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sábado, 24 de janeiro de 2015

Ato “461 anos de genocídio” vai protestar contra assassinatos de negros e pobres


Não há fato mais importante na história brasileira atual do que o genocídio da população negra. O absurdo número de mortes e a total insensibilidade da elite dominante chamam atenção. A mobilização da população negra e de setores simpatizantes à causa toma ares heróicos diante do quadro vigente. Falta-nos uma política de valorização e dignificação da vida humana e isto parece fora dos planos do governo tendo em vista a retomada de medidas neoliberais e da desconstrução do exíguo estado do bem estar que vínhamos construindo nos últimos anos. A alteração de direitos sociais nos levará a um crescimento dos números desta tragédia, em nada inevitável.


Fonte: racismoambiental



Ato será no próximo domingo, quando a cidade de São Paulo comemora 461 anos, em  protesto contra a morte sistemática de jovens negros e pobres
Por Claudia Belfort, em Ponte
O evento não está na programação oficial do aniversário de 461 anos da cidade São Paulo ( 25/01), mas foi marcado justamente em função da efeméride. O ato “461 anos de genocídio”, que acontece no próximo domingo, na Praça da Sé, centro da capital, pretende debater e protestar contra a morte sistemática de jovens negros (pretos e pardos) e pobres em São Paulo e no Brasil. Vai também questionar o conceito de que existe uma democracia racial no País e denunciar dois pontos do genocídio: a letalidade policial e o encarceramento em massa.
Os homicídios, de acordo com o Mapa da Violência 2014 , são a principal causa de morte de jovens de 15 a 29 anos no Brasil, a maioria negros (pretos e pardos), do sexo masculino, moradores das periferias e áreas metropolitanas dos centros urbanos.
Apenas em 2012 (dados mais recentes), dos 56.337 assassinados no País, 53,37% eram jovens, sendo 77% negros e 93,3% do sexo masculino.
“Existe uma atuação do Estado sistemática de precarização da periferia, onde moram majoritariamente os negros, nordestinos e pobres e você tem também uma atuação da polícia de assassinato contra essa população. É uma política de extermínio que vem desde a época dos bandeirantes”, afirma Willians Santos, sociólogo e um dos organizadores do ato. E completa: “o encarceramento em massa é uma forma moderna da escravidão, é muito mais interessante encarcerar, porque para o Estado custa menos do que garantir os direitos a esses jovens”.
Em artigo publicado recentemente aqui na Ponte , César S. Pereira, articulador do Plano Juventude Viva (SP), vai na mesma linha. Segundo ele o culpado dessa situação é o Estado Brasileiro que “tem submetido o jovem negro, desde a Lei do Ventre Livre,  a situações de vulnerabilidade e de extrema violência”.
As condições às quais a população negra é submetida no Brasil se encaixam na resolução da ONU de 1948, que define  genocídio como: o assassinato de membros do grupo; dano grave à integridade física ou mental de membros do grupo; submissão intencional do grupo a condições de existência que lhe ocasionem a destruição física total ou parcial; medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo e transferência forçada de menores do grupo para outro grupo.
O ato também vai celebrar os 180 anos da revolução malê. A rebelião, ocorrida em janeiro de 1835, em Salvador, foi promovida por negros escravos ou libertos contra a escravidão e a imposição do catolicismo.
A concentração e as atividades do ato ocorrerão na praça da Sé a partir das 9h, com apresentação de rappers, poesias e falas de conscientização – o microfone estará aberto para quem quiser falar.
Clique AQUI para ver a evolução dos homicídios contra negros no Brasil.
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