Blog comprometido com as mais diversas lutas sociais do planeta, particularmente, o que diz respeito a luta pelo socialismo, a ampliação do uso dos software livre Gnu/Linux na busca pela expansão de nossa inteligência coletiva e da cultura livre, além da batalha pela melhoria das condições de vida da população brasileira, sobretudo, do povo negro.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Instale e teste a versão em desenvolvimento do Elementary Os Loki

 Fonte:  http://entornosgnulinux.com/2015/11/19/como-instalar-elementary-os-0-4-loki-en-ubuntu-16-04-lts-xenial/

Como instalar e testar a versão em desenvolvimento do Elementary Os Loki:
Instale a versão em desenvolvimento do Ubuntu 16.04, neste link.
Já com o Ubuntu 16.04 instalado, digite estes comandos no terminal:
$ sudo add-apt-repository ppa:elementary-os/daily
$ sudo add-apt-repository ppa:elementary-os/os-patches
$ sudo apt-get update
$ sudo apt-get install elementary-desktop
$ sudo apt-get install upgrade

Obs: Para que não haja problemas de dependências é necessário que se siga exatamente a ordem do tutorial acima.
*Atenção, o Elementary Os Loki não deve ser instalado em ambiente de produção, pois ele ainda está em desenvolvimento. Instale-o por sua conta e risco.

Comentário de Daniel Foré, um dos principais desenvolvedores do Elementary OS:
 "Keep in mind that what you'll end up with is Ubuntu + Pantheon. That's not equivalent to a Loki build. You will experience problems. Don't expect this to work well."
Traduzindo: 
Tenha em mente que o que você vai acabar com Ubuntu é + Pantheon. Isso não é equivalente a uma compilação de Loki. Você vai ter problemas. Não espere que isso funcione bem.








Para acessar o Elementary Os Kodi inicie a sessão pelo Pantheon, na página de login do sistema.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

O "golpe branco" e o "recalque" das classes dominantes contra Lula




A divisão nas classes dominantes
Ao abrir os jornais de hoje e ler suas manchetes principais podemos observar através de um olhar crítico o “golpe branco” que vai sendo moldado por setores da classe dominante brasileira. E por quê setores? Porque parte dela esteve, e está, ao lado de Lula e de o Partido dos Trabalhadores em suas administrações. Fica, portanto, interessante observar que as lideranças mais significativas destas frações estejam encarceradas, senão vejamos: Marcelo Odebrecht, (Construtora Odebrecht.), José Carlos Bumlai, pecuarista, André Esteves banqueiro, entre outros. Vale destacar a operação (Lava-Jato) realizada na Petrobrás, a mais importante empresa estatal brasileira, onde estão os melhores quadros técnicos do Estado brasileiro, e suas respectivas prisões. Não venho aqui discutir se as ações empreendidas pelo grupo palaciano são ilegais, ou não, mas o que chama a atenção é que todos figuram como aliados de Lula, em seus governos. Seletivamente estas lideranças foram apreendidas em uma trama urdida nos porões da Justiça brasileira, onde alguma ações tomadas infringiram regras básicas do processo penal, segundo alguns juristas, ao arrepio do Supremo Tribunal Federal.

O STF sob suspeição
Chama atenção que a suprema corte do país e o ministério público se aquietem diante do estranho comportamento  de Eduardo Cunha e ao mesmo tempo tenham sido tão ávidos em seu ataque ao Legislativo quando da prisão do líder do governo, no senado, Delcídio Amaral. Aliás, na tal gravação exposta a todo o Brasil, sem qualquer escrúpulo com o significado disto para a nação evidencia-se o fato de que alguns ministros poderiam sucumbir às pressões do Executivo, o que teria levado à açodada prisão. Registre-se também que o STF caminha agora em uma linha tênue, pois a qualquer decisão favorável ao governo poderá ser acusado de estar ao lado do mesmo e se subordinar à suas interferências.

Como evitar o martírio e a mitificação de Lula
 Diante disso, poderíamos esperar para os próximos meses a prisão de Lula, já que ele, em função de tantas provas, não poderia ignorar tais acontecimentos, todavia, creio que este evento não ocorrerá. Acredito que o que estamos vendo agora e assistiremos mais à frente será a deslegitimação de um governo realizado por um líder operário, vindo das camadas mais pobres da população. Um miserável entre tantos miseráveis brasileiros. È preciso evitar o “martírio de Lula”, faz-se mister dentro dos descaminhos insondáveis das mentes das classes dominantes incomodadas pela ousadia de um trabalhador, destruir a ele e ao que foi construído durante sua administração, entretanto, é também fundamental impedir a sensação para os setores populares de que ele passe por um “suplício”, uma “tribulação”. Extinga-se o mito, o herói.

O recalque contra o líder operário
Podemos ponderar que nunca o capitalismo brasileiro esteve tão próximo daquilo a que chamamos de desenvolvimento, e que a classe dominante nunca tenha lucrado tanto quanto durante as administrações petistas, mas isso parece neste momento pouco importar. Talvez tudo isso seja como alguns já disseram produto de um “recalque”, termo psicanalítico designado como um “mecanismo através do qual o indivíduo tenta eliminar do seu consciente representações que considera inaceitáveis. É um processo ativo no qual o indivíduo tenta manter ao nível do inconsciente emoções, desejos, lembranças ou afetos passíveis de entrarem em conflito com a visão que o sujeito tem de si mesmo ou na sua relação com o mundo." É, certamente, deseja-se enterrar as lembranças do governo operário, mesmo que para isso seja preciso levar o país ao fundo do poço, e isso, veremos nos próximos anos.






domingo, 15 de novembro de 2015

Realistas e Fundamentalistas (1994)

