil e semelhantes à avançada medicina americana (dados da OMS).
– Agora, ninguém tem que ir cobrar do médico cubano que ele saiba fazer cirurgia de válvula cardíaca ou que seja mestre em dar laudos de ressonância magnética. Eles não vêm para cá para trabalhar em medicina nuclear ou para fazer hemodiálises nos pacientes. Medicina altamente tecnológica e ultra especializada não diminui mortalidade infantil, não diminui mortalidade materna, não previne verminose, não conscientiza a população em relação a cuidados de saúde, não trata diarreia de criança, não aumenta cobertura vacinal, nem atua na área de prevenção. É isso que parece não entrar na cabeça de médicos que são formados para serem superespecialistas, de forma a suprir a necessidade uma medicina privada e altamente tecnológica. Atenção! O governo que trazer médicos para tratar diarreia e desidratação! Não é preciso grande estrutura para fazer o mínimo. Essa população mais pobre não tem o mínimo!
Que venham os médicos cubanos, que eles façam o Revalida, mas que eles sejam avaliados em relação àquilo que se espera deles. Se os médicos ricos do sul maravilha não querem ir para o interior, que continuem lutando por melhores condições de trabalho, que cobrem dos governos em todas as esferas, não só da Federal, melhores condições de carreira, mas que ao menos se sensibilizem com aqueles que não podem esperar anos pela mudança do sistema, e aceitem de bom grado os colegas estrangeiros que se dispõe a vir aqui salvar vidas.
Infelizmente até a classe médica aderiu ao ativismo de Facebook. O cara lê a Veja ou O Globo, se revolta com o governo, vai no Facebook, repete meia dúzia de clichês ou frases feitas e sente que já exerceu sua cidadania. Enquanto isso, a população carente, que nem sabe o que é Facebook morre à mingua, sem atendimento médico brasileiro ou cubano.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

A “Raça” do Brasil nas telonas

Fonte: palmares

Prestes a estrear nos cinemas, documentário de Joel Zito Araújo apresenta um retrato da promoção da igualdade racial como debate nacional
Cartaz / Divulgação
Drielly Jardim /Assessoria de Comunicação da Fundação Cultural Palmares


