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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Solução para instalação da placa wifi rtl8723be no Elementary Os Luna e Freya


Em primeiro lugar devemos atualizar o kernel.
No caso do Elementary Os Luna, atualizei o kernel com o seguinte comando no terminal:
sudo apt-get install linux-generic-lts-saucy


No caso do Elementary Os Freya, atualizei o kernel com o seguinte comando no terminal:
sudo apt-get install linux-generic-lts-trusty

Depois usei a solução proposta no link: https://bugzilla.kernel.org/show_bug.cgi?id=83641#c1
Abri o terminal, e digitei:
sudo apt-get install linux-headers-generic build-essential git


Também no terminal digitei os comandos abaixo:
git clone http://github.com/lwfinger/rtlwifi_new.git
cd rtlwifi_new
make
sudo make install

Depois dê um boot e a placa wifi rtl8723be deve funcionar.
Esta versão do driver funcionou com os Kernels 3.13, 3.16 e 3.18.

Para evitar intermitência na conexão, adicionei os seguintes parâmetros, editando o arquivo /etc/modprobe.d/rtl8723be.conf.
No terminal digitei:
sudo gedit /etc/modprobe.d/rtl8723be.conf e adicionei os parâmetros - options rtl8723be fwlps=0 swlps=0.


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

A importância de Abdias do Nascimento para a história do Brasil

Fonte:  brasildefato





Abdias incluiu questões de interesse para a população negra nas grandes discussões nacionais. Seu legado permanece vivo alimentando nossa luta.
10/11/2014
Por Gabriel Rocha
Abdias do Nascimento certamente figura entre as personagens de grande importância na luta histórica dos negros no Brasil, tal qual Luiz Gama, José do Patrocínio, Manuel Querino, José Correia Leite, Carolina de Jesus, Clóvis Moura, Wilson Nascimento Barbosa, Cuti, Beatriz Nascimento, Milton Barbosa, Ney Lopes, Sueli Carneiro, Kabengele Munanga, citando apenas alguns nomes.
No ano de seu centenário podemos fazer um balanço de sua atuação militante e de seu legado em nossa história. Sua trajetória acompanha os diferentes períodos da luta dos negros no Brasil, tendo ele marcado presença em momentos decisivos, atuando em entidades que se destacaram na história do movimento negro nacional como a Frente Negra Brasileira (FNB) na década de 1930 – onde teve seus primeiros anos de militância, ainda na retaguarda – e o Teatro Experimental do Negro (TEN) entre 1944 e 1968, o qual fundou e esteve sempre a frente de suas atividades projetando-se como artista, intelectual e liderança política.
Desde o final dos anos 1940 manteve contato com militantes negros, ou simpatizantes da luta antirracista dos EUA, França, países caribenhos e africanos, contato que se estreitou e se intensificou a partir de 1968 quando iniciou seu (auto)exílio nos EUA e sua militância pan-africanista. Em 1978, numa de suas visitas ao Brasil participou do ato de fundação do Movimento Negro Unificado (MNU)[1].
Nos anos 1980 quando retornou definitivamente ao país participou da fundação do PDT junto com Leonel Brizola, partido pelo qual foi Deputado Federal nos anos 1980 e Senador da República nos anos 1990. Em sua longa trajetória de militância dedicou-se profundamente no combate ao preconceito e a discriminação racial, e na luta por igualdade social entre negros e brancos.
A atuação política de Abdias do Nascimento nos diferentes períodos históricos em que viveu pode ser entendida como um percurso não linear de um sujeito se relacionando com seu espaço e seu tempo, fazendo leituras do mundo em que viveu (deixando também suas impressões neste mundo), buscando respostas para questões pertinentes a sua realidade que também foi – e de certo modo continua sendo – a realidade de muitos brasileiros descendentes da gente que aqui fora escravizada e fora mantida marginalizada no período que sucedeu a abolição.
Neste percurso apreciamos sua adesão e ruptura com idéias e movimentos políticos, marcando posições que aos olhos do observador do presente podem emergir como contradições. Considerando que trata-se de um ser humano – demasiadamente humano – e não um mito, as contradições surgem, o que de maneira alguma reduz sua importância para nossa história.
O envolvimento na década de 1930 com a Ação Integralista Brasileira, quando também freqüentava a FNB não apenas alimentou posteriormente, nos anos 1950, situações de indisposição entre Abdias e setores da esquerda como a UNE, como ainda hoje pode ser apontado por algumas pessoas enquanto um desvio em sua trajetória evidentemente progressista.
É impossível olharmos para o Integralismo e não sentirmos os tons fascistas que dele saltam. Mas para entendermos a adesão a tal movimento ultraconservador por personalidades incontestavelmente progressistas como D. Helder Câmara, José Celso Martinez, o próprio Abdias e outros intelectuais negros e brancos que futuramente vieram a cooperar com o TEN e com a esquerda política, seria necessário outro artigo dedicado à este tema.
O TEN além de atividades dramatúrgicas, exercia o papel de instituição de ensino oferecendo alfabetização para pessoas que aspiravam entrar para o teatro mas não eram alfabetizadas. Promoveu concursos de beleza e de arte negra, publicou livros e o jornal Quilombo, promoveu Fóruns de discussão e reflexão sobre a situação do negro brasileiro.
Boa parte de seus atores eram de origem pobre, empregadas domésticas e trabalhadores braçais. Foi o marco inicial para a carreira das atrizes Ruth de Souza, Léa Garcia e do ator e dramaturgo Haroldo Costa, e teve importante papel pedagógico ao usar a imagem cênica para combater a ideologia do racismo, colocando os negros como protagonistas nos palcos, retirando as representações de inferiorização do negro que era comum no teatro brasileiro.
Nos anos 1950 a produção de Abdias se afasta gradativamente até romper definitivamente com ideias que remetiam à democracia racial como uma realidade entre os brasileiros. Nos anos 1960 denuncia radicalmente a democracia racial enquanto mito mascarador da realidade e instrumento de dominação das elites brancas.
Quando esteve exilado Abdias atuou como professor na Universidade de Buffalo em NY, viajou por África e Caribe, sendo ele o primeiro negro brasileiro a participar de congressos pan-africanistas, continuando sua luta antirracismo em âmbito internacional.
De volta ao Brasil nos anos 1980, eleito deputado federal, foi o primeiro parlamentar negro a dedicar seu mandato à luta contra o racismo, propondo projetos de lei que o enquadram como crime de lesa-humanidade, e propondo mecanismos de ação compensatória para negros no Brasil. Atuou na desapropriação da Serra da Barriga e na transformação desta em patrimônio histórico nacional, na questão das comunidades quilombolas, no questionamento do 13 de maio e na definição do 20 de novembro como dia da Consciência Negra.
Abdias incluiu questões de interesse para a população negra nas grandes discussões nacionais. Seguiu sua atuação política como senador da república entre 1991 e 1994, assumindo posteriormente a mesma função entre 1996 e 1999, com a morte de Darcy Ribeiro, de quem era suplente. Seu legado permanece vivo alimentando nossa luta.


[1]    Abdias participou do ato de fundação do MNU e cooperou com esta organização sem ser filiado a ela.
Gabriel Rocha é bacharel e licenciado em história pela USP, atualmente é bolsista na FAPESP, onde cursa o mestrado em História Social, desenvolvendo uma pesquisa sobre a produção intelectual de Abdias do Nascimento no período do Teatro Experimental do Negro (1944-1968).

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

I Encontro Popular de Juventude Negra do Distrito Federal e Entorno: resistindo na luta e contrariando as estatísticas