Fonte: http://obeco.planetaclix.pt/rkurz56.htm

de Robert Kurz


De regresso ao século XVII: a auto-ilusão ideológica       do Ocidente

Na imagem que faz de si mesmo, o Ocidente é um mundo “livre”, democrático e racional, ou seja, o melhor dos mundos possíveis. Do seu ponto de vista, esse mundo é pragmático e aberto, sem pretensões utópicas ou totalitárias. Cada um deve “ser feliz segundo seu próprio modo de ser”, de acordo com a promessa de tolerância feita pelo Iluminismo europeu. Os representantes desse mundo se dizem realistas. Afirmam que suas instituições, seu pensamento e sua ação encontram-se em harmonia com as “leis naturais” da sociedade, com a “realidade” atual. O socialismo, pelo que ouvimos, desmoronou porque era “irrealista”. Junto com o socialismo, foi definitivamente enterrada toda utopia de uma mudança fundamental da sociedade. E os antigos críticos do way of life ocidental agora se acotovelam nas bilheterias do “realismo” para comprarem a tempo seu ingresso na economia de mercado globalizada.
Esse idílio da tolerância e da democracia econômica mundial, no entanto, produziu um novo inimigo. Com a morte do socialismo, entrou em cena o fundamentalismo religioso. O fundamentalismo é feio, muito mais feio do que o socialismo jamais poderia sê-lo. Aos olhos dos ideólogos ocidentais, ele possui feições árabes muito acentuadas. Nos últimos anos, o Pentágono começou a conceber o fundamentalismo islâmico como um substituto para o papel de inimigo histórico. Como nos tempos da Guerra Fria, são subvencionadas na nova constelação mundial todas as forças políticas que se declaram contra o fundamentalismo e a favor do Ocidente, por mais corruptos e cruéis que sejam os regimes à frente de tais forças. Mas o novo cálculo estratégico com que os especialistas ocidentais procuram justificar sua existência insiste em deixar resto. Ao contrário do socialismo, o fundamentalismo não é mais um adversário racional, politicamente definido e previsível em suas ações. Além de não possuir um centro de atividades nitidamente localizável no mundo, ele também não se restringe apenas ao islamismo. Em muitas regiões da África não-muçulmana e em toda a América Latina, seitas fundamentalistas cristãs assumiram nos últimos anos o lugar antes ocupado pelos movimentos socialistas.
A mesma ilusão social do fundamentalismo religioso floresce também nos próprios centros econômicos ocidentais. Foi um choque para os Estados Unidos descobrirem que os responsáveis pelo devastador atentado a bomba em Oklahoma City não eram terroristas islâmicos e estrangeiros, mas sim cidadãos brancos e norte-americanos, adeptos de uma facção ideológica cristã. E quem poderia imaginar que num país como o Japão, considerado o aluno exemplar do sucesso econômico, um movimento radical que prega o final dos tempos, o Aum Shinrikyo comandado por Shoko Asahara, pudesse influenciar tantas pessoas e até aliciar adeptos no Exército japonês?
Os fanáticos religiosos tomam a ofensiva por toda parte. De onde eles vêm? Com certeza não de outros planetas. Vêm justamente do interior do próprio mundo dominado pela economia de mercado. O “realismo” neoliberal, na verdade, conhece muito mal as pessoas. Ninguém mais pode negar que no mundo do liberalismo econômico a miséria social se alastra como um incêndio de vastas proporções. Não apenas no Brasil, mas também em todo o mundo a liberdade e tolerância ocidentais dão provas de um cinismo próprio à “democracia do apartheid”, como bem a denominou Jurandir Freire Costa (Universidade do Rio). Ao mesmo tempo, não é apenas nas favelas que os vínculos sociais são rompidos, mas em todas as classes sociais. Tanto o efetivo processo econômico quanto a ideologia neoliberal tendem a dissolver as relações humanas na economia. O economista norte-americano Gary S. Becker foi laureado, em 1992, com o Prêmio Nobel por desenvolver a hipótese de que todo comportamento humano (até mesmo o amor) é orientado pela relação custo-benefício e pode ser representado matematicamente.
Os “realistas” não têm resposta para a miséria social nem para a miséria das relações e sentimentos humanos num mundo inteiramente racionalizado pela economia; eles apenas encolhem os ombros e passam à ordem do dia imposta pelo mercado. Mas a miséria não pode permanecer calada, tem de encontrar sua própria linguagem. Como porém a linguagem racional do socialismo está morta, o irracionalismo da linguagem religiosa faz seu retorno a uma sociedade confusa  só que agora com uma gramática muito mais selvagem e funesta. O neoliberalismo económico clama “economia de mercado” e faz-se ouvir o eco pseudo-religioso “fim do mundo”. Agora se tornou evidente que o socialismo não era apenas uma ideologia, mas também uma espécie de filtro ético sem o qual a civilização moderna é totalmente incapaz de existir. Privada desse filtro, a economia de mercado sufoca em sua própria imundície, que deixou de ser digerida institucionalmente.
Ao longo de quase 150 anos, até a década de 70 deste século, todo surto de modernização econômica desencadeava simultaneamente uma reação revolucionária da juventude intelectual. A solidariedade aos “fracos e oprimidos” foi sempre um forte impulso à oposição e à crítica radical, inclusive entre a “juventude dourada” das classes mais altas da sociedade. Após a vitória global do mercado, esse impulso extinguiu-se. Os “golden boys e as “golden girls” da era neoliberal querem apenas jogar na Bolsa. A juventude da classe média, numa atitude narcisista, está desmoralizada e deixou de lado o trabalho intelectual. Seu espírito capitulou diante do mercado globalizado. Seja no Egito ou na Argélia, no Brasil ou na Índia, jovens ocidentalizados sonham em ganhar dinheiro como engenheiros ou médicos, jogadores de futebol ou corredores de atletismo; não se sentem mais responsáveis pela miséria social.
E também no Ocidente a classe média mergulha no cinismo social. Na Alemanha, entre certos jovens que conduzem carros de luxo, tornou-se chic um autocolante com os dizeres: “A  sua pobreza desgosta-me” Os intelectuais estetizam a miséria e a exploram comercialmente; os sofrimentos daqueles que passam fome são transformados em publicidade. O temperamento ditado pela lógica do mercado chegou mesmo a criar um “culto à maldade”. Em seu livro sobre o “Renascimento do Mal”, o sociólogo alemão Alexander Schuller afirma: “Não é mais o progresso e a razão que povoam nosso cotidiano e nossa fantasia, mas sim o mal. Desde a queda do socialismo, é possível verificar um aumento empírico da crueldade, e por toda parte impera uma maldade incompreensível”. Mas, se a própria juventude da classe média está moralmente perdida, a base moral para que os filhos dos pobres compreendam sua miséria é ainda mais problemática. Numa pesquisa realizada em Moscou com menores de 14 anos, a maioria dos meninos respondeu que sua “profissão de sonho” é ser “mafioso”, e as meninas, “prostituta”.
O fundamentalismo não supera esse estado de desmoralização, mas apenas lhe dá uma expressão irracional. Quando essa regressão pseudo-religiosa se apodera do último resíduo de uma esperança perdida, deixada pendente e arquivada pela história, a vontade de mudança torna-se o pálido desejo de ser deixado em paz pela economia de mercado, encontrar o caminho de regressso a uma ordem social descansada, e poder se sentar em frente da porta, sem ter de pensar no dia seguinte. O fundamentalismo, porém, não possui um programa de emancipação social, mas apenas um projeto ideológico de pura agressão, resultado aliás do próprio fracasso da emancipação. Todo o seu programa esgota-se num ímpeto agressivo com roupagem religiosa, como na expressão dos jovens favelados de Paris: “J'ai la haine”  tenho ódio. As novas religiões do ódio, sejam elas de origem islâmica ou cristã, são todas de natureza sintética, arbitrária e eclética. Todas têm apenas o nome em comum com as autênticas tradições religiosas a que se remetem. São um subproduto da modernidade decadente das sociedades de mercado ocidentais ou ocidentalizadas. Pelo próprio fato de não oferecerem uma perspectiva histórica, tornam-se uma atraente alternativa de carreira para pequenos e grandes “líderes” que se valem do ressentimento generalizado.
Os representantes da sociedade oficial e os ideólogos do neoliberalismo reagem a essa evolução tentando aliar a lógica de mercado às “virtudes conservadoras”. Os homens devem ser ao mesmo tempo egoístas e altruístas, implacáveis na concorrência e humildes perante Deus, minuciosos no cálculo abstrato de custos e benefícios e ao mesmo tempo moralmente imaculados. Com essa esquizofrenia ética e pedagógica, o pensamento dos próprios “realistas” da economia de mercado transforma-se na mentira dos fundamentalistas: não há como diferenciar uma ideologia da outra. E isso não admira, pois o pano de fundo do fundamentalismo é constituído não apenas pela pobreza, mas também pelo medo da classe média com relação aos pobres. A ilusão pseudo-religiosa constrói seu ninho tanto nas cabeças dos pobres quanto na dos ricos. E a militância social da classe média, sob o disfarce de religião, não é menos poderosa do que a loucura dos pobres. Em seu ensaio “Visões da Guerra Civil”, o escritor alemão Hans Magnus Enzensberger caracteriza essa tendência das “sociedades respeitáveis”: “Cidadãos discretos transformam-se da noite para o dia em hooligans, incendiários, fanáticos raivosos, serial killers e franco-atiradores”.
O fundamentalismo é “realista” e o “realismo” é fundamentalista. Ambos possuem a mesma estrutura ideológica. Ambos falam, como se sabe, do “fim da história”, só que a escatologia do mercado acredita que esse fim já foi alcançado. E ambos se movem nos mesmos meios: os empresários, assim como os pregadores supostamente iluminados, são ávidos por dinheiro e ainda, como os políticos, são ávidos por aparecer na televisão, tal como os “Estados teocráticos” são ávidos pela bomba atómica. Tudo mídias do Ocidente. Os falsos profetas não têm qualquer ideia de uma sociedade diferente; pode se lhes aplicar a idéia formulada pelo sociólogo canadense Marshall McLuhan nos anos sessenta: “O meio é a mensagem”.
Por outro lado, não se pode negar o caráter quase religioso do “realismo econômico. Pois não vimos o presidente George Bush, a exemplo de seu adversário islâmico Saddam Hussein, enviar à frente de batalha o Deus de uma religião militante? E isso não é apenas um simples detalhe. A racionalidade do mercado tem origem religiosa; ela só é racional na medida em que um sistema irracional fechado sobre si mesmo cria sua racionalidade interna. O resultado da história moderna – o mercado total – é o resultado de uma religião secularizada que ganhou forma no protestantismo. Os Estados Unidos, a última potência mundial do mercado mundial, estão impregnados do fundamentalismo calvinista que considera o “fazer dinheiro” um fim em si mesmo. A tolerância ocidental é somente uma forma particularmente pérfida de intolerância, pois o deus do mercado não admite nenhum outro deus além de si mesmo e tolera apenas aquilo que se submete incondicionalmente a seus métodos.
O fim da história é o retorno da história. O início da modernização econômica foi marcado pelas guerras religiosas do século 17. Essa época foi substituída pelo absolutismo, com sua estrutura estatal e mercantilista. Somente no século 19 nasceu o liberalismo do livre mercado. Mas como definir o século 20? Sob o aspecto formal, ele transformou o mercado numa totalidade perfeita, mas não sem provocar crises avassaladoras. Este é o século em que a história começou a voltar-se para o passado. As economias estatais das duas guerras mundiais, o socialismo estatal tanto do Oriente quanto do hemisfério sul e também o keynesianismo do Ocidente (com seus rudimentos de economia estatal) podem ser compreendidos de certa maneira como um regresso à era mercantilista. Hoje, após o colapso de todas as variantes da economia de Estado moderna, o neoliberalismo promete uma nova Era de Ouro para o livre mercado. Mas, se é verdade que a história voltou-se realmente para o passado, uma era totalmente diferente nos acena do futuro. O cientista político norte-americano Samuel P. Huntington diz mais do que imagina ao propor a hipótese de que a época dos conflitos entre ideologias e Estados nacionais será substituída por um “conflito de civilizações”. Qual o significado disso, senão que o processo de modernização econômica – antes de ser definitivamente sugado pelo buraco negro da história – retornará à era da militância religiosa e da Guerra dos 30 Anos?
O neoliberalismo será irremediavelmente arrastado por essa tendência porque sua própria “utopia negra” do mercado total possui um germe de religião totalitária. O socialismo, ao contrário, não se baseava apenas na economia estatal, mas também na idéia de uma sociedade solidária, que sanciona suas próprias leis em vez de seguir princípios irracionais. Se não quisermos que o século 21 se torne uma nova época de guerras religiosas, devemos reformular o socialismo num registro não mais dominado pela economia de Estado. Somente desse modo será possível dar uma nova abertura à história.
Original Realisten und Fundamentalisten in www.exit-online.org. Publicado em Neues Deutschland de 11/12.06.1994. Publicado na Folha de São Paulo de 05.11.1995 com o título A síndrome do obscurantismo e tradução de José Marcos Macedo  