O que um senador da República, um cantor e uma ativista quilombola têm em comum? Sem conhecer seus nomes, talvez não seja possível apontar quaisquer semelhança, mas quando somos apresentados às histórias de Paulo Paim, Netinho de Paula e Miúda dos Santos, começamos a compreender que é a luta pelo fim da desigualdade racial no Brasil que os une.
Com esse entendimento fica ainda mais fácil ao assistir o documentário “Raça”, fruto de uma parceria entre o cineasta brasileiro, Joel Zito Araújo, e da documentarista norte-americana Megan Mylan, que estreia nas salas comerciais de cinema no dia 17 de maio.
Ao perceberem que a necessidade de enfrentar o racismo se tornava um debate nacional, Zito e Megan decidiram acompanhar de perto essas três personalidades negras que estão no epicentro da batalha pela igualdade, para captar esse momento histórico.
As filmagens – Foi, então, que as câmeras passaram a registrar o dia a dia do senador Paulo Paim, único negro no Senado Federal e líder na luta por uma legislação pró-igualdade racial; do cantor Netinho de Paula, que se confrontou com a invisibilidade do negro na mídia brasileira e criou a “TV da Gente”; e de Miúda dos Santos, mulher simples do quilombo Linharinho, do norte do Espírito Santo, que luta pela defesa da terra e das tradições quilombolas.
Segundo Joel Zito, foram praticamente cinco anos acompanhando a jornada dos três. “Tínhamos um produtor, Luis Carlos Alencar, que era a nossa antena, era quem nos informava o que estava acontecendo na vida e na agenda deles, alertando para momentos importantes de serem filmados”, ilustra.
Carla OsórioCarla Osório
O cineasta Joel Zito
Ao destacar o que foi mais interessante durante as filmagens, Joel dá a entender que as personalidades, profissões e estilos de vida diferentes dos protagonistas, formam o grande diferencial do filme.
“É inegável que acompanhamos três grandes figuras. Desde o polêmico e energizado Netinho de Paula, até o Senador Paulo Paim com sua incrível capacidade de negociar e de “engolir sapos” para fazer aprovar projetos importantes e, por fim, a Dona Miúda, que com a convivência longa dentro do quilombo do Linharinho nos propiciou a parte mais terna, mais carinhosa e afetiva das gravações”, aponta.
O debate – Para o cineasta, o documentário “Raça” tem valiosas contribuições para a promoção da igualdade racial. Segundo ele, o filme apresenta um importante debate histórico, e de forma equilibrada, cede espaço para que os antagonistas do debate racial também apresentem seus pensamentos e ações. O telespectador vai assistir, por exemplo, o ex-senador Demóstenes Torres e o deputado Onyx Lorenzetti (DEM-RS) defendendo com ardor os seus pontos de vista.
Joel não esconde o desejo de que o filme se torne um instrumento importante para o debate nacional de enfrentamento ao racismo. “E gostaria muito que o ‘Raça’se tornasse relevante para a causa da igualdade racial, para a valorização do povo negro e para o desenvolvimento de uma mentalidade de diversidade no Brasil”, afirma.
Por isso, ele e Megan Mylan firmaram acordo com o  para que toda a renda obtida com a bilheteria do documentário  seja revertida para a entidade, que mobiliza pessoas e recursos no Brasil e no exterior para apoiar projetos pró-equidade racial de organizações afro-brasileiras.
Segundo o cineasta, não havia uma melhor maneira de, além de informar a sociedade e provocar boas discussões, estimular o fortalecimento de um Fundo que ampara projetos pelo fim do racismo no Brasil. “Foi conversando com um amigo de longa data, Athayde Motta e com Iracema Dantas, que entendemos que poderíamos também dar este passo”, conta.
Apesar de ser um dos maiores nomes do cinema brasileiro ao retratar questões raciais e de gênero, Joel não deixa de se surpreender quando o assunto é o sucesso de seu trabalho. Após publicar o pôster do “Raça” na rede social Facebook e obter quase 4 mil compartilhamentos em apenas três dias, o cineasta não esconde que ficou encantado. “Foi totalmente espontâneo. Não foi resultado de nenhuma estratégia”, afirma. “Acho que pode ser um bom sinal de público nas salas de cinema, não é?”.
O público poderá conferir o documentário “Raça” a partir de 17 de maio nas salas de cinema do Espaço Itaú.  Para conferir mais informações sobre o Espaço, acesse: http://itaucinemas.com.br/espaco-itau/
Confira o trailer:

Bonde das Maravilhas, a sexualidade da mulher negra e a hipocrisia nossa de cada dia