Fonte: inesc

Cerca de 50 jovens negros/as estarão reunidos a partir da próxima sexta-feira, 7/11, no I Encontro Popular de Juventude Negra do Distrito Federal e Entorno: resistindo na luta e contrariando as estatísticas.
Cerca de 50 jovens negros/as estarão reunidos a partir da próxima sexta-feira, 7/11, no I Encontro Popular de Juventude Negra do Distrito Federal e Entorno: resistindo na luta e contrariando as estatísticas – evento que marca o mês da Consciência Negra e visa iniciar a organização do II Encontro Nacional da Juventude Negra (ENJUNE), que terá sede no DF e data prevista para setembro de 2015. Entre os temas que serão discutidos pelos jovens estão o genocídio do povo negro, as ações afirmativas, gênero e afetividade.
O debate sobre desigualdades e racismo na sociedade brasileira tem se ampliado, portanto os organizadores do evento acreditam ser fundamental que essa reflexão faça parte das discussões das redes formadas pela juventude negra, visto que ela é uma das mais afetadas pela violência no país e criminalizada pela sociedade.
Dados do “Mapa da Violência 2014: os Jovens do Brasil (lançados pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais-Flacso), revelam que em uma década (entre 2002 e 2012), no País tanto o número quanto a taxa de homicídios de brancos caiu significativamente e os mesmos índices entre os negros aumentaram. Enquanto a taxa de homicídios de brancos foi de 13,9 mortes por grupo de 100mil, a taxa de homicídios de negros ficou em 72,6 por 100mil - ou seja, os jovens negros morrem quase 4 x mais que os jovens brancos. O Distrito Federal é a Unidade da Federação que ocupa o quarto lugar em homicídios de negros do país (veja os gráficos).
O grupo de jovens que participará do Encontro terá de discutir não só os números da violência, mas também as suas formas - genocídio e extermínio -, bem como as alternativas de efetivação de políticas públicas voltadas para a juventude negra e para a superação do racismo. Entre os temas a serem discutidos estão, também, a questão do racismo institucional, relações de gênero e afetividade, e mobilidade urbana.
Para tanto, o Encontro contará com convidados e convidadas com afiliações diversas, como Elder Costa, coordenador do Fórum Nacional da Juventude Negra; Marlene Lucas, do Fórum da Juventude Negra do Distrito Federal e Entorno; Larissa Amorim Borges, coordenadora da articulação nacional Juventude Viva; Graça Figueiredo, assessora da Pastoral da Juventude e do Cajueiro; Gilson Rego, representante da Marcha contra o Genocídio do Povo Negro; Carmela Zigoni, antropóloga e assessora política do Inesc; Paique Duques Santarem, representante do Movimento Passe Livre do DF; Marcia Santos, do Fórum de Juventude Negra do DF; Dhay Borges, representante da Marcha contra o Genocídio do Povo Negro e Ludymilla Santiago, aconselhadora de Testagem HIV/AIDS e colaboradora da Ong Elos.
Mais sobre o Encontro
I Encontro Popular de Juventude Negra do Distrito Federal e Entorno: resistindo na luta e contrariando as estatísticas está sob a responsabilidade do Fórum da Juventude Negra do Distrito Federal (Fojune) em parceria com o Inesc e a Rede de Educação Cidadã (RECID).  O encontro ocorrerá nos dias 7, 8 e 9/11, no Centro Indigenista Missionário, em Luziânia, GO. O evento contará com a participação de jovens negros militantes e não militantes e irá discutir questões raciais interrelacionado-as com a educação popular. Luziânia foi escolhida como sede do Encontro por ser uma das cidades com alto índice de violência contra a juventude negra. Para além de aproximar os jovens do Fojune, o encontro tem o objetivo de agregar e organizar a juventude negra do DF para o II Encontro Nacional de Juventude Negra (Enjune), previsto para setembro de 2015, em Brasília. Confira a programação aqui
Serviço:
O quê: I Encontro Popular de Juventude Negra do Distrito Federal: resistindo a luta e contrariando as estatísticas
Quando: 7,8 e 9/11
Onde: Centro Indigenista Missionário (Rua São Bernardo (sn), Chácaras Marajoara A – Jardim Ingá, Luziânia-GO)
Contato: Gisliene Hesse (comunicação Inesc) – 81994426/32120204
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terça-feira, 11 de novembro de 2014

Eleições brasileiras sob os olhares da esquerda latino-americana

Um pouco dos olhares latino-americanos sobre os resultados das últimas eleições. São percepções distanciadas e por isso mais acuradas e preparadas para revelar fantasmas e sombras invisíveis para nós.


Brasil después de las elecciones

Guillermo Almeyra
La Jornada


En Brasil, el país más grande y poblado de nuestro continente, el Partido de los Trabajadores (PT) logró una victoria a lo Pirro a pesar de que Lula lanzó todo su peso político a la campaña por la relección de Dilma Rousseff, pues ésta superó por sólo tres millones de votos (menos de tres puntos de porcentaje) a su adversario, el neoliberal declarado Aécio Neves.

Desde hace años, en cada elección de Lula, el porcentaje de votos del PT cae. Por otra parte, Dilma Rousseff no puede considerar suyos todos los poco más de 50 millones de votos que obtuvo porque en la segunda vuelta, una buena parte del millón y medio de votantes en la primera vuelta de Luciana Genro, la trotskista ex parlamentaria del PT en Río Grande do Sul, dio su voto crítico a la candidata petista contra el peligro revanchista de Neves. También millones de electores que antes votaron por Marina Silva contra el PT desacataron la orden de votar por Neves en 47 de las 51 ciudades donde la evangélica había sacado más sufragios que la presidenta y lo hicieron contra el hombre de los banqueros (en Pernambuco, por citar sólo un ejemplo, Silva había obtenido en el primer turno más de 60 por ciento y Dilma logró en el segundo 71 por ciento, contra cerca de 40 de Neves).

En esta pelea entre dos sectores de la burguesía brasileña y dos políticas burguesas que tienen muchos puntos en común, la representada por el PT y dirigida por los centroderechistas que encabeza Lula logró en efecto el apoyo electoral de los sectores más pobres mientras los sectores decisivos de la burguesía nacional e internacional conseguían canalizar a los más conservadores y ricos, desde las clases medias más acomodadas hasta los financieros, terratenientes y especuladores.

De las urnas salen dos Brasil contrapuestos, ambos con políticas de defensa del sistema capitalista, pero opuestas políticas sociales y que tienen casi el mismo apoyo popular: el que encabeza el PT, con un poco más de 51 por ciento de los votos y el del gran capital, con casi 49 por ciento.

Pero el menos numeroso puede hacer bajar la bolsa, las acciones de Petrobras, la moneda nacional como forma de votar contra el PT y canaliza la movilización –no forzosamente derechista– de la mayoría de los estudiantes y de buena parte de las clases medias (que en realidad protestan por la corrupción y protestaron antes del Mundial de futbol por el transporte y por la utilización insensata de los recursos públicos). El atraso político tradicional y la desinformación imperantes en el país facilitan también la acción intoxicadora de los medios de información dirigidos por grandes capitales.

No hubo ninguna victoria de la izquierda. El gobierno del PT salió de los comicios políticamente debilitado y sin firme base social, aunque tuvo el apoyo crítico de los sindicatos y de los campesinos más radicales, como los del Movimiento de los Sin Tierra, muy descontentos frente a la alianza de los gobiernos de Lula y de Dilma con los soyeros y el gran capital. Tiene, además, un Senado mayoritariamente conservador y muy hostil y una Cámara de Diputados con 28 partidos diferentes, la gran mayoría oportunistas y reaccionarios, con los que tendrá que negociar cada medida que proponga para tener o mantener una base popular.

Neves fue apoyado por el gran capital, la extrema derecha, los sectores más reaccionarios (como la mayoría de las sectas evangélicas brasileñas que son, en realidad, la simple creación de gente sin escrúpulos que aprovecha para hacerse millonaria con la extrema ignorancia de muchos brasileños). El mero asistencialismo de Lula y Dilma efectivamente sacó de la extrema pobreza a millones de personas, pero las hizo dependientes de las bolsas de comida y los subsidios del Estado providencial, no las educó políticamente sino de un modo muy elemental (hablando de un enfrentamiento de los ricos contra los pobres). Sobre todo, impidió que los explotados y oprimidos fueran políticamente independientes y creadores de su propio destino.

Su política y su ideología, como el extractivismo desenfrenado (soyero, minero, maderero); la idea capitalista del crecimiento económico a cualquier costo, incluso del desarrollo social; la expulsión del PT de los críticos de izquierda, y la visión de Brasil como una unidad sin división de clases, impidieron que los trabajadores se separasen de los explotadores y les contrapusieran su propio programa.

La crisis mundial no deja hoy margen para las soluciones a medias ni los compromisos podridos. La política distribucionista y paternalista –en Brasil y en los otros países con gobierno progresistas– está acabada. El gobierno del PT está, como dicen los italianos en la fruta, terminando el banquete progresista. Una parte del PSOL y de la izquierda anticapitalista, responsablemente, votó en la segunda vuelta contra Neves, evitando así lo peor y dándole un poco de oxígeno al gobierno. Otro sector del mismo partido y otros grupitos de extrema izquierda, como el PTSU y el PCR, prefirieron, en cambio, seguir diciendo que todos son iguales, porque todos son partidos procapitalistas y llamaron a sumarse a los 30 millones que, por atraso y pereza mental, prefieren dejar que otros decidan por ellos. A la izquierda del PT, donde sin duda habrá diferenciaciones, no hay por lo tanto sino una estéril política sectaria de los abstencionistas sin propuestas o un apoyo crítico al gobierno que prolonga un poco más su progresismo, pero que no crea las bases para una alternativa anticapitalista a la política neoliberal asistencialista y distribucionista de los ingresos, que ha perdido sus bases y está siendo golpeada ferozamente por la crisis. Una de las conclusiones de este peligrosísimo proceso es, por lo tanto, que hay que reconstruir una izquierda anticapitalista en Brasil para enfrentar los choques que se aproximan y abrir el camino a una fase más radical.


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08-11-2014

Brasil se negó al viraje conservador. ¿Qué viene?

Ignacio Díaz
América XXI


En los comicios más disputados desde que Lula ganó en 2002, Dilma fue reelecta tras una feroz campaña en su contra. Será Presidente hasta 2018. Como ahora, deberá hacer frente a una situación económica adversa y a la exigencia de un ajuste, planteado como inexorable desde distintos sectores. Si bien los candidatos más cercanos a Estados Unidos fueron derrotados, la derecha impuso la agenda de la campaña y alejó todavía más al PT de sus bases sociales originales.

El gran capital no ocultó su desilusión. El lunes posterior al triunfo petista hizo caer el índice de la Bolsa de Valores de San Pablo y hundió las acciones de Petrobras que cotizan en el país y en Europa. También presionó sobre la moneda y provocó una devaluación del real frente al dólar. Lo mismo ocurrió cada vez que alguna encuesta daba como ganadora a la presidente Dilma Rousseff. Lo inverso se producía cuando los guarismos daban altas chances al candidato del Partido de la Socialdemocracia Brasileña (Psdb), el liberal-conservador Aécio Neves, nieto del ex presidente Tancredo Neves.