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Solução para o bug da instalação do Elementary Os Freya 0.3.1

Fonte: https://plus.google.com/communities/104613975513761463450
https://plus.google.com/communities/104613975513761463450 
Instale o Elementary Os usando o live CD. Terminada a instalação abra o terminal e digite esses 3 comandos:
sudo add-apt-repository ppa:yannubuntu/boot-repair
sudo apt-get update
sudo apt-get install -y boot-repair && boot-repair

Já no Boot-repair siga esses passos:
1°) Clique na opçõa "advanced options";
2º) Procure a opção "purge grub";
3°) Clique na opção "recommended repair";
4°) Siga as instruções,  e se, tudo estiver certo, você deverá receber uma mensagem de êxito;
5°) Reinicie o computador.
E, finalmente o Grub funcionará perfeitamente.Mensagem de https://plus.google.com/109103177896883454898/posts  em 12/10/2015.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Três mil mulheres negras do RJ marcham contra o racismo, a violência e pelo bem viver

A Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-Rio), do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ) convida para coletiva de imprensa com as organizadoras da Marcha das Mulheres Negras 2015 no dia 09/11. A entrevista será concedida na sede do sindicato, Rua Evaristo da Veiga, 17º andar, no auditório, às 17h.
Cerca de 3 mil mulheres negras do estado do Rio de Janeiro vão marchar contra o racismo, a violência e pelo bem viver, em Brasília, dia 18 de novembro. Sairão cerca de 20 ônibus de todas as regiões do estado, em direção à capital federal. O evento reunirá mais de 20 mil ativistas nacionais e estrangeiras, em uma grande caminhada, na Esplanada dos Ministérios.
Do Rio, partem 23 ônibus com mulheres de Niterói, Cabo Frio, São Gonçalo, Resende, Duque de Caxias, Volta Redonda, Guapimirim, Magé, Petrópolis, Nova Iguaçu, Mesquita, Queimados, Belford Roxo, São João de Meriti, além de Miracema, Campos dos Goytacazes e Itaboraí.
Na capital federal, elas vão se juntar às principais referências do movimento no país e ativistas internacionais, como as americanas Ângela Davis e Bell Hooks. Serão recebidas no Senado e na Câmara dos Deputados e têm audiência com a presidenta Dilma Rousseff. A diretora-executiva da ONU Mulheres, a sul-africana Phumzile Mlambo-Ngcuk também confirmou presença.
Partem do Rio de Janeiro também homenagens à atriz Ruth de Souza, à Mãe Meninazinha de Oxum, descendente da alta linhagem do candomblé na Bahia e responsável por um terreiro em São João de Meriti, à Mãe Beata, que, além de estar a frente de um axé em Nova Iguaçu é escritora, e às Mães de Acari – como ficaram conhecidas as mães das vítimas da chacina.
Representando cerca de 25% da população brasileira (mulheres pretas + pardas), segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres negras vão marchar pela garantia de direitos conquistados, pelo direito à vida e à liberdade, por um país justo e democrático e por um modelo de desenvolvimento baseado na valorização dos saberes da cultura afro-brasileira.
Tudo já foi pautado e reivindicado. A marcha tem caráter declaratório, de reafirmação de nossas necessidades, de nossos pleitos e de urgência nas ações políticas e sociais que efetivamente atendam às mulheres negras do país”, explica uma das organizadoras, a professora e escritora Ana Gomes, do Fórum de Mulheres Negras do Estado do Rio de Janeiro.
A Marcha das Mulheres Negras 2015 acontece no âmbito da Década Internacional dos Afrodescendentes 2015-2024, declarada pela ONU e no mês da Consciência Negra.

Serviço:
Evento: Coletiva de Imprensa:
Data: 09/11 às 17h
Local: SJPMRJ/Rua Evaristo da Veiga, 17ª andar/Auditório.