Fonte: escrevivencia

‎Hoje, ‎17‎ de ‎maio‎ de ‎2013, ‏‎4 horas atrás | Paula
Há algum tempo, tenho visto algumas repercussões nas redes sociais extremamente ofensivas e incômodas em relação a um grupo de jovens dançarinas do Rio de Janeiro, o chamado Bonde das Maravilhas. As meninas, adolescentes na faixa dos 13 aos 20 anos de idade, vieram a público mostrar o inacreditável. Danças tão cheias de contorcionismos que confesso que a primeira vez que assisti ao vídeo, julguei ser humanamente impossível se equilibrar na nuca para dançar. Tanto que vi outras vezes e, boquiaberta, não conseguia crer, enfim.
Mas o que tem causado tanta polêmica, se assim posso dizer, na mídia, não são os contorcionismos dançantes que as meninas do Bonde das Maravilhas apresentam ao seu público, e sim a estranheza social de ver garotas jovens, bonitas, negras e periféricas dançando e cantando de modo tão singular.
Fiquei a me perguntar por que o ataque ao grupo tem sido tão severo. Por que essa antipatia mordaz às garotas?Bonde do Recalque
Revirei e retirei do fundo do baú alguns grupos que fizeram sucesso com danças sinônimas ao do Bonde, o que não foi tão necessário, pois temos mulheres que dançam funk e põe seus bumbuns pra cima sem causar maiores estranhamentos por parte do público hoje. Mas creio que vale a pena relembrar de alguns.
Suponho que muitos ainda se lembrem do grupo É o Tchan!. O grupo ganhou fama e notoriedade em meados da década de 1990 com danças tão “insinuantes” e “pornográficas” executadas pelas dançarinas Carla Perez e Scheila Carvalho quanto as do Bonde das Maravilhas.
As dançarinas do É o Tchan! seguravam e amarravam o tchan ao seu bel prazer, e nem por isso ninguém as levou ao ministério público. Lembro que Gugu Liberato, no seu antigo programa Domingo Legal, explorou bastante a imagem do grupo e ainda criou um quadro chamado “Banheira do Gugu”, em que mulheres ficavam praticamente nuas em rede nacional e num horário em que as crianças ainda estavam na sala.
Até aqui, ninguém disse nada. Por que será? Perceberam a diferença?
Há também um grupo mais recente de funk, também do Rio de Janeiro, chamado Gaiola das Popozudas, formado só por mulheres e liderado pela funkeira Valesca Popozuda, que trazem a público ritmos dançantes e eivados de insinuações – do tipo “balança o rabo” e “late que eu tô passando” – e nem por isso caiu no desgosto popular. As garotas do referido grupo são mulheres brancas. Elas trazem consigo o patrimônio da cor, o que por si só é um fator extremamente favorável na busca pelos quinze minutos de fama na mídia.
Ah, tem mais uma figurinha cativa. Lembram-se da Gretchen? Lembram o sucesso que ela fez na década de 1980 com o Conga Conga, que inclusive a atual novela das nove remasterizou para a personagem de sua filha, Thammy Miranda? Pois bem, Gretchen ganhou fama e notoriedade com danças insinuantes para a época (afinal, estávamos falando de década de 1980, período em que o Brasil vivia os momentos finais da ditadura). E como os purismos do século XXI condenam o Bonde das Maravilhas, esse é um aspecto que vale lembrar. Não só fama e notoriedade na mídia alavancaram a carreira da cantora e dançarina Gretchen, assim como ela ganhou prêmios e mais prêmios com essa dancinha insinuante e com sonoplastia puramente sexy hot, porque era assim que Gretchen ca ntava. Parecia que estava gozando!Quadradinho e gravidez
Não condeno nenhuma dessas cantoras e/ou dançarinas. Só parto do princípio que minha mãe desde cedo me ensinou: “o pau que dá em Chico tem de ser o mesmo que dá em Francisco”. Se for pra escrachar tem de ser geral, e não fazer o que essa mídia podre e asquerosa está fazendo, dando de cacetada no grupo do Bonde das Maravilhas. E o pior de tudo, é a participação popular de uma gentinha hipócrita nas redes sociais.
E pra não dizer que sou insuportável (porque sou mesmo), a mídia tem jogado pra debaixo do tapete as Panicats, assistentes de palco do Programa Pânico na TV.
Isso sem contar a Anitta, outra jovem cantora de funk que largou a faculdade de administração e um estágio numa transnacional pra seguir seu sonho de virar artista e ficar famosa. Aos vinte anos, ela é sucesso nacional. Sua trajetória artística e história de vida ganharam os louros da Rede Globo, exibido naquela medíocre revista eletrônica semanal.Quadradinho
Ah! E ela sabe dançar o quadradinho, só não o faz, pois tem de parecer fina. Quer dizer que Anitta largou a faculdade pra seguir um sonho de menina, ao tempo que as que são malhadas atualmente são piriguetes, burras e futuras prenhas solteiras? Muito bom. Adoro o contexto em que Anitta se insere, frente à análise que a mídia perfaz.
Difícil levantar esse debate sem trazer à tona os aspectos sociais e raciais imbricados nesse bojo teórico reflexivo que envolve o Bonde das Maravilhas.
Não há como não falar da sexualidade da mulher negra sem atentar aos detalhes sutis que emanam dos ataques ao grupo nas redes sociais. Pois, falar que fazer o quadradinho de oito traz como consequência direta uma barriguinha de nove é o extremo do julgamento que se possa deliberar sobre mulheres jovens negras e moradoras de periferia.
Quadradinho de Grávidas
Afinal, só mulher preta e pobre transa casualmente e engravida nesse país, e ainda por cima tem o sacrilégio de tornar-se mãe solteira? As brancas de classe média e de boas famílias também fazem isso, oras!! Maria Rita, a filha da saudosa musa Elis Regina, transou casualmente sem o menor compromisso que uma mulher branca do nível social que ela representa possa “merecer”, e engravidou duas vezes, diga-se de passagem, de homens diferentes.
Volto à pergunta. Por que ninguém malha Maria Rita? Porque ela é branca, rica, canta MPB e não mora na favela? Ah, e mais, porque fora alfabetizada? Sim, porque fazer quadradinho de oito é impossível já que se fosse quadradinho de oito não seria quadradinho e sim octógono. Total coisa de quem não concluiu sequer o ensino primário. Não é o que proferem por aí? Ou só eu que estou vendo?
Quadradinho Octógono
Ou melhor, as meninas do Bonde “emprenham” cedo porque o único destino de meninas pretas, pobres e faveladas é “abrir o rabo pra parir”, ao tempo que branquinhas de classe média alta, ricas e famosas enfileiram um filho atrás do outro e muitas vezes são mães solteiras porque curtem uma “produção independente”, ou até mesmo porque “são férteis”. Faça-me o favor!
Mulheres brancas de classe média têm filhos “do primeiro e do segundo relacionamentos”. Mulheres pretas e faveladas têm filhos “com um e com outro”. Já perceberam isso?Educação Digna x Quadradinho de oito
Se for pra jogar na masmorra o Bonde das Maravilhas, tratemos de assegurar o mesmo valhacouto para todas as outras que as antecederam nesse processo provocativo e pornográfico.
Não estou deste modo a defender as representações pejorativas que possam surgirBonde das Analfabetas desse movimento musical e a representação que a mulher negra, por sua vez, está cerceada. Só defendo o direito dessa mesma mulher negra não ser condenada por suscitar ações que outras mulheres brancas, ricas e com formação escolar reproduzem sem passar pelo mesmo crivo midiático ao qual se expõe.
No mais, creio que muito ainda se tem para discutir. Isso aqui é só uma provocação.
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Conselho de Medicina tenta impedir vinda de médicos cubanos