La ofensiva de la prensa nacional no fue menos virulenta: encolumnada detrás del Psdb aumentó sus ataques al Partido de los Trabajadores (PT) hasta horas antes de la segunda vuelta electoral. La revista Veja intentó dar la estocada final al adelantar al viernes su edición semanal, que tituló “Ellos sabían todo” e ilustró con los rostros de Rousseff y el ex presidente Lula da Silva, en alusión al escándalo de corrupción en Petrobras por el desvío de fondos públicos y el pago de sobornos, bajo investigación judicial.

No fue suficiente. Dilma consiguió el 51,64% de los sufragios válidos frente al 48,36% alcanzado por Neves. La Presidente sumó 10 puntos tras la primera vuelta y evitó la derrota pese a que Marina Silva (ex PT) apoyó públicamente al Psdb luego de quedar tercera con el 21,32%. La candidata del “capitalismo verde” era favorita para llegar a la segunda vuelta e incluso varias encuestadoras pronosticaron un triunfo suyo sobre Rousseff. Expuesta al debate político, sus contradicciones e inconsistencias quedaron en evidencia, al igual que su programa económico netamente liberal.

Resultado y perspectivas

Si bien el Psdb acusó un duro golpe y acumuló su cuarta derrota electoral consecutiva frente al PT, se consolidó como primera fuerza opositora y sorteó la amenaza que representó la candidatura de Silva por el Partido Socialista Brasileño (PSB), también de tinte socialdemócrata. Neves obtuvo el 33,55% de los votos el 5 de octubre y tres semanas después sumó 15 puntos más, en la mejor elección del Partido en 12 años. Desde esa posición, buscará condicionar al extremo el segundo mandato de Rousseff, que comienza el 1° de enero.

“No tiene por qué disminuir la intensidad de la oposición. Ella (Dilma) no tiene derecho a la luna de miel que todo gobernante recién electo tiene”, señaló el candidato a la vicepresidencia por el Psdb, Aloysio Nunes Ferreira, quien prometió hacer una oposición “firme” y “sin transigencia” a la Presidente. “Nosotros vamos a trabajar para reclamar aquello que ella prometió, para revelar lo que ella escondió. No tendrá tregua de nuestra parte”, completó. Para ello el Psdb cuenta con la gran elección hecha en el estado San Pablo, donde obtuvo casi 7 millones de votos más que el PT (64% contra 36%), diferencia que Rousseff revirtió en los nueve estados del nordeste, con 12 millones de votos más que su adversario.

Si cuando Lula llegó a la Presidencia en 2002 la campaña exigía un corrimiento hacia la izquierda de los Partidos electorales –y un movimiento centrista del PT, ya lejos de su origen revolucionario- esta vez una amplia franja del electorado mantuvo posiciones conservadoras y centristas y dejó sin votos a la oposición de izquierda al Gobierno. Sólo el Partido Socialismo y Libertad (Psol), surgido como escisión del PT, creció en relación a 2010: terminó cuarto con 1,55%, con la candidatura presidencial de Luciana Genro. El Partido Socialista de los Trabajadores Unificado (Pstu) quedó noveno con 0,09% y el Partido Comunista Brasileño cayó a un 0,05%. En las presidenciales de 2006 una alianza de las tres fuerzas había alcanzado el 6,85% de los votos y el tercer lugar. Este año, separados, sumaron 1,69%. El último lugar fue para el Partido de la Causa Obrera (PCO), con 0,01%.

Dentro de la alianza gobernante, el PCdoB perdió seis diputados y ahora tendrá nueve. Sin base social, las organizaciones de la izquierda revolucionaria tienen un arduo desafío por delante.

Derechización del Congreso

El conjunto de la prensa y analistas de distinta procedencia ideológica coincidieron que la composición del nuevo Congreso resultante de la elección muestra un fuerte giro conservador, justo cuando la principal iniciativa de Rousseff es la reforma política, que necesita apoyo legislativo.

Pese a que la amplia coalición triunfante de nueve Partidos encabezada por el PT tendrá mayoría en ambas cámaras, el arco de alianzas va de la izquierda a la extrema derecha; del Partido Comunista de Brasil (PCdoB) al nuevo Partido Republicano del Orden Social (Pros), pasando por el principal aliado: el Partido del Movimiento Democrático Brasileño (Pmdb), fiel representante del empresariado. Sin embargo, en cada estado las coaliciones partidarias se entremezclan y queda expuesto el vacío ideológico y programático de las decenas de siglas a la hora de definir alianzas. En Marañao, por ejemplo, el gobernador reelecto del PCdoB contó con el apoyo del Psdb y el PSB, mientras el PT apoyó formalmente al candidato del Pmdb. Las contradicciones no terminan ahí: entre los senadores que cuenta a su favor Rousseff está Kátia Abreu, ex presidente de la empresaria Confederación de Agricultura y Ganadería de Brasil (CNA), enemiga del Movimiento Sin Tierra (MST) y la reforma agraria, una promesa histórica del PT. Se trata de un ejemplo entre muchos.

Con 18 diputados menos, más fuerzas en pugna por cargos políticos con las cuales negociar y un mayor condicionamiento opositor, parecen reducidas las esperanzas de amplios sectores sindicales y movimientos sociales de que se produzca un giro a la izquierda en el Gobierno. Aunque no había confirmaciones al cierre de esta edición, distintas voces daban por sentado cambios en sentido inverso para la conformación del gabinete ministerial. Ya durante la campaña Dilma debió prometer que cambiará a su actual ministro de Economía, Guido Mantega, por uno más afín al gran capital. Quien cuenta con más chances es Luiz Trabuco, presidente de Bradesco, el segundo mayor banco privado del país.

Vuelta de página

Ante el descontento social, expresado con fuerza en las masivas manifestaciones de junio de 2013, la campaña del PT tuvo como eslogan “Gobierno nuevo, ideas nuevas” y prometió “cambio y reformas”. Apenas ganó la elección, Rousseff se apuró en proponer un “diálogo amplio con todas las fuerzas productivas, con todas las fuerzas sociales y con todo el sector financiero”. Aseguró también que dejará un país “más moderno, más inclusivo, más productivo, con más solidaridad y más oportunidades (…) Un país que cuida de todos, en especial de los pobres, de las mujeres, de los negros y de los jóvenes, que fueron los grandes segmentos de la población que emergieron en estos 12 años”.

La coyuntura económica le juega en contra: estancamiento, leve aumento de la inflación, crecimiento del desempleo y freno en la disminución de la desigualdad social. En números: 0,29% de crecimiento estimado para este año; inflación de 6,5%, mayor de lo esperado; el desempleo pasó de 6,1% en 2012 a 6,5% en 2013. A esto deben sumarse las presiones empresariales y fiscales para aumentar los precios de la gasolina, la energía y el transporte en general.

Más esperanzadora y optimista fue la acogida del resultado electoral en América Latina y parte del mundo. Un alivio atravesó la región, ya que un triunfo de Neves o Silva hubiera inclinado la balanza a favor de la Alianza del Pacífico y Estados Unidos, en detrimento de la Celac, la Unasur, el Mercosur y, en consecuencia, también del Alba e incluso de los Brics. Ganó la apuesta a la integración regional y la multipolaridad.

Fuente: América XXI - Edición de noviembre
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Claves de la victoria y retos para el PT