Informações para imprensa:
Ana Gomes 98277-8390 e Clátia Regina Vieira 97272-7831

Assessoria de imprensa:
Cojira-Rio: 3906-2450

quinta-feira, 14 de maio de 2015

CPI sobre Extermínio da Juventude Negra - Fala de Hamilton Borges, do Reaja



Uma CPI que a mídia tenta tornar invisível. Temos aqui a fala de Hamiltos Borges coordenador do grupo baiano: "Reaja ou Será Morto, Reaja ou Será Morta"

terça-feira, 21 de abril de 2015

Colocar modem Humax HG100R-L2 em modo bridge

Muito simples, acesse o modem, digitando no navegador 192.168.0.1, e digite admin e password.
Acesse a página Wireless e desabilite a Primary Network, passando de On para Off:

 Depois, acesse a página Wireless:

Acesse o link bridging e altere a Wireless Bridging de disable para enable:

Pronto, agora plugue o seu roteador no modem e configure o roteador, mas isso é outra história.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Por um FLISOL exemplar

Fonte: dicas-l

Colaboração: Alexandre Oliva
Data de Publicação: 25 de março de 2015
A premissa fundamental do Movimento Software Livre é a de que software privativo de liberdade é um poder injusto que subjuga seus usuários. Nossa estratégia para resolver esse problema social é informar, conscientizar e inspirar usuários para resistir a esse subjugo, rejeitando software privativo de liberdade, para que essas linhas de negócios deixem de ser atraentes e deixem de fazer vítimas.
Para formar resistência suficiente, precisamos difundir os valores, princípios, objetivos e estratégias do Movimento Software Livre. Objetivos e estratégias podem até ser ensinados e aprendidos com palavras: manifestos, artigos, palestras e debates. Mas para ensinar e aprender valores e princípios, exemplos falam muitíssimo mais alto que palavras. Com que exemplos o FLISOL da sua cidade vai ensinar os valores e princípios do Software Livre?
Um visitante que tenha levado seu computador a uma sede do Festival Latinoamericano de Instalação de Software Livre, para experimentar Software Livre, pode assistir ou não às palestras, mas seguramente espera sair do evento com Software Livre instalado no computador. Não necessariamente GNU/Linux-libre, pois há outros sistemas operacionais Livres, nem mesmo um sistema operacional, pois o que normalmente importa aos usuários são os aplicativos. Cumpre a nós, do Movimento Software Livre, utilizar essa oportunidade para, além de instalar Software Livre na máquina, preparar o usuário para nos ajudar na resistência ao software privativo de liberdade, compartilhando as ideias do movimento. Essencial para que isso funcione é se comportar de modo compatível, pois palavras ensinam valores menos que o exemplo.
As mais populares distribuições de GNU/Linux não estão alinhadas com o Movimento Software Livre, pois oferecem e instalam software privativo de liberdade. O problema mais comum são controladores privativos (drivers ou firmware) para componentes de hardware com especificações secretas. Os fabricantes desses componentes pretendem mantê-los incompatíveis com a liberdade do usuário, dificultando o desenvolvimento de Software Livre que cumpra função equivalente.
Informar usuários sobre essa incompatibilidade é essencial, para que melhor compreendam a raiz e origem do problema e possam levar isso em conta quando forem comprar seu próximo computador. Certamente instalar uma distribuição que busca esconder esses problemas dos usuários não ajuda a informá-los, por isso mesmo parabenizo a iniciativa da petição para que o FLISOL deixe de instalar Ubuntu, bem como a adoção de recomendação nesse sentido pela coordenação nacional brasileira e por várias sedes. Começar por reduzir a maior transgressão é um ótimo primeiro passo! Mas não chega a resolver o problema de coerência do FLISOL com o Movimento Software Livre.
Para um novo usuário, a instalação de uma distribuição 100% Livre pode muito bem funcionar 100%, mas do contrário abrirá caminho para explicar o problema do hardware incompatível com a liberdade. É óbvio que a notícia da incompatibilidade será desapontadora para muitos visitantes, e muitos instaladores podem ficar de coração apertado se não "ajudarem" o visitante a instalar blobs e drivers privativos de liberdade exigidos pelo hardware, ou plugins "necessários" para que distribuidores de obras autorais de entretenimento tomem o controle do computador do visitante. São dilemas sem solução favorável: é preciso decidir entre comunicar que algum software privativo de liberdade é aceitável e até desejável, ou arriscar afastar um usuário ao mostrar a importância da resistência firme ao software privativo de liberdade.
Se uma oferta para instalar aplicativos Livres no sistema operacional privativo já instalado não empolgar, orientação sobre as possibilidades de substituir os componentes incompatíveis pode ajudar um pouco e dar um bom exemplo da importância da resistência. Por outro lado, oferecer software privativo de liberdade para fazer o componente funcionar pode até parecer ajudar mais, mas transmite exatamente a mensagem contrária à necessária para formar a resistência ao software privativo de liberdade. Mesmo uma visível hesitação pode parecer descaso ou hipocrisia se a ação contrariar os princípios.
Afinal, se instalar software privativo em quantidades cada vez maiores fosse a solução do problema de componentes de hardware incompatíveis com a liberdade, por que parar no firmware, ou nos drivers? Num computador com Boot Restrito, daqueles que impedem a iniciação de sistemas operacionais alternativos, o software privativo necessário para fazer um GNU/Linux funcionar é o Windows, inteiramente privativo, e um ambiente de execução de máquinas virtuais, igualmente privativo.
Mas ninguém (além da própria Microsoft, suponho) pensaria em instalar Windows num festival de instalação de Software Livre. Por que, então, instalam-se tantos outros programas privativos no FLISOL? Não são eticamente melhores que o Windows! O receio de que, sem eles, o usuário volte ao software privativo é medo d'"A volta dos que não foram": usando GNU/Linux com blobs, o usuário jamais terá deixado a escravidão do software privativo de liberdade, no máximo terá mudado de feitor. Na liberdade, como na segurança, é o elo mais fraco da corrente que se rompe e põe tudo a perder.
Uma conversa franca e honesta com o usuário fará muito mais pelo Movimento Software Livre que instalar uma distribuição com componentes privativos, ou mesmo que instalar uma distribuição 100% Livre que não funcione bem no computador incompatível. Afinal, o visitante seguramente poderá encontrar na Internet receitas para instalar o software privativo de liberdade que fará o componente funcionar. Porém, graças às ideias da conversa e ao bom exemplo observado, entenderá que sua decisão é pessoal, que ninguém deve tomá-la em seu lugar, e que trata-se apenas de um sacrifício temporário de sua própria liberdade, até que uma solução esteja ao seu alcance. Bons exemplos, conselhos e ideias ajudarão a manter o usuário no caminho para a liberdade, mesmo que seja longo e árduo.
Mas se, ao invés de receber um exemplo firme e fundamentado de resistência ao software privativo de liberdade, o visitante observar seu mentor e seus pares oferecendo e preferindo instalar software privativo de liberdade, tenderá a se tornar mais um multiplicador da contracultura do Software Livre. Tampouco hesitará em instalar distribuições com software privativo de liberdade, em decidir por outros quais liberdades sacrificar e em se opor às sugestões e aos pedidos de que futuros FLISOLis se comportem de forma compatível com o Movimento Software Livre. Com seu exemplo e atitude, propagará sua resistência às nossas ideias, dificultando ainda mais a formação da resistência ao software privativo de liberdade.
Muito menos importante que o software instalado é a mensagem transmitida pelo FLISOL. Porém, o software ofertado e instalado, enquanto exemplos, são parte importantíssima da mensagem, pois quando palavras e exemplos são contraditórios no ensino de valores, com maior frequência prevalecem os exemplos. Então, com que exemplos você vai ensinar, no FLISOL da sua cidade, os valores e princípios do Movimento Software Livre? Com que exemplos vai reforçar a necessária e urgente resistência ao software privativo de liberdade? Como vai motivar o FLISOL a adotar, como mais uma de suas regras internacionais, os bons exemplos de resistência ao software privativo de liberdade, para que deixe de minar nosso movimento e nossa resistência e se torne um Festival Latinoamericano de Instalação de Software Livre Mesmo, um FLISOL exemplar?
Copyright 2015 Alexandre Oliva
Cópia literal, distribuição e publicação da íntegra deste artigo são permitidas em qualquer meio, em todo o mundo, desde que sejam preservadas a nota de copyright, a URL oficial do documento e esta nota de permissão.
<http://www.fsfla.org/blogs/lxo/pub/flisol-exemplar>

"Babilônia" e a ânsia golpista


Mesmo as pessoas mais conservadoras hão de reconhecer a postura oposicionista, e em alguns momentos golpista, da Rede Globo de Televisão, frente ao governo atual.