Fonte:  senado

Sou totalmente favorável à vinda de médicos cubanos. A grande maioria dos médicos brasileiros têm uma visão distorcida do papel na sociedade. Olham para os doentes vindos de comunidades carentes com desdém, nos hospitais públicos. Veem este espaço como "bico", só querem trabalhar em clínicas, consultórios e hospitais particulares.

Grasielle Castro
O Conselho Federal de Medicina (CFM) entrou, ontem, com uma representação na Procuradoria Geral da República (PGR) exigindo que os ministros da Educação, Aloizio Mercadante; da Saúde, Alexandre Padilha; e das Relações Exteriores, Antonio Patriota, expliquem a decisão de convocar médicos estrangeiros, principalmente de Cuba, para atuar no país sem a necessidade de validar o diploma. Recentemente, Patriota anunciou que o governo firmou um acordo para trazer 6 mil profissionais cubanos. Padilha e Mercadante, porém, frisam que o objetivo é atrair, prioritariamente, médicos de Portugal e da Espanha. Para o CFM, a decisão de isentar os médicos do exame para comprovar se o profissional está apto a atuar no país põe a saúde da população em risco.
O presidente do conselho, Roberto Luiz d’Ávila, acrescenta que, onde há missões semelhantes, como na Venezuela e na Bolívia, os médicos cubanos desertam e acusam esse países de conivência com as condições de trabalho, que consideram análogas à escravidão. “Essa é a primeira medida que estamos tomando, porque já estamos também preparando outras medidas judicias. Até mesmo uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) se, efetivamente, o governo federal insistir nessa sandice, nessa irresponsabilidade de trazer os médicos sem revalidação de diploma para atender o nosso povo”, frisa d’Ávila.
Na opinião dele, a falta de médicos disponíveis para algumas especialidades ou para atuar em regiões mais carentes do país é um problema estrutural, que tem origem na própria formação profissional, nos programas de residência e na falta de uma carreira de Estado que estimule a interiorização.
Ontem, o ministro da Saúde disse que o governo está disposto a esclarecer os fatos. “Esse debate tem que ser transparente”, disse. Padilha lembrou que ele e Mercadante já falaram sobre o tema no Congresso Nacional. “Estamos absolutamente abertos a fazer esse debate amplo e transparente com toda a população do país”, completou. O ministro também criticou a postura do presidente do CFM de chamar profissionais estrangeiros de pseudomédicos. “Um médico brasileiro que presta o exame nos Estados Unidos e não passa deve ser chamado de pseudomédico? Eu acho que não. Também acho que é arrogante chamar profissionais formados em outros países de pseudomédicos.”
Colaborou Julia Chaib

Frase
“Já estamos também preparando outras medidas judicias, até mesmo uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) se, efetivamente, o governo insistir nessa sandice”
Roberto Luiz d’Ávila, presidente do Conselho Federal de Medicina
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