La cuarta victoria electoral consecutiva del PT en las presidenciales brasileñas, por un estrecho margen frente al liberal PSDB, nos plantea tres importantes interrogantes: quién gana y quién pierde, las razones de la victoria, y los retos fundamentales para el próximo periodo de gobierno.
Quién gana y quién pierde. Los análisis más superficiales y condescendientes con el partido de gobierno afirman que el triunfo de Dilma Rousseff supone una victoria de la izquierda frente a la derecha. Sin embargo, la diversidad de los intereses en juego obliga a una lectura de los resultados mucho más compleja y precavida.
En primera instancia, es cierto que la derecha tradicional y su elite económica han sido derrotadas “políticamente” de nuevo, al no haber conseguido desalojar al PT del Palacio de Planalto. La agresiva estrategia de campaña que articuló un feroz ataque comunicacional por parte del latifundio mediático, tanto local (grupo Globo, Folha, etc.) como global (The Economist, Wall Street Journal…), la cooptación política (Marina Silva), y la amenaza económica (caída de la Bolsa de Sao Paulo), no fueron suficientes para devolver el sillón presidencial a sus ‘dueños habituales’. La derrota “política”, sin embargo, no implica especiales consecuencias económicas para el conglomerado financiero, agro-ganadero e industrial que durante estos años ha hecho jugosos negocios en el marco del neo-desarrollismo lulista.
La victoria pírrica y agridulce es para el Partido de los Trabajadores (PT), que tras 12 años de gestión se ha alejado sustancialmente de una agenda de izquierda. Su desgaste es evidente, ya que la amplia ventaja cosechada por Lula en sus triunfos electorales de 2002 y 2006 (20% de diferencia), se redujo a 12 puntos en el 2010 (primera presidencia de Dilma) y en estas últimas la distancia es de apenas 3%.
También se pueden considerar ganadores esos millones de brasileñas/os anónimos que hicieron un esfuerzo extra para frenar la reconquista de los neoliberales y de su programa de recortes de salarios y servicios sociales. Y para finalizar, todos los aliados latinoamericanos de Brasil y sus socios del BRICS.
Claves de la victoria. Diversos factores explican la remontada de última hora de Rousseff. Por un lado, la activación del “voto del miedo” en amplias franjas de la población que veían con suma preocupación la posibilidad de regresar a la década de los noventa, cuando el Consenso de Washington hizo estragos. Todavía se siente cerca la ‘halitosis neoliberal’, aunque el paso del tiempo y la llegada de generaciones más jóvenes tienden a desactivar este efecto.
Por otro lado, el voto leal y en cierta manera cautivo de los sectores más empobrecidos de la población, principalmente en el Nordeste del país, donde el programa ‘Bolsa Familia’ tiene una fuerte implantación. Dilma arrasó en esta región con más del 70%, compensando el importante retroceso en el centro y sur del país. A esto hay que agregar el flujo importante de sufragios que en la primera vuelta votaron por Marina Silva, y que en la segunda se decantaron por Rousseff, a pesar de que aquella pidió el voto para Aécio Neves.
El papel del expresidente Lula fue otro factor decisivo, ya que se volcó en la campaña tras la primera vuelta. El alto prestigio que mantiene fue capitalizado por Dilma en el último tramo de la contienda. Paralelamente, el apoyo crítico y a su vez desesperado de los grupos políticos de izquierda y del movimiento sindical y popular fue otro aporte nada desdeñable. Por último, la propuesta de política exterior de la derecha de privilegiar las relaciones con EE.UU. y la U.E. y desactivar instrumentos de integración como Mercosur, Unasur, etc., supuso un torpe ataque al imaginario de “Brasil Potencia” que se ha ido construyendo durante la última década y que se ha convertido en un exponente de orgullo nacional.
Retos múltiples. Los logros de la década lulista son indudables, según el Centro de Investigación en Economía y Política: reducción de la pobreza del 35,8% al 15,9% y de la extrema del 15,2% al 5,3%; bajada del desempleo del 13% al 4,9% y aumento notable del salario mínimo, el de empleados públicos y pensiones; incremento del gasto social del 13% al 16% del PIB (en educación del 4,6% al 6,1%). Sin embargo, uno de los grandes desafíos va a ser la inclusión de amplias franjas de pobres urbanos y sectores medios, golpeados por la contra-reforma urbana (el nuevo extractivismo que expulsa pobres de las favelas) y el deterioro de servicios sociales (sanidad) y públicos (transporte). El retroceso electoral en Sao Paulo, la mayor urbe del país, es un indicador muy relevante.
El neo-desarrollismo, por su parte, evidencia sus límites y contradicciones. La impostergable reforma agraria volverá a chocarse de frente con la dependencia exportadora de productos del agro-negocio (principalmente soja transgénica), bajo control de grandes terratenientes que han aumentado su presencia en el Congreso (de los 89 representantes del 2003 a los 257 del actual). Los conflictos sociales y ambientales se agudizarán por la expansión de grandes obras de producción de energía (mega-hidroeléctricas, fracking) y de grandes infraestructuras viarias y de transporte (TAV), negocio multimillonario para los grandes consorcios de la construcción brasileña (Odebrecht, Andrade Gutierrez, etc.)
El problema de la deuda será otro de los campos de batalla. De la reducción de la deuda externa del 41,8% del PIB al 13,7% se ha pasado al ‘negocio’ (para los bancos prestamistas) de la deuda pública que supone una sangría anual en los presupuestos de la nación.
El impulso a una nueva ley de medios que reduzca el poder desmesurado de los grandes grupos de comunicación, es señalado como otro gran reto. A esto hay que agregar la prometida reforma política para afrontar la corrupción e introducir mecanismos de democracia participativa. La vía de la Asamblea Constituyente puede ser una opción, aunque la composición cada vez más oligárquica del Congreso será un obstáculo evidente.
Por último, desde los sectores más a la izquierda, se sigue soñando con que el PT redefina su estrategia y facilite las condiciones para una etapa de movilizaciones de calle, desburocratización y repolitización militante. Como esto probablemente no ocurrirá, la sombra de Lula comenzará a proyectarse para una nueva disputa electoral en el 2018.
Luismi Uharte. Parte Hartuz Ikerketa Taldea
Fonte:  http://www.rebelion.org/noticia.php?id=191853

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Chuvas e trovoadas

Fonte: cartamaior

Por José Luís Fiori

Foi a mudança qualitativa da política externa brasileira que provocou a intensificação e a radicalização dos ataques conservadores externos. 
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“A subida da ladeira exige poder, capacidade de inovação e grande mobilidade e inciativa política, a serviço de uma estratégia de movimento e de enfrentamento global das transformações que estão em curso no mundo, e cujo futuro está inteiramente aberto e indeterminado”
J.L. FIORI, “ A subida da ladeira”, Valor Econômico, 27 de agosto de 2014


 Para calcular o futuro imediato do Brasil, dentro do sistema internacional, é bom partir de um dado de realidade: o avanço da radicalização ultraconservadora da sociedade e do establishment norte-americano. Um movimento profundo, quase telúrico, cada vez mais religioso, fanático e agressivo, dentro da sociedade,  mas com uma repercussão cada  vez mais messiânica e intervencionista, no campo da política exterior dos EUA.

Como se fosse um tsunami que avança em ondas sucessivas, cada vez maiores, desde o início da década de 80, com a vitória do projeto de “restauração conservadora” de Ronald Reagan (1982-89), e com sua cruzada anticomunista contra o “império do mal”. Em seguida, depois da queda do Muro de Berlim e do fim  da  Guerra Fria,  o governo republicano de George H.W. Bush (1989-93) reformulou a estratégia conservadora,  propondo o projeto do novo “século americano”, junto com a defesa do bloqueio ou destruição preventiva, de novas potências que ameaçassem o unilateralismo dos EUA.

Durante a década de 90, o governo democrata de Bill Clinton (1993-2001) reformulou e empacotou esta mesma estratégia com a ideologia da universalização da democracia, do mercado e da ética “ocidental”. E foi em nome desta ideologia que Bill Clinton promoveu  a  ocupação militar da Europa do Leste, pela OTAN, e mais 48 intervenções militares ao redor do mundo. Mas não há dúvida que os Atentados de 11/09 de 2001 provocaram um salto qualitativo nesta trajetória, durante o novo governo republicano, de George W. Bush (2001-09).

Hoje existem muitos especialistas militares, dentro e fora dos EUA, que consideram que os atentados de 2001 foram um típico inside job, concebido e pilotado pelo que eles chamam de Deep State norte-americano . Mas seja lá como tenha sido feito, suas consequências foram definitivas, dentro e fora dos EUA: colocaram o núcleo duro do ultraconservadorismo no comando da política externa americana, sob a liderança de Dick Cheney, Donald Rumsfeld e Paul Wolfowitz; e traçaram uma nova fronteira entre o “mundo do bem” e o “eixo do mal”, iniciando 14 anos de guerra contínua dentro do Grande Oriente Médio, com a demonização progressiva do mundo islâmico, junto da opinião publica ocidental. 

Mais recentemente,  a volta dos democratas ao governo,  com  Barack Obama, em 2009, não alterou o rumo das coisas, porque seus projetos pessoais de um “multilateralismo atenuado”,  com aproximação da Rússia e a pacificação negociada da Palestina, foram atropelados de dentro de sua própria administração democrata.  Pelos mesmos setores que promoveram a rebelião tutelada da Praça Maiden, e se utilizaram do “atentado aéreo” da Ucrânia, para consolidar a   fronteira geopolítica e militar que volta a separar a Europa, da Rússia Ortodoxa. Ao mesmo tempo em que transformavam o sudeste asiático na região mais militarizada do mundo, à sombra da nova “fronteira chinesa”, anunciada por Hillary Clinton, na condição de chefe do Departamento de Estado do governo Obama.

Resumindo: nestes últimos 24 anos,  o projeto da “globalização americana” foi ficando cada vez mais conservador, agressivo e intervencionista,  e apesar disto, o “multilateralismo” se robusteceu com a expansão econômica e militar de algumas velhas potências regionais, como Alemanha e Rússia, e de algumas novas potências, ainda mais complicadas, por serem também “polos civilizacionais” - com é o caso da China, Índia e Irã  -  com seus  próprios “sistema de verdade”, e sua visão ética autônoma do individuo, da sociedade e do mundo. 

Agora bem, por quê e quando o Brasil entrou nesta história, e nesta “linha de tiro”?  Do nosso ponto de vista, graças a três decisões cruciais da sua politica externa:

i) quando o Brasil decidiu ampliar e transformar um projeto convencional de integração econômica (MERCOSUL),  num bloco politico sob sua liderança,  com o objetivo  de impedir toda e qualquer intervenção externa na América do Sul. Alcançando pleno sucesso ao bloquear a tentativa da OEA envolver-se na crise política da Venezuela, no primeiro semestre de 2014; 

ii) quando o Brasil decidiu se aliar à China, Índia e Rússia, para transformar um mero “acrônimo mercantil” (BRICS), no principal bloco de poder internacional  que se opõe hoje ao projeto unilateralista da “globalização americana”. Sobretudo, depois VI Cúpula BRICS de Fortaleza, quando o Brasil promoveu  o encontro e a convergência de agendas, dos países da UNASUL com os governantes da China, Rússia e  Índia;

iii) e, finalmente, quando o Brasil  decidiu abandonar sua tradicional “zona de conforto” diplomático, no Oriente Médio, separando-se e se opondo ao eixo estratégico EUA-Israel, ao condenar veementemente a ofensiva miliar israelita na Faixa de Gaza, de agosto/setembro de 2014.