É verdade que vivemos um momento difícil, com ameaças inflacionarias, dificuldades de gestão governamental, atritos entre o Legislativo e Judiciário, Operação Lava-Jato, etc. Entretanto, as instituições democráticas estão em funcionamento, a sociedade civil se manifesta livremente e para as questões aventadas, soluções vêm sendo discutidas e colocadas em prática.

Recentemente, o referido canal de televisão colocou no ar a novela "Babilônia", envolvida em tramas das mais cabeludas que se possa imaginar. Lembra os momentos mais decadentes das sociedades humanas. 

Creio que, não precisamos assinalar aqui o conteúdo de tais tramas, em função de variados artigos das mais variadas mídias já as terem elencado.

 Neste sentido, qualquer pessoa que tenha um mínimo conhecimento bíblico sabe o significado que é atribuído a palavra “Babilônia” na perspectiva judaico-cristã, qual seja, o reino da devassidão.

Parece mesmo existir, por parte da Globo, uma intenção deliberada de criar e corroborar através de sua novela um determinado caos político, econômico e social. 

Colocar, por conseguinte, uma novela no ar que traz o retrato de uma sociedade decadente e amoral, com sérios problemas de corrupção e quebra de valores de todo o tipo em uma conjuntura extremamente conservadora como a que estamos vivendo nos faz pensar que talvez o objetivo inconfessável da emissora seja despertar, fortalecer e potencializar a ânsia golpista de determinados setores.

A questão homoafetiva e as demandas homossexuais se colocam então como mais um elemento deste processo.

Mostrar o beijo de duas senhoras de idade em uma novela com tantos traumas e contradições certamente não ajuda a causa homoafetiva, pois, pelo contrário, acaba soando como mais um elemento conformador da “Babilônia” atual, criada, montada e ratificada pelo canal de televisão.

Por outro lado, atinge diretamente a esquerda como um todo, porquanto tenta articular este caos às demandas das minorias, pauta presente nos programas dos movimentos progressistas.



sábado, 21 de março de 2015

"Negar a luta de classes é negar a realidade", diz Mujica

 
Pregando a união da América Latina e atacando o consumismo, o ex-presidente uruguaio alerta para os novos métodos da direita
por Igor Carvalho e Vinicius Gomes, da Revista Fórum — publicado 14/03/2015 12:29, última modificação 14/03/2015 
 