Salvo engano, foi esta mudança qualitativa da política externa brasileira que provocou a intensificação e a radicalização dos ataques conservadores externos, e à sua tentativa de intervenção direta ou indireta nas últimas eleições presidenciais do mês de outubro. Mas não há que enganar-se: a ofensiva não vai parar, e deve aumentar ainda mais, depois que os ultraconservadores - democratas e republicanos - se desfaçam de Barack Obama. 

sábado, 8 de novembro de 2014

Caso Malaguti: A esquerda diante da questão racial

Há muitos anos atrás em uma aula com a professora Lélia Gonzalez, expoente do movimento negro já falecida, ouvi o relato de uma situação que expunha bem as características do racismo brasileiro. Disse ela que em uma de suas turmas havia um aluno muito atuante politicamente, corajoso militante de movimentos sociais e da esquerda em uma época marcada pela ditadura militar.
Certo dia este jovem chegou em sua sala na universidade muito angustiado e triste. Conversando com ela disse que tinha descoberto o racismo dentro dele. Contou-lhe que em seu trajeto para a universidade passava sempre pelas favelas tijucanas, Borel, Casa Branca, Formiga, e via sempre crianças negras sujas, maltrapilhas, nuas, com nariz escorrendo, e que nunca havia se preocupado com as mesmas. Aquilo lhe parecia natural. Um belo dia, entretanto, passando pelos mesmos mocambos observou, o que lhe pareceu uma cena inusitada. Viu entre as várias crianças negras, uma pequenina branca, com os mesmos sinais de abandono. Neste instante, veio a revolta e a indignação. Afinal, como uma criança branca poderia viver em condições tão repugnantes? Durante dias não pensou sobre o assunto de novo. Mas a partir das reflexões  de Lélia descobriu o racismo implícito em sua consciência e chorou copiosamente.

O professor e intelectual de esquerda Manuel Luíz Malaguti também chorou copiosamente após terminada a entrevista no jornal "O globo" Autor de vários livros críticos ao neoliberalismo, como "Crítica à Razão Informal" e "A quem Pertence o Amanhã, Ensaios sobre o Neoliberalismo" e "Neoliberalismo, A tragédia do Nosso Tempo", os dois últimos em parceria com Reinaldo Carcanholo e Marcelo Carcanholo, e de vários artigos em periódicos e jornais sobre o mesmo tema se viu envolvido em uma trama nunca imaginada por ele. Afinal como alguém que escreve sobre as mazelas do capitalismo, aponta as desigualdades do sistema, clama por justiça social poderia ter exposto de modo tão pouco racional e "acadêmico" sua discordância com o sistema de ações afirmativas na universidade? Como lidar intimamente com esta contradição? Como se postar frente as lideranças dos movimentos sociais, em particular, do movimento negro e demonstrar a coerência de seu pensamento intelectual?

Um detalhe que chama a atenção é o olhar de decepção dos alunos  em relação à fala de Malaguti. Com todo o seu percurso acadêmico ficou um profundo desapontamento neles, que o viam até então como um arauto contra as injustiças do capital.

Em muitos setores intelectuais de esquerda estas contradições também grassam. Não nos enganemos, estas observações compõem um quadro que não se esgota em Malaguti. A força do pensamento racista se impõe como componente ideológico fundamental da sociedade brasileira desde os seus primórdios. E a esquerda não está livre dele, embora, todas as suas boas intenções. Durante muito tempo as sociedades socialistas debateram esta questão. E se dizia que com o avanço socialista a questão racial e étnica estaria superada. Entretanto, verificamos que as experiências socialistas não conseguiram ultrapassar esta problemática, basta ver o que aconteceu com a antiga Iugoslávia, após o fim do socialismo, por exemplo.




Denúncia de racismo na Ufes: estudantes fazem protesto e professor é afastado da turma

Vejo o caso Malaguti, como um alerta e a oportunidade para uma reflexão, defendo a necessidade de um debate sério entre as organizações de esquerda sobre a superação do racismo dentro de suas hostes. Aliás, podemos começar indagando o quanto de racismo está presente na pouca atenção dada ao genocídio cotidiano enfrentado pela juventude negra? E por que, mesmo à esquerda é dada tão pouca relevância a este tema, em minha opinião a mais importante questão social do Brasil na atualidade? Ou mesmo, por que a questão da manutençao da maioridade penal é defendida com tão pouca veemência pela esquerda? E até mesmo, por que o genocídio negro é esquecido pelo governo Dilma, um governo de esquerda? Nem mesmo no site da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República encontramos algo sobre o tema.

Reconhecemos a esquerda brasileira, e todas as suas instituições: partidos, sindicatos, movimentos sociais, como parceiros de qualquer ação antirracista em conjunto com o movimento negro. Este pequeno artigo, a despeito de ser uma crítica à atuação da esquerda na luta antirracista preserva o entendimento do papel fundamental representado por estes movimentos nesta peleja. Entretanto, precisamos avançar e para tanto uma autocrítica se faz indispensável.



segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Como se desperta o pior que há em nós

Sociedades meritocráticas de mercado corroem autoestima. Estimulam, como defesa, superficialidade, oportunismo e mesquinhez. Tornam-nos “livres” porém impotentes. Saberemos reagir?
Por Paul Verhaeghe | Tradução Eduardo Sukys


Temos a tendência de enxergar nossas identidades como estáveis e muito separadas das forças externas. Porém, décadas de pesquisa e prática terapêutica convenceram-me de que as mudanças econômicas estão afetando profundamente não apenas nossos valores, mas também nossas personalidades. Trinta anos de neoliberalismo, forças de livre mercado e privatizações cobraram seu preço, já que a pressão implacável por conquistas tornou-se o padrão. Se você estiver lendo isto de forma cética, gostaria de afirmar algo simples: o neoliberalismo meritocrático favorece certos traços de personalidade e reprime outros.
Há algumas características ideais para a construção de uma carreira hoje em dia. A primeira é expressividade, cujo objetivo é conquistar o máximo de pessoas possível. O contato pode ser superficial, mas como isso acontece com a maioria das interações sociais atuais, ninguém vai perceber. É importante exagerar suas próprias capacidades tanto quanto possível – você afirma conhecer muitas pessoas, ter bastante experiência e ter concluído há pouco um projeto importante. Mais tarde, as pessoas descobrirão que grande parte disso era papo furado, mas o fato de terem sido inicialmente enganadas nos remete a outro traço de personalidade: você consegue mentir de forma convincente e quase não sentir culpa. É por isso que você nunca assume a responsabilidade por seu próprio comportamento.
Além de tudo isso, você é flexível e impulsivo, sempre buscando novos estímulos e desafios. Na prática, isso gera um comportamento de risco, mas nem se preocupe: não será você que recolherá os pedaços. Qual a fonte de inspiração para essa lista? A relação de psicopatologias de Robert Hare, o especialista mais conhecido em psicopatologia atualmente.
Esta descrição é, obviamente, uma caricatura exagerada. Contudo, a crise financeira ilustrou em um nível macrossocial (por exemplo, nos conflitos entre os países da zona do euro) o que uma meritocracia neoliberal pode fazer com as pessoas. A solidariedade torna-se um bem muito caro e luxuoso e abre espaço para as alianças temporárias, cuja principal preocupação é sempre extrair mais lucro de uma dada situação que seu concorrente. Os laços sociais com os colegas se enfraquecem, assim como o comprometimento emocional com a empresa ou organização.
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Bullying era algo restrito às escolas; agora é uma característica comum do local de trabalho. Esse é um sintoma típico do impotente que descarrega sua frustração no mais fraco. Na psicologia, isso é conhecido como agressão deslocada. Há uma sensação velada de medo, que pode variar de ansiedade por desempenho até um medo social mais amplo da outra pessoa, considerada uma ameaça.
Avaliações constantes no trabalho causam uma queda na autonomia e uma dependência cada vez maior de normas externas e em constante mudança. O resultado disso é o que o sociólogo Richard Sennett descreveu com aptidão como a “infantilização dos trabalhadores”. Adultos com explosões infantis de temperamento e ciúme de banalidades (“Ela ganhou uma nova cadeira para o escritório e eu não”), contando mentirinhas, recorrendo a fraudes, rogozijando-se da queda dos outros e cultivando sentimentos mesquinhos de vingança. Essa é a consequência de um sistema que impede as pessoas de pensar de forma independente e que é incapaz de tratar os empregados como adultos.
Porém, o mais importante é o dano à autoestima das pessoas. O autorrespeito depende amplamente do reconhecimento que recebemos das outras pessoas, como mostraram pensadores desde Hegel a Lacan. Sennett chega a uma conclusão parecida quando percebe que a questão principal dos funcionários hoje em dia é “Quem precisa de mim?” Para um grupo cada vez maior de pessoas, a resposta é: ninguém.
Nossa sociedade proclama constantemente que qualquer pessoa pode “chegar lá” caso se esforce o suficiente. Isso reforça os privilégios e coloca cada vez mais pressão nos ombros dos cidadãos já sobrecarregados e esgotados. Um número crescente de pessoas fracassa, gerando sentimentos de humilhação, culpa e vergonha. Sempre ouvimos que até hoje nunca tivemos tanta liberdade para escolher o curso de nossas vidas, mas a liberdade de escolher algo fora da narrativa de sucesso é limitada. Além disso, aqueles que fracassam são considerados perdedores ou bicões, levando vantagem sobre nosso sistema de seguridade social.
Uma meritocracia neoliberal quer nos fazer acreditar que o sucesso depende do esforço e do talento das pessoas, ou seja, a responsabilidade é toda da pessoa, e as autoridades devem dar às pessoas o máximo de liberdade possível para que elas alcancem essa meta. Para aqueles que acreditam no conto das escolhas irrestritas, autonomia e autogestão são as mensagens políticas mais notáveis, especialmente quando parece que prometem liberdade. Junto com a ideia do individuo perfeito, a liberdade que acreditamos ter no Ocidente é a grande mentira dos dias atuais e de nossa época.
O sociólogo Zygmunt Bauman resume perfeitamente o paradoxo de nossa era como: “Nunca fomos tão livres. Nunca nos sentimos tão incapacitados.” Realmente somos mais livres do que antes no sentido de podermos criticar a religião, aproveitar a nova atitude laissez-faire com relação ao sexo e apoiar qualquer movimento político que quisermos. Podemos fazer tudo isso porque essas coisas não têm mais qualquer importância – uma liberdade desse tipo é movida pela indiferença. Por outro lado, nossas vidas diárias transformaram-se em uma batalha constante contra uma burocracia que faria Kafka tremer. Há regulamentos para tudo, desde a quantidade de sal no pão até a criação de aves na cidade.
Nossa suposta liberdade está ligada a uma condição central: precisamos ser bem-sucedidos – ou seja, “ser” alguém na vida. Não é preciso ir muito longe para encontrar exemplos. Uma pessoa muito bem qualificada que decide colocar a criação de seus filhos à frente da carreira certamente receberá críticas. Uma pessoa com um bom trabalho, que recusa uma promoção para investir mais tempo em outras coisas é vista com louca – a menos que essas outras coisas garantam o sucesso. Uma jovem que deseja ser uma professora de primário ouve de seus pais que ela deveria começar obtendo um mestrado em economia. Uma professora de primário, o que será que ela está pensando?
Há lamentos constantes com relação à chamada perda de normas e valores em nossa cultura. Ainda assim, nossas normas e valores compõem uma parte integral e essencial de nossa identidade. Portanto, não é possível perdê-las, apenas mudá-las. E é exatamente isso que aconteceu: uma mudança de economia reflete uma mudança de ética e gera uma mudança de identidade. O sistema econômico atual está revelando nossa pior faceta.

sábado, 18 de outubro de 2014

Corrupção e direitos trabalhistas: Despolitização e politização do debate eleitoral

Corrupção e despolitização: A quem interessa?
Diferente do que o artífice da campanha de Dilma considera, acredito que a corrupção não seja o principal tema da campanha presidencial. As ilegalidades e arranjos suspeitos que os partidos fazem para garantir recursos para sua atuação política decorrem de uma legislação eleitoral elaborada intencionalmente para provocar tais efeitos. Já disse aqui, em meu blog, que a corrupção me preocupa menos do que os privilégios e benefícios atinentes à determinados grupos sociais. Afinal é a consciência da existência de  grupos privilegiados, por parte dos grupos desprivilegiados, que incitam as revoluções.
As constantes acusações de parte à parte, em um vale-tudo sem fim, apenas mascaram a realidade e maximizam a já enorme despolitização, resultante de anos de trabalho contínuo de uma mídia mal intencionada e partidarizada. O debate de baixa qualidade só interessa às classe dominantes.
No primeiro momento do pleito tivemos uma aula de como proceder para tornar um tema irrelevante como essencial. Os candidatos, Pastor Everaldo e Levi Fidelis, de extrema direita, conseguiram tornar temas da esfera privada, em temas da esfera pública, e sob este aspecto talvez sejam os maiores vencedores da primeiro turno das eleições.
Aliás suplantar o adversário através de questões ligadas à corrupção significaria uma vitória de Pirro para Dilma, tendo tantos feitos para mostrar e toda a discussão sobre as distintas plataformas políticas para fazer. Se faz mister mostrar aos trabalhadores brasileiros o quanto de ruim um governo do PSDB o seria para todos nós e o quanto de mal o neoliberalismo representa para o planeta. Entretanto, ficamos a assistir a disputa de quem roubou mais ou menos em seus governos.





O fim da CLT: desemprego, desregulamentação e informalidade
Nós, trabalhadores conscientes, reconhecemos nas possíveis alterações do direito trabalhista, caso Aécio seja eleito, o drama determinante desta batalha. Todos nós sabemos o que significou os mandatos presidenciais de Fernando Hnerique Cardoso para os trabalhadores brasileiros, um tempo de suor, sangue e lágrimas. Houve por parte de FHC a determinação de acabar, em seu governo, com aquilo que ele chamou de "Era Vargas". E esta estaria assinalada por toda a legislação laboral construída nos governos varguistas. Um "entulho" que amplia, segundo o discurso neoliberal, o custo-Brasil, impossibilitando-nos de concorrer com a "fábrica do mundo", a China. Como se fosse possível...
 Sempre é bom lembrar que este sonho já foi abandonado pelos países do primeiro mundo e suas burguesias, que empreendem amplos esforços para trilhar o caminho das novas tecnologias - robótica, biotecnologia, nanotecnologia, tecnologia da informação, energia limpa, etc. - este é o caminho.
A eleição de Aécio Neves põe em risco, em primeiro lugar, o nosso emprego, afinal, como ele mesmo disse, serão "medidas amargas". E podemos imaginar quais seriam os critérios que os executivos poderão usar para desempregar. Quais seriam os primeiros a serem desempregados, despossuídos de sua honra e dignidade? Provavelmente, os negros, os nordestinos, as mulheres, os homossexuais... Que criteriologia será utilizada?  Assim lembramos do filme A Conspiração, de Frank Pierson, de 2001, acerca dos critérios adotados pelos nazistas no holocausto e extermínio da população judaica, presente nos guetos e campos de concentração.
Em segundo lugar, a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), com todo o manancial de direitos ali esposados - 13º salário, férias, FGTS, piso salarial, salário-mínimo, etc. será varrida do mapa. Este era o desígnio de FHC e continua como tal em Aécio Neves. De FHC, ainda restam como relíquias neoliberais, os famigerados "banco de horas" e o contrato temporário de trabalho. Com Aécio, o arcabouço favorável ao capital será deveras expandido.
Em terceiro lugar, veremos o retorno de grande parte da classe trabalhadora à informalidade. Ao bico, ao biscate, à incerteza do quantitativo salarial no final do mês, à revolta de Candeia em seu belo samba "O invocado", bela alegoria do mestre, sobre o sofrimento causado pelo desemprego e a marginalidade social.



Fica claro então por tudo o que dissemos acima que o tema central da campanha não é a corrupção. Há veredas ainda desconhecidas e pouco exploradas a serem reveladas. Os trabalhadores precisam conhecer quem é Aécio Neves, o que ele representa e quais as consequências de sua eleição para a grande massa de trabalhadores brasileiros. Desnudemos Aécio, mostremos sua real face e os demônios que nos espreitam à espera de sua vitória para abrir seu "saco de maldades", expressão comum nos tempos de FHC. Os debates presidenciais deveriam ter servido para isso, para nos mostrar o quanto podemos ser prejudicados, enquanto trabalhadores, em uma eventual conquista do PSDB.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

A desventura do neoliberalismo - meritocracia, trapaça e depressão

Fonte: outraspalavras



    "Lógica do sistema é permeada por monitoramento, medição, vigilância e auditorias (...) Destrói a autonomia, o empreendimento, a inovação e a lealdade e gera frustração, inveja e medo"
“Lógica do sistema é permeada por monitoramento, medição, vigilância e auditorias (…) Destrói a autonomia, o empreendimento, a inovação e a lealdade e gera frustração, inveja e medo”

Psicanalista belga relaciona competição selvagem, que marca capitalismo pós-moderno, com comportamentos antiéticos dos “vencedores” e frustração da imensa maioria. “Sejamos desgarrados”, ele sugere