 
Após vinte e cinco minutos de viagem até a periferia de Montevidéu, uma pequena rua de terra se revela e corrobora o mito da simplicidade de seu morador mais ilustre. Manuela corre como se tivesse quatro patas, ignorando que uma é inválida. Na frente de um galpão, abastecido com material de construção, há dois grupos.
O primeiro se forma em torno do cineasta sérvio Emir Kusturica. Ele grava um documentário sobre a vida de nosso anfitrião, que se chamará O último herói. O diretor, arredio, reconhecido e premiado em todo mundo, parece um anônimo caminhando pela chácara, sem ser incomodado.
Já o segundo grupo está animado, são funcionários do ex-guerrilheiro de um dos mais importantes movimentos da história da América Latina, o Tupamaros. Um dos homens se afasta da reunião e anuncia: “O presidente já vai receber vocês”.
Ele atrasa vinte minutos em relação ao horário marcado, estava ajudando na obra da escola agrária que será erguida em seu terreno. Vestindo uma calça de agasalho da seleção uruguaia e uma chuteira de futebol de salão, nos convida para sentar na frente de sua casa.
Nos sentamos em um banco feito por internos de um hospital psiquiátrico de Montevidéu, todo ele ornado com tampas de garrafas de refrigerante. O mesmo assento e espaço foi ocupado três dias antes, sob as mesmas condições, pelo rei da Espanha, Juan Carlos, que passou a tarde com o ex-presidente.
No fundo da casa, a última das lendas se confirma. Está lá o automóvel azul, um dos poucos patrimônios do ex-mandatário uruguaio, seu Fusca. Ele defende a propriedade. “Por que eu vou querer andar mais rápido que 80 km/h? É um perigo. Não há impostos [do carro]. Por que andar mais rápido? Se vou morrer do mesmo jeito, que pressa eu tenho?”
José Alberto Mujica presidiu o Uruguai de 2010 até o último dia 1º de março. Dois dias depois foi empossado como senador. Aos 79 anos, caminha com a tranquilidade de quem saiu do governo com 65% de aprovação e trouxe a mídia do mundo inteiro para dentro do país.
Pelas ruas do Uruguai, já é tratado como um mito. “Ele é maior que o Papa”, diz um entusiasmada garçonete. Para uma jornalista, “toda utopia se torna verdade na boca de Mujica”. Na posse de seu sucessor na presidência uruguaia, Tabaré Vázquez, bandeiras da Colômbia, Argentina e Brasil com os mesmos pedidos, que Mujica “assuma” os países vizinhos. “Estou aqui porque ele nos inspira a querer ter uma vida mais humana, combatendo o capitalismo e ajudando os mais pobres”, afirma a mulher que carrega a bandeira do Chile.
Em entrevista exclusiva à Fórum, Mujica dispara contra o consumismo e mostra como se tornou um dos grandes oradores contemporâneos, com discursos que arrebatam a juventude pelo mundo.
“Quando você vai comprar algo, não paga com dinheiro, paga com o tempo de sua vida que teve que gastar para ter esse dinheiro. Todavia, se tem muito dinheiro, tem que gastar tempo em controlá-lo e [cuidar para] que não te roubem. E, ao final, és um pobre escravo que já não tem tempo para viver”, filosofa o ex-guerrilheiro, que se casou com uma companheira de luta, hoje senadora pelo Uruguai e favorita às eleições municipais de Montevidéu, Lucía Topolansky.
Mujica, que ficou preso por 14 anos durante a ditadura militar uruguaia, empreendeu durante seu governo mudanças profundas no sistema do país. O agora senador conduziu o Uruguai para a esquerda e tornou possível a concretização de pautas históricas relacionadas a direitos civis, como a despenalização do aborto, a regulamentação da produção e venda da maconha, a Lei de Meios e o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
“Reconhecemos o matrimônio igualitário porque acontece em todo mundo e é estúpido não reconhecê-lo. Tratamos de combater o narcotráfico pela via da regulamentação do mercado, não que estejamos de acordo com o consumo de droga. Porém, pior que a maconha, é o narcotráfico... Esse critério, tratamos de abrigar em todas as políticas, reconhecer a realidade, por mais que não te agrade, porque reconhecê-la é tratar de retirar os efeitos negativos que aquela realidade pode ter. Olhe, isso nem é de esquerda, isso deveria ser o senso comum”, afirma Mujica.
Confira, na íntegra, a entrevista com o líder político uruguaio, que faz parte do "Bora para o Uruguai", projeto que viabilizou a viagem de Fórum ao país com o apoio de leitores da publicação.
Ouvimos de uma jornalista, aqui em Montevidéu, que “o que é utópico, na boca de Mujica, parece ser verdade”. O que é a utopia para você?A utopia é um caminho. É como uma luz no horizonte que nos ajuda a percorrer esse caminho, e eu diria: que caminho longo... Porém, é um caminho a ser feito. Não podemos esquecer dela, mas a vida concreta não é utopia, é luta. Não devemos substituir a luta tendo como consolo ser fiel à utopia, porque, senão, terminamos sendo charlatões.
Qual é o papel de Lucía Topolansky em sua vida, como companheira e como personagem política no Uruguai?O que acontece é que o amor tem idade nos seres humanos. Quando se é jovem, é possível que seja uma paixão, quando se está envolvido na luta e ela é muito dramática, o amor também é um refúgio. Na minha idade, o amor é uma luta cotidiana. É difícil viver sozinho. Mas minha companheira também é militante e também está comprometida [com a política], pois, ao contrário haveria dificuldades. É difícil uma vida de um militante se a outra pessoa que compõe sua vida não o acompanha ou não tem compromissos sociais.
No mundo inteiro há uma crise de representatividade de figuras e partidos políticos, mas isso não ocorre com a sua figura, que as pessoas querem tão bem. Por que acha que isso acontece?Acho que uma explicação simples é que a república apareceu no mundo para negar o direito divino da monarquia e o direito de sangue da nobreza. A república veio para dizer que, basicamente, todos os homens são iguais. E que, como tal, temos as mesmas possibilidades e os mesmos direitos.
Porém, dentro da república, se repetem algumas ações que são de outra época. Então, a presidência tende a se assemelhar um pouquinho à monarquia: tem o tapete vermelho, tem uma corte, tem um mecanismo que a cerca. E isso é um incentivo para o presidente e a alta hierarquia do Estado viverem – sem se dar conta – de forma diferente de como vive a maioria daqueles que eles lideram. Desta forma, cria-se uma distância. Começam a viver como a minoria, como a minoria privilegiada. E essa distância, no modo de viver, nos costumes e das relações, o povo as nota, o povo as percebe quase que subjetivamente. Começa o descrédito e o “não acreditar” [nas instituições políticas]. Isso é muito perigoso, porque o homem é um animal utópico. No DNA do homem, está inscrita a necessidade de acreditar em algo.
Por que lhes digo isso? Em todas as cidades, em todas as épocas, em algum momento, os homens inventaram alguma religião para crer – e não há utopia maior que a religião. Isso você vai encontrar em todos as partes do mundo e em todas as épocas. Na sociedade moderna, quando as pessoas começam a ser pressionadas pelo mercado e não creem naqueles que as governam, não querem outra coisa a não ser o refúgio individual, com cada um pensando em si próprio e os demais não importando. E esse é o trunfo do egoísmo: a falta de credibilidade acaba por acentuar o egoísmo das pessoas. Perde-se o mínimo sentido de solidariedade e produz-se esse flagelo que é a sociedade moderna, que possui uma riqueza como nunca antes, e mesmo assim, ainda não tem nada para compartilhar.
Creio que privilegiamos demais a ideia de que a troca material determina a mudança do homem e não temos dado o papel devido à cultura e aos costumes nessa batalha. Até podemos ter um pensamento socialista ou socializante, porém, seguimos tendo uma cultura de conduta capitalista, da qual não damos conta. Nesse terreno, a disputa não está estabelecida, então nos movemos em uma sociedade de mercado e aqueles que estão contra isso, estão contra apenas do ponto de vista conceitual, pois suas vidas estão [nesse sistema] como se fosse em uma teia de aranha. Se você tem filhos, mas seus filhos veem que seus amigos ganharam brinquedos novos, isso vai te pressionar.
O senhor nos disse agora que "toda pessoa tem que crer em alguma coisa". No que o senhor crê?Eu creio na vida. E, ao crer na vida, creio na necessidade de gastar a maior parte de energia possível para favorecer a vida dos demais. Isso é uma forma utópica de lutar contra a morte. Quero lutar para que os que ficarem tenham um destino melhor do que nós tivemos. Mas, no fundo, provavelmente, o que fazemos traz o desejo de deixarmos algo de nós no destino de nossos irmãos. Quando dizem que eu sou um "presidente pobre", não sou. Sou sóbrio em minha forma de vida, pobre é quem precisa de muito. Esse é pobre. Levo minha vida como na definição de Sêneca.
E sobre o culto a sua imagem, o que pensa?Hoje, na sociedade, tudo tende a ser midiático, pelo menos o que é diferente. Isso se difunde porque meu comportamento é distinto em relação ao que fazem os outros, então chama a atenção. Mas isso pode ser muito perigoso, se alguém passa a levar a sério e acredita que pode tirar vantagem disso. Na realidade, isso reflete um problema que está ocorrendo no mundo. Você encontra um tipo raro que se torna presidente, mas vive como vive a parte maior de seu povo. Isso chama a atenção e se torna uma doença. O que deveria chamar a atenção é como vivem os outros, porque isso não é republicano, isso é de sociedade aristocrática.
Acredita que a luta de classe é ainda o estruturante do capitalismo?A luta de classes é como o sol e como as estrelas. Negá-la é negar a realidade. As classes sociais estão em toda a parte. Como a encaramos, tem muito a ver em como se segue um filme, como se segue o desenvolvimento da vida. Particularmente, creio que na América [Latina] estamos em uma etapa de liberação. O que significa a "liberação"? Tirar o nosso povo da pobreza e ter sucesso em uma margem da cultura, conhecimento e capacitação. Isso não significa superar as classes sociais, significa preparar o terreno. Não acredito que podemos criar sociedades mais justas a partir de países pobres e massivamente analfabetos – apesar de sabermos escrever, o que digo é com uma cultura muito rudimentar. O que não significa que, se um país for rico e tiver massificado o conhecimento e a cultura por toda uma juventude, vamos construir uma sociedade melhor. Não. Precisa-se de outras coisas.