Por George Manbiot | Tradução Eduardo Sukys | Imagem: John Bellany
Estar em paz com um mundo atormentado: não é uma meta sensata. Ela pode ser conquistada apenas negando tudo aquilo que cerca você. Estar em paz com você mesmo dentro de um mundo atormentado: essa é, ao contrário, uma aspiração nobre. Este texto é para as pessoas que estão em conflito com a vida. Ele faz um apelo para você não se envergonhar disso.
Senti o ímpeto de escrevê-la ao ler um livro notável de Paul Verhaeghe, um professor belga de psicanálise. What About Me? The Struggle for Identity in a Market-Based Society [E quanto a mim? A luta por identidade em uma sociedade baseada no mercado, sem tradução em português] é uma dessas obras que, ao fazer conexões entre fenômenos aparentemente distintos, fomenta novos insights sobre o que está acontecendo conosco e porquê.
Somos animais sociais, argumenta Verhaeghe, e nossas identidades são formadas pelas normas e valores que absorvemos de outras pessoas. Toda sociedade define e molda sua própria normalidade e sua própria anormalidade, de acordo com narrativas dominantes, e busca fazer com que as pessoas obedeçam — caso contrário as exclui.
Hoje, a narrativa dominante é do fundamentalismo de mercado, amplamente conhecido na como neoliberalismo. O conto é que o mercado pode resolver quase todos os problemas sociais, econômicos e políticos. Quanto menos o Estado nos controlar e taxar, melhor será nossa condição. Os serviços públicos devem ser privatizados, os gastos públicos devem ser reduzidos e os negócios devem ser liberados do controle social. Em países como o Reino Unido e os EUA, essa história molda as normas e valores há cerca de 35 anos: desde que Thatcher e Reagan chegaram ao poder. E rapidamente está colonizando o restante do planeta.
Verhaeghe indica que o neoliberalismo se apoia na ideia grega de que nossa ética é inata (e regida por um estado de natureza que chama de mercado) e na ideia cristã de que a humanidade é essencialmente egoísta e gananciosa. Em vez de tentar suprimir essas características, o neoliberalismo as exalta: essa doutrina afirma que a competição irrestrita, guiada pelo interesse próprio, conduz à inovação e ao crescimento econômico, melhorando o bem estar de todos.
Toda essa história gira em torno da noção de mérito. A competição irrestrita recompensaria as pessoas talentosas, que trabalham duro e inovam. Ela rompe com as hierarquias e cria um mundo de oportunidades e mobilidade.
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Mas a realidade é bem diferente. Mesmo no início do processo, quando os mercados foram desregulamentados pela primeira vez, não começamos com oportunidades iguais. Algumas pessoas já estavam bem à frente antes de ser dada a largada. Foi assim que as oligarquias russas conseguiram acumular tanta riqueza quando a União Soviética chegou ao fim. Eles não eram, em sua maioria, os mais talentosos, trabalhadores ou inovadores, mas sim os menos escrupulosos, os mais grosseiros e com os melhores contatos, frequentemente na polícia secreta — a KGB.
Mesmo quando os resultados resultam de talento e trabalho duro, a lógica não se mantém por muito tempo. Assim que a primeira geração de empresários liberados conquista seu dinheiro, a meritocracia inicial é substituída por uma nova elite, que isola seus filhos da competição por meio da herança e da melhor educação que o dinheiro pode comprar. Nos locais onde o fundamentalismo de mercado foi aplicado com mais vigor, em países como os EUA e o Reino Unido, a mobilidade social diminui bastante.
Se o neoliberalismo não fosse uma trapaça egoísta, e se seus gurus e thinktanks não fossem financiados desde o início por algumas das pessoas mais ricas do mundo (os multimilionários americanos Coors, Olin, Scaife e Pew, entre outros), seus apóstolos teriam exigido, como precondição para uma sociedade baseada no mérito, que ninguém deveria começar a vida com uma vantagem injusta — seja riqueza herdada ou educação determinada economicamente. Porém, eles nunca acreditaram em sua própria doutrina. O empreendimento, como resultado, rapidamente deu lugar à renda.
Tudo isso é ignorado, e o sucesso ou a falha da economia de mercado são atribuídos unicamente aos esforços do indivíduo. Segundo esta crença, os ricos são os novos justos; os pobres são os novos desviados, que fracassaram econômica e moralmente e hoje são classificados como parasitas sociais.
O mercado deveria nos libertar, oferecendo autonomia e liberdade. Em vez disso, entregou atomização e solidão.
O local de trabalho foi envolvido por uma estrutura louca, kafkiana, de monitoramento, medição, vigilância e auditorias, orientada centralmente, planejada de forma rígida e cujo objetivo é recompensar os vencedores e punir os perdedores. Ela destrói a autonomia, o empreendimento, a inovação e a lealdade e gera frustração, inveja e medo. Por meio de um paradoxo incrível, ela nos levou até o renascimento de uma antiga tradição soviética conhecida na Rússia como tufta. Ela significa falsificação de estatísticas com o objetivo de atender aos ditames do poder irresponsável.
As mesmas forças afetam aqueles que não conseguem encontrar trabalho. Agora, eles precisam disputar, além de sofrer as outras humilhações do desemprego, com um nível totalmente novo de vigilância e monitoramento. Tudo isso, de acordo com Verhaeghe, é fundamental para o modelo neoliberal, que sempre insiste na comparação, avaliação e quantificação. Somos tecnicamente livres, mas incapacitados. Quer seja no trabalho ou fora dele, devemos viver com base nas mesmas regras ou perecer. Todos os principais partidos políticos as promovem — então não temos poder político também. Em nome da autonomia e da liberdade, acabamos controlados por uma burocracia esmagadora e anônima.
Verhaeghe escreve que essas mudanças vieram acompanhadas de um aumento espetacular em certas condições psiquiátricas: automutilação, distúrbios de alimentação, depressão e distúrbios de personalidade.
Dentre os distúrbios de personalidade, os mais comuns são ansiedade por desempenho e fobia social: ambos refletem um medo da outra pessoa, que é percebida tanto como avaliadora quanto como competidora, as únicas funções que o fundamentalismo de mercado admite para a sociedade. Somos atormentados pela depressão e pela solidão.
Os ditames infantilizadores do local de trabalho destroem nosso respeito próprio. Aqueles que terminam no fim da fila são acometidos por culpa e vergonha. A falácia da autoatribuição tem dois lados: assim como nos regozijamos por nosso sucesso, nos culpamos por nosso fracasso, mesmo se não tivermos qualquer responsabilidade por isso.
Portanto, se você não se encaixa ou se sente um estranho no mundo, se sua identidade está perturbada ou rompida, se você se sente perdido e envergonhado, talvez seja porque você manteve os valores humanos que deveria ter descartado. Você é um desgarrado. Orgulhe-se.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Posição do Movimento Negro Unificado: Fora Aécio

COORDENAÇÃO DO MOVIMENTO NEGRO UNIFICADO.
RESOLUÇÃO POLÍTICA SOBRE O SEGUNDO TURNO DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS.

A nossa organização foi criada em plena ditadura militar em 1978 e durante estes 36 anos de resistências , combatemos a segregação racial em nosso país.
O racismo no Brasil é determinado pelos interesses econômicos da oligarquia burguesa brasileira que detém e concentra a maior parte das riquezas produzidas pela classe trabalhadora , onde o povo negro está inserido.
A classe dominante no Brasil impõem e mantém sua visão de mundo a partir de seus valores eurocêntricos , capitalistas e neocolonialista.
Nossa posição política caminha , necessariamente , para uma ação imediata de enfrentamento e mobilização contra a possibilidade da direita racista , homofóbica e conservadora assumir o controle do governo do país.
A vitória desta política significa um profundo retrocesso das principais conquistas sociais e democráticas que obtivemos nos últimos anos de enfrentamento ao neoliberalismo.
O processo eleitoral no primeiro turno , demonstrou que partidos políticos conservadores e de direita e seus  respectivos líderes foram eleitos em vários estados com uma plataforma política baseada na xenofobia racial e religiosa contra principalmente as religiões de matrizes africanas.
A candidatura Aécio Neves , representa os interesses do grande capital financeiro especulativo internacional e das grandes multinacionais.
Neste segundo turno o mecanismos golpistas foram acionados , como em vários momentos , na história.
Recentemente a Rede Globo fez autocrítica do apoio que deu ao golpe militar e não podemos esquecer a manipulação do último debate entre os então candidatos LULA e COLLOR.
A manipulação da grande mídia , representada pelas organizações Globo , a revista Veja , a Folha de São Paulo entre outros meios de comunicação introduzem na sociedade denúncias não comprovadas de um criminoso , através de um festival de denúncias sensacionalistas com o objetivo de manipular o eleitorado favorecendo a coligação de direita e conservadora.
Esta mesma mídia se cala frente a denúncia de compra de votos para introduzir a reeleição em nosso país feita pelo governo FHC.
Se cala frente as denúncias de corrupção no Metro de São Paulo governado pelo PSDB.
Se cala frente a construção do aeroporto em terras particulares da família Aécio em Minas Gerais  e outras denúncias nos governos tucanos em todo o país.

DEFENDEMOS UMA PROFUNDA LIMPEZA NA POLÍTICA BRASILEIRA CRIMINALIZANDO PRINCIPALMENTE OS CORRUPTORES ENCOBERTOS NOS GRANDES CONGLOMERADOS ECONÔMICOS.

A concepção elitista de sociedade esta integrada ao poder imperialista concebido pelos banqueiros e empresários que controlam o mercado financeiro e não admitem a construção de uma alternativa internacional que se contraponha ao domínio do FMI como é a proposta do banco dos BRICS.
Uma alternativa de política que apoia os indígenas e o governo na Bolívia , a resistência cubana , a política libertária de jOSÉ  Mujica no Uruguai , a rebeldia Argentina contra os fundos abutres e a reconciliação colombiana.
Uma política que priorize a relação com a América latina e o continente africano.
O retorno de um governo neoliberal , do latifúndio e agronegócio determinará a impossibilidade do prosseguimento da reforma agrária , do fortalecimento  agricultura familiar e do enfrentamento as resistências a titulação das terras quilombolas.
Repudiamos e lutaremos contra o acirramento e o fortalecimento da repressão policial e o redimensionamento do genocídio da juventude negra através da REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL  como defende o candidato Aécio Neves.
Não queremos e lutaremos contra a homofobia , a violência contra a mulheres , a exploração das terras indígenas e da mão de obra escrava , da exploração dos trabalhadores e trabalhadoras através da precarização do mercado de trabalho , da privatização das empresas públicas , da abertura irrestrita da economia ao capital internacional e a repressão a participação popular e democrática que impossibilitará a efetiva conquista de uma reforma política que atenda os interesses dos setores excluídos e marginalizados.

PELA PRESENÇA EFETIVA DE NEGROS E NEGRAS NO PRIMEIRO ESCALÃO DO GOVERNO.
PELA APROVAÇÃO DE UM PLANO NACIONAL DE COMBATE A HOMOFOBIA E SUA CRIMINALIZAÇÃO.
PELO APOIO A NÃO CRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO.
PELA EFETIVA TITULAÇÃO DA TERRAS QUILOMBOLAS.
PELO APOIO INCONDICIONAL AS RELIGIÕES DE MATRIZES AFRICANAS.
PELO FIM DO EXTERMÍNIO DA JUVENTUDE NEGRA.
PELA RETIRADA DAS TROPAS DO HAITI.
POR REPARAÇÃO HISTÓRICA E HUMANITÁRIA AO POVO NEGRO.
BASTA DE CASA GRANDE E SENZALA EM NOSSO PAÍS.

NO DIA 26 DE OUTUBRO.
FORA AÉCIO NEVES.

NENHUM PASSO ATRÁS.

REAJA A VIOLÊNCIA RACIAL.

DIREÇÃO NACIONAL DO MNU.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Congresso Nacional se enche de representantes ultraconservadores

Fonte: ihu.unisinos

O ultraconservadorismo ganhou força no Congresso Nacional. Os deputados, abaixo relacionados, eleitos para a próxima legislatura e mais uma malta que os acompanha formada de parentes e asseclas nos remetem ao parlamento de 1964. É certo que escolham Aécio, como candidato. Abaixo, o que esta gente diz:

Congresso deve se tornar mais reacionário. Deputados racistas, homofóbicos e contra o aborto estão entre os mais votados.
No Congresso brasileiro, pautas como a descriminalização do aborto, a legalização das drogas, a luta por mais demarcação de terras indígenas ou a união homoafetiva não têm vez. E a situação tende a continuar igual ou pior na próxima legislatura que, para o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), se desenha para ser a mais conservadora desde a época da ditadura.
A reportagem é de Talita Bedinelli e publicada pelo jornal El País, 09-10-2014.
Nas eleições deste domingo, o número de deputados ligados a forças sindicais diminuiu de 83 para 46. Por outro lado, deve crescer o número de parlamentares ligados à polícia, que passa para 55, um aumento de 30%. A bancada da bala defende mudanças como a redução da maioridade penal.
Até o momento, o órgão já identificou 82 deputados, dez a menos que na legislatura anterior, que irão fazer parte da bancada evangélica, contrária ao aborto, mas o número deve aumentar, já que a análise preliminar só inclui os que tem “pastor” no nome ou se declaram abertamente evangélicos. E a Frente Parlamentar da Agropecuária, que busca um recrudescimento dos direitos indígenas previstos na Constituição também aumentará de 191 a 257 representantes.
"Isso se apresenta contraditório às bandeiras das manifestações do ano passado", afirma coordenadora da assessoria parlamentar e de imprensa do Diap. "Acredito que isso seja um reflexo do descrédito da política geral. As pessoas não participam e acabam seduzidas por um discurso contra tudo e contra todos", conclui.
De fato, nomes como Jair Bolsonaro e Marco Feliciano, que tiveram destaque na imprensa por declarações homofóbicas, tiveram muito mais votos do que nas eleições passadas. Eduardo Cunha, um dos principais nomes na luta contra qualquer progresso em relação ao aborto, também teve mais apoio dos eleitores.
Saiba os principais rostos desse Congresso ultraconservador.
“Índio e quilombola: tudo o que não presta”
Luiz Carlos Heinze, deputado federal do Rio Grande do Sul pelo Partido Progressista (PP), virou assunto no começo deste ano após a divulgação de um vídeo em que ele aparece dizendo que “quilombolas, índios, gays, lésbicas e tudo que não presta” estão aninhados no Governo federal. A declaração foi feita durante uma audiência pública da Comissão de Agricultura sobre a demarcação de terras indígenas. Ele é coordenador da Frente Parlamentar da Agropecuária e foi eleito pela ONG Survival International o “racista do ano”. O deputado é autor de um projeto de Lei que propõe sustar o decreto 1.775, que dispõe sobre a demarcação de terras indígenas. No texto, ele diz que o objetivo é acabar com os “super poderes da Funai [Fundação Nacional do Índio]”. A justificativa: “a Funai vem identificando as alegadas áreas indígenas por meio de procedimentos de natureza inquisitorial, o que leva ao desrespeito frequente do direito de terceiros, especialmente do direito de propriedade, gerando um ambiente de insegurança jurídica.” Nessas eleições, Heinze foi o deputado federal com mais votos do Rio Grande do Sul, escolhido por 162.462 eleitores, um pouco a menos, entretanto, que na última eleição (180.403).
“Gay é fruto do consumo de drogas”
Jair Bolsonaro é o mais polêmico porta-voz da homofobia no Congresso, com um discurso caricato-radical repleto de intolerância. Se declara favorável à pena de morte e à redução do número de filhos entre os mais pobres. Em entrevista para EL PAÍS em fevereiro deste ano, ele afirmou que Pedrinhas, um presídio superlotado do Maranhão onde presos matam companheiros degolados, é o “melhor presídio do Brasil” e que o respeito à diversidade é bandeira de quem “quer transformar crianças em homossexuais”. "Só porque alguém gosta de dar o rabo passa a ser um semideus e não pode levar porrada...”, ironizou. No ano passado, ele foi cotado para ser o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara por seu partido, o PP, que usou o nome dele como uma espécie de chantagem para barganhar comissões de maior visibilidade. O fato gerou revolta entre os movimentos de defesa dos Direitos Humanos. No final, o PT interveio e ele perdeu a presidência. Mas a repercussão parece ter funcionado como propaganda: o ex-militar se tornou o deputado federal mais votado do Rio nestas eleições, com 464.572 votos, quase o triplo de quatro anos atrás.
“Os africanos são amaldiçoados”
O pastor Marco Feliciano, do PSC, tem sua trajetória política permeada de polêmicas. Em 2011, em seu Twitter, ele afirmou que os “africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé”, mas depois apagou. Na mesma época, ele usou o microblog para dizer que "a podridão dos sentimentos dos homoafetivos leva ao ódio, ao crime, à rejeição”, o que rendeu a ele uma acusação de preconceito e discriminação junto ao Supremo Tribunal Federal. Em 2013, ele assumiu a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, a mesma que Bolsonaro pretendia presidir. Enfrentou tantos protestos que fechou as sessões para o público. Na comissão, ele conseguiu aprovar um dos projetos homofóbicos mais polêmicos: a “cura gay”, que permite que psicólogos promovam tratamento para “curar a homossexualidade”, que depois foi derrotada no plenário. Após a derrota, ele afirmou que o projeto voltaria em 2015, quando a nova legislatura teria um maior número de evangélicos. No último dia 5, ele foi o terceiro deputado federal mais votado em São Paulo, com 398.087 votos – há quatro anos, ele teve 211.855.
“O feto não tem possibilidade de gritar”
Eduardo Cunha, o líder do PMDB na Câmara, foi autor de legislações antiaborto, entre elas uma de maio deste ano que busca impedir a aplicação de uma portaria que inclui o procedimento da interrupção da gestação na Tabela de Procedimentos do SUS. Para ele, a portaria legaliza o aborto no país. Para as feministas e especialistas em saúde pública, a medida serviria para melhorar a qualidade das estatísticas referente ao aborto no Brasil –atualmente só existem estimativas, que afirmam que 850.000 são feitos por ano, a maioria deles ilegalmente, entretanto. A pressão do porta-voz de um dos principais partidos da base aliada do Governo federal fez com que o próprio Ministério da Saúde revogasse o texto, alegando “falhas técnicas”. Cunha, membro da igreja evangélica Sara Nossa Terra, é um dos autores do PL 5069/2013, que prevê penas para quem induzir a gestante ao aborto com informações sobre a interrupção da gravidez. Ele também propôs um projeto, em 2006, que torna o aborto um crime hediondo porque “o feto não tem possibilidade de gritar”, afirmou certa vez em uma entrevista. Neste ano, ele recebeu 232.708 votos, o que o transformou no terceiro deputado federal mais preferido pelos eleitores. Quatro anos atrás, ele tinha obtido 150.616 votos.
“O crime não tem rosto”
O delegado Waldir Soares (PSDB) foi o deputado federal mais eleito em Goiás nestas eleições, com 274.625 votos, seis vezes mais do que há quatro anos atrás, quando não conseguiu se eleger. Suas bandeiras, nesta eleição, eram a redução da maioridade penal e a “tolerância zero” contra o crime. Seu bordão era: “45 para bala e 00 para a algema”, em referência a seu número "4500". O delegado gerou polêmica em Goiânia quando, durante uma operação contra o tráfico, prendeu cadeirantes e grávidas. Ao ser questionado pela imprensa na época, ele afirmou que o “crime não tem rosto”, relata uma reportagem do portal G1. Em uma entrevista na tarde desta terça-feira para um veículo local, ele afirmou que vai propor medidas de combate às drogas e que é contrário à legalização da maconha. “Sou defensor da família. Outro dia fui num debate com uns maconheiros. Perguntei se o trem é bom. Eles disseram que sim. Aí falei: então chega em casa agora, pega seu filhinho e dá um cigarro de maconha pra ele. Não tem que pensar em modernismo, não. Sou defensor da vida”.
“É triste ver o medo do cidadão de bem”
O coronel da Polícia Militar Alberto Fraga (DEM) é outro que defende a redução da maioridade penal e foi contrário à campanha pelo desarmamento. Nestas eleições, foi o deputado mais votado do Distrito Federal, com 155.056 votos. Ele pautou sua campanha na defesa do fim do auxílio-reclusão, benefício pago aos dependentes de trabalhadores que contribuem com a Previdência Social que estão presos. O valor médio do benefício é de 681 reais por família. Em 18 de abril do ano passado, ele escreveu no Twitter: “Quer transar? Governo dá camisinha. Engravidou? Bolsa Família. Tá desempregado? Seguro desemprego. Matou ou roubou? Tem o auxílio-reclusão”. Ele também chamou os defensores dos direitos humanos de "malas".

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