Posso ser mais claro: as tentativas de se construir países socialistas a partir de países pobres, em minha humilde opinião, demonstraram que são utópicas e impossíveis – mais que utópicas, são quiméricas. Mas isso nós não sabíamos, tivemos que tentar. Por isso, digo que a América Latina está em uma etapa de liberação. Isso significa que temos que apoiar o ingresso da população, incluindo os setores da burguesia, pois precisamos de desenvolvimento, necessitamos de meios materiais. O reforço universitário nós temos que multiplicar por cinco, por dez. Não devemos trancar a economia. Mas não pensemos que só porque a economia pode prosperar, teremos uma sociedade melhor. Enquanto estivermos sendo orientados pelo mercado, estamos perdidos. Pois bem, fizemos nossa parte. O socialismo em um país pequeno como o Uruguai é algo mais que quimérico.
E quanto a essa palavra que agora se usa em toda parte: austeridade?Não, não quero mais usar essa palavra. Sou sóbrio. Porque deixar muitas pessoas sem trabalho na Europa é ser austero. Não, austeridade eu não uso mais, porque mata as pessoas de fome, as deixa sem trabalho... Isso não é austeridade. Isso é outra coisa, é miséria. O que é o conceito de sobriedade? É consumir o necessário. É andar sem acúmulos. É ter poucas coisas e não se deixar arrastar pela propaganda de mercado. Para que? Para tentar ter disponível a maior quantidade de tempo para gastar nas coisas que ainda me motivam. Se consumo muito, se fico comprando permanentemente coisas novas, tenho que ganhar muito dinheiro, e para ganhar esse dinheiro estou pagando com meu tempo de vida. Quando você vai comprar algo, não paga com dinheiro, paga com o tempo de sua vida que teve que gastar para ter esse dinheiro.
Ser sóbrio é lutar para aproveitar aquilo que chamamos de liberdade. Você só é livre quando faz coisas que te agradam e te motivam. E não são livres quando tem que trabalhar para fazer frente às necessidades materiais – se você as torna infinitas, é infinito o tempo que terá que trabalhar. Todavia, se tem muito dinheiro, tem que gastar tempo em controlá-lo e [cuidar para] que não te roubem. E, ao final, és um pobre escravo que já não tem tempo para viver. Deve-se gastar tempo para fazer as coisas que se gosta. Para uns pode ser jogar futebol, a outros pode ser ir à praia, ou trabalhar com árvores, namorar... Isso é liberdade, mas para isso tem que se ter tempo.
Parece mentira isso? O capitalismo luta para lhe roubar todo o tempo, e o que rouba é seu tempo de vida. Você tem que melhorar a produtividade, aumentar o rendimento de trabalho, existe a competividade, e por aí vai. Então, o que [o capitalismo] quer é que termine sendo um velho que gastou a vida toda trabalhando e consumindo. E nós não devemos lutar por uma utopia de que em algum dia teremos uma sociedade melhor, temos que lutar para que as pessoas vivam mais felizes hoje, não dentro de 50 anos. Que vivam mais felizes hoje, e para isso tem que ter tempo.
Não digo que as pessoas não tenham que trabalhar, pois quem não trabalha está vivendo às custas de outro que trabalha. O que quero dizer é que a vida não é somente para trabalhar e o que o capitalismo quer é que a vida seja para trabalhar, consumir e tchau. E nós devemos lutar para que a vida seja a mais feliz possível, pois é a única que se tem. Este é um terreno que entra na filosofia e, porque somos de esquerda, não podemos ter a filosofia deles, de que a vida é só para produzir, trabalhar, consumir e se enterrar. Não. Há uma margem para trabalhar, por isso o conceito de sobriedade implica aprender a andar com a bagagem leve. Não me fazem comprar qualquer coisa.
Eu uso um Fusca. Por quê? Por que eu vou querer andar mais rápido que 80 km/h? É um perigo. Não há impostos [do carro]. Por que andar mais rápido? Se vou morrer do mesmo jeito, que pressa eu tenho?
Qual o balanço que o senhor faz desses cinco anos na presidência do Uruguai?Fizemos muitas coisas. Porém, hoje, há ainda 0,5% das pessoas na miséria. Isso dito assim, são só números, mas atrás dessas cifras há vidas humanas. Pudemos fazer muitas coisas que avançaram nos direitos sociais, conseguimos ampliar as liberdades. Reconhecemos o matrimônio igualitário, porque acontece em todo mundo e é estúpido não reconhecê-lo. Tratamos de combater o narcotráfico pela via da regulamentação do mercado, não que estejamos de acordo com o consumo de droga. Porém, pior que a maconha é o narcotráfico. A maconha é perigosa se consumida em excesso, por isso é necessário tê-la regularizada e não ter o consumo clandestino.
Vou ser mais claro: se eu tomo dois ou três uísques por dia, não será bom, mas é suportável. Agora, se tomo uma garrafa por dia, vou morrer de coma alcoólico. Esse critério, tratamos de abrigar em todas as políticas, reconhecer a realidade, por mais que não te agrade, porque reconhecê-las é tratar de retirar os efeitos negativos que aquela realidade pode ter. Olhe, isso nem é de esquerda, isso deveria ser o senso comum.
O governo uruguaio priorizou as relações com os países da América do Sul. Porque acredita que devemos priorizar essas parcerias aos acordos com Europa e EUA?Nós vivemos muito tempo mirando os EUA e a Europa, sem olhar para nosso continente. O mundo está se confirmando como um sistema de muitas unidades reunidas. A Europa está em crise, mas ainda mantém um bloco forte. A China é um velho Estado multinacional. Os EUA seguem sozinhos, porém, com uma terra prometida quase vazia ao lado, que é o Canadá. Nós, os latino-americanos, se queremos ter algum peso nesse mundo que vem, temos que nos dar conta de que individualmente não vamos a lugar algum – mesmo países grandes como o Brasil, sozinhos, não vão ter sucesso. Por quê? Porque chegamos muito tarde.
Se nós todos [países da América do Sul], para tratar de equilibrar esse mundo, não temos como estabelecer com políticas federais uma aproximação que nos permita desembocar em um desenvolvimento comum, vai ser muito difícil negociar com essas potências. No mundo que está por vir, não há lugar para os fracos. Para que haja menos fracos, não há outro caminho, temos que nos juntar. Nós, juntos, temos muitas possibilidades, muitos recursos, muitas promessas, mas não somos uma realidade. Já passou da hora de pensarmos como continente integrado, de pensarmos como um único país, não podemos nos acomodar. Se não existe vontade política nos governos, jamais vamos construir uma sociedade mais justa. Mas esse é um tema muito complicado. Os governos estão preocupados com quem ganha a próxima eleição e as alianças para que isso seja possível, enquanto no momento de discutir temas em comum somos muito fracos.
O senhor entende que há um avanço da direita e uma onda de movimentos golpistas na América do Sul?O que há é uma nova tecnologia que está movendo a direita imperialista no mundo, com uma doutrina que busca, por métodos civis e não violentos, desestabilizar a situação dos governos. Isso tem se aplicado contra qualquer governo que se mostra medianamente progressista. Essa é uma nova forma de luta que a direita tem encontrado, na qual utiliza reivindicações próprias da esquerda tradicional e seus métodos para trocar o governo que não lhe agrada. É um tema difícil.
Em 1986, o ex-presidente [Julio] Sanguinetti disse que os tupamaros não tinham futuro político e nem possibilidades eleitorais, que o passado da organização não permitiria uma aceitação popular. Hoje, podemos dizer que ele se equivocou?Temos que perguntar a ele [risos]. Filho, às vezes, nós de esquerda, nos equivocamos também. Ninguém tem a palavra santa, viu? Ninguém. A vida é muito mais complexa do que parece. Havia um sábio da política de sua época que dizia assim: “Na política, não se escreve nada, se fala pouco e se pensa muito”. Verdade. Eu reforçaria, não se escreve nada [risos].
O que faria o senhor pegar em armas, hoje?Penso que nada. Hoje, devemos pensar se há guerras justas e injustas. O avanço tecnológico, essa disparada tecnológica no mundo de hoje, em favor da guerra, leva a sacrifícios enormes uma série de pessoas que não tem nada que ver com essa guerra. Há um terror tecnológico, um aparelho que lhe permite matar as pessoas sem sequer conhecê-las, à distância, e ainda lhe dão créditos por heroísmo. Não estou afirmando que não temos que lutar. Há outra forma de luta e temos que nos dar conta. Afirmar isso contra a guerra não é cair em um “pacifismo de pomba branca”, não. Se trata de não perder vidas. Há maneiras distintas de se usar a rebeldia e a inconformidade humana para a luta, sem ser pela via armada, e que são enormemente questionadoras.
O que o tempo preso mudou em sua vida e como viu o mundo aqui fora quando saiu?Mudou o mundo, mudou o tempo e, até hoje, há mudanças. Quando saímos da prisão, concluímos que seria pueril continuar com o movimento armado e clandestino, pareceria uma provocação estúpida. Por cima de todas as coisas, vale pouco o que nós pensamos se as pessoas não entendem, porque toda decisão que tomamos na vida política precisa que as pessoas estejam próximas. Se as decisões e caminhos que escolhemos nos afastam das pessoas, estamos fracassados, por mais heroica e romântica que possa parecer nossa luta. Então, decidimos entrar para a legalidade e jogar as regras do jogo. Penso que não nos equivocamos, porque, se estivéssemos errados, não chegaríamos onde hoje chegamos.
Acho que mitigamos muitas das misérias de nossa sociedade, muito tem que ser feito ainda, mas se tivéssemos continuado com nossas convicções, hoje seríamos um grupo de velhos filósofos debatendo no café e falando de histórias do passado. Não podemos viver de história, o ontem serve para pensar que caminho faremos amanhã, mas é amanhã que a vida se joga.
Como foi possível realizar uma revolução de costumes no Uruguai, com tantas mudanças profundas?Se olharem para a história do Uruguai, vão ver que somos um povo aberto a mudanças. Em 1914, regularizou-se a prostituição. Muito cedo, se estabeleceu o divórcio por vontade da mulher. O Uruguai é o país mais laico de toda a América Latina. Aqui também se fundou muito cedo uma universidade feminina, que estimulava as famílias para que mandassem suas filhas para estudar. Então, estamos acostumados com mudanças e avanços progressistas.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Onde estão os negros e brancos deste país: um retrato do extermínio negro

                                           A vitória de Eduardo Cunha, uma derrota para todos os excluídos


Acima, só há brancos,  e representam o pior em termos de representação política deste poder cristalizado há séculos, com o seu conservadorismo tentarão sabotar as recentes conquistas dos setores populares e assim ampliarão o terror que hoje nos aflige.

Enquanto isso, abaixo mais uma vítima do genocídio da população negra. 
Neste caso, percebemos uma herança da lei de terras de 1850, e uma dívida incomensurável advinda de uma abolição construída a partir dos interesse dos grandes proprietários de terras e que se concretizou na negação aos negros do acesso à terra, e com isto, à um mínimo de dignidade humana.

Bebê é morto em chacina

Criança foi vítima de bala perdida disparada por grupo que matou três jovens em São Paulo

O Dia
São Paulo - A menina Manoela Costa Romagnoli, de 10 meses, e três adolescentes foram mortos a tiros na madrugada de segunda-feira no bairro de Limoeiro, na Zona Leste de São Paulo, por encapuzados que estavam num carro e numa moto. Um jovem de 19 anos levou 15 tiros, mas sobreviveu.







Manoela foi atingida por um tiro quando estava no colo d e seu pai
Foto:  Reprodução

Segundo testemunhas ouvidas pela polícia, Gabriel Silva Soares, de 14 anos, conversava na praça de Limoeiro com os irmãos Mateus Lemos Cordeiro, de 15 anos, e Edvan Lemos Cordeiro, e com o outro rapaz quando os assassinos chegaram. Os quatro foram surpreendidos, não tiveram tempo de escapar e foram baleados.
Uma das balas atravessou a parede de madeira e atingiu a cabeça do bebê, que dormia no colo do pai, na sala da casa. A mãe da criança, a dona de casa Tatiane Costa Romagnoli, disse que, quando ouviu os tiros, gritou para o marido se jogar no chão. “Mas ele já apareceu gritando com a neném no colo”, afirmou ela.

Uma testemunha, cujo nome não foi divulgado, contou na manhã de ontem aos policiais que viu pelo menos sete homens encapuzados. Segundo ela, o grupo deixou os veículos e caminhou em direção aos jovens atirando.

Um dos rapazes tentou escapar correndo em direção à casa da família de Manoela. Ele foi perseguido e assassinado, e uma das balas disparas pelos assassinos acabou matando a criança.

As primeiras investigações da polícia na manhã de ontem não conseguiram confirmar nenhuma causa para a chacina. Não há indicação de que as vítimas tivessem envolvimento com criminosos da região. O rapaz que sobreviveu não morava no bairro. Segundo a mãe dele, que pediu para não ser identificada, na noite de domingo ele foi a Limoeiro encontrar uma garota. Ela não soube informar se ele conhecia os jovens que foram assassinados. A polícia espera sua recuperação para tentar alguma pista dos criminosos.

Nesta segunda-feira , o sobrevivente foi operado no Hospital do Tatuapé, também na Zona Leste. Segundo a mãe dele, os tiros atingiram suas pernas, mas ele perdeu muito sangue, e seu estado era considerado grave pelos médicos. Além dele, outro dos baleados foi levado à unidade, mas não resistiu. As outras duas vítimas morreram no Hospital de Ermelino Matarazzo, para onde foram levados numa van por um morador de Limoeiro.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Como reagir a uma abordagem policial?

Fonte: pragmatismo.jusbrasil

Uma cartilha elaborada pelo Programa de Apoio Institucional às Ouvidorias de Polícia e Policiamento Comunitário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, ensina como se portar quando for abordado pela Polícia Militar. Tendo em vista os recentes abusos policiais, o “guia do enquadro” gerou repercussão nas redes sociais.
A cartilha reforça quais são os direitos e deveres do cidadão considerado suspeito pela Polícia Militar. Para que a abordagem não se torne uma grande crise, recomenda-se não correr, deixar as mãos visíveis, evitar movimentos bruscos, não tocar no policial, não fazer ameaças ou falar palavras ofensivas.
O que grande parte da população e até os próprios policiais desconhecem é que algemar o suspeito não é uma necessidade. Na verdade, um cidadão não pode ser algemado se ele não estiver violento ou tentando uma fuga. Outros direitos importantes são a possibilidade de pedir para um não policial ser testemunha em caso de revista e de só se submeter a isso caso o oficial seja do seu mesmo sexo.
Confira outras informações na cartilha:


Ato “461 anos de genocídio” vai protestar contra assassinatos de negros e pobres


Não há fato mais importante na história brasileira atual do que o genocídio da população negra. O absurdo número de mortes e a total insensibilidade da elite dominante chamam atenção. A mobilização da população negra e de setores simpatizantes à causa toma ares heróicos diante do quadro vigente. Falta-nos uma política de valorização e dignificação da vida humana e isto parece fora dos planos do governo tendo em vista a retomada de medidas neoliberais e da desconstrução do exíguo estado do bem estar que vínhamos construindo nos últimos anos. A alteração de direitos sociais nos levará a um crescimento dos números desta tragédia, em nada inevitável.


Fonte: racismoambiental



Ato será no próximo domingo, quando a cidade de São Paulo comemora 461 anos, em  protesto contra a morte sistemática de jovens negros e pobres
Por Claudia Belfort, em Ponte
O evento não está na programação oficial do aniversário de 461 anos da cidade São Paulo ( 25/01), mas foi marcado justamente em função da efeméride. O ato “461 anos de genocídio”, que acontece no próximo domingo, na Praça da Sé, centro da capital, pretende debater e protestar contra a morte sistemática de jovens negros (pretos e pardos) e pobres em São Paulo e no Brasil. Vai também questionar o conceito de que existe uma democracia racial no País e denunciar dois pontos do genocídio: a letalidade policial e o encarceramento em massa.
Os homicídios, de acordo com o Mapa da Violência 2014 , são a principal causa de morte de jovens de 15 a 29 anos no Brasil, a maioria negros (pretos e pardos), do sexo masculino, moradores das periferias e áreas metropolitanas dos centros urbanos.
Apenas em 2012 (dados mais recentes), dos 56.337 assassinados no País, 53,37% eram jovens, sendo 77% negros e 93,3% do sexo masculino.
“Existe uma atuação do Estado sistemática de precarização da periferia, onde moram majoritariamente os negros, nordestinos e pobres e você tem também uma atuação da polícia de assassinato contra essa população. É uma política de extermínio que vem desde a época dos bandeirantes”, afirma Willians Santos, sociólogo e um dos organizadores do ato. E completa: “o encarceramento em massa é uma forma moderna da escravidão, é muito mais interessante encarcerar, porque para o Estado custa menos do que garantir os direitos a esses jovens”.
Em artigo publicado recentemente aqui na Ponte , César S. Pereira, articulador do Plano Juventude Viva (SP), vai na mesma linha. Segundo ele o culpado dessa situação é o Estado Brasileiro que “tem submetido o jovem negro, desde a Lei do Ventre Livre,  a situações de vulnerabilidade e de extrema violência”.
As condições às quais a população negra é submetida no Brasil se encaixam na resolução da ONU de 1948, que define  genocídio como: o assassinato de membros do grupo; dano grave à integridade física ou mental de membros do grupo; submissão intencional do grupo a condições de existência que lhe ocasionem a destruição física total ou parcial; medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo e transferência forçada de menores do grupo para outro grupo.
O ato também vai celebrar os 180 anos da revolução malê. A rebelião, ocorrida em janeiro de 1835, em Salvador, foi promovida por negros escravos ou libertos contra a escravidão e a imposição do catolicismo.
A concentração e as atividades do ato ocorrerão na praça da Sé a partir das 9h, com apresentação de rappers, poesias e falas de conscientização – o microfone estará aberto para quem quiser falar.
Clique AQUI para ver a evolução dos homicídios contra negros no Brasil.
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