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sábado, 1 de abril de 2017

Que filme de super-herói você assistiu hoje? O cinema americano e a comunidade GNU/Linux

Após o 11 de setembro de 2001, dia do ataque às Torres Gêmeas, o presidente dos EUA George W Bush reuniu-se com os estúdios de Hollywood e instou-lhes a produzir filmes que justificassem a ação devastadora que o seu país desencadearia no Oriente Médio. A partir de então toda uma cinematografia, composta da temática heroicizante estadunidense passou a ser construída, voltaram à tela Batman, Homem Aranha, Super Homem, etc. No Brasil tivemos sua contrapartida no "Tropa de Elite 1" de triste memória.
 
Como consequência, e aí é claro que outros fatores também incidirão, temos uma parcela importante da juventude planetária com um discurso de direita aguçado, e que não teve a oportunidade de conhecer as barbaridades cometidas pelas sociedades totalitárias, tanto à direita, quanto à esquerda.
 
É comum que nossos jovens, inclusive, desconheçam completamente o cinema de qualidade, desconhecem cineastas, como : Truffaut, Fellini, Antonnioni, Nelson Pereira dos Santos, etc. premiados nos principais festivais internacionais, e mesmo, a tradição cinematográfica norte-americana, estando à espera com saquinhos de pipoca e copos de coca-cola do próximo filme de super-herói.
 
Ano á ano vemos ser derramada nas mentes juvenis as histórias medíocres e desinteressantes de viés neofascista dos heróis hollywoodianos, corrompendo mentes e apagando memórias.
 
A comunidade GNU/Linux não estaria portanto imune à esta tendência mundial. Os comentários racistas, neofascistas, homofóbicos e misóginos também habitam nossas páginas, coisa que outrora, pouco se via. Dado que o usuário GNU/Linux sempre se pautou por uma postura inovadora e revolucionária, predisposta a dar ao mundo um rumo novo e mais igualitário, onde a liberdade seria um dogma a ser praticado.
 
Vemos até trollagens infantis, como quando alguns nestas páginas escorraçaram jovens brasileiros e libertários que se movimentaram para criar novas distribuições. E em vez de animá-los caíram de pau sobre eles como donos da verdade absoluta e religiosa.
 
Triste perceber que, embora, o sistema operacional continue sendo revolucionário e vanguardista, parte sua comunidade seja tão conservadora, reacionária e hipócrita!
 
Que filme de super-herói você assistiu hoje?

Essas fotos de desembargadores ilustram como a meritocracia premia homens brancos

Malcolm X dizia que se alguém, ou algum grupo, leva muita vantagem, em alguma coisa, é porque está trapaceando! É um escárnio, enquanto isso, somos figuras constantes das páginas policiais!

Fonte: justificando.cartacapital

A palavra “meritocracia” geralmente é utilizada nos discursos políticos para se referir à ideia de que se deve promover pessoas apenas em razão de seus supostos méritos e habilidades, sem que seja necessário haver política de compensação para populações esquecidas por políticas públicas.
Funda-se na ideia de que todos competem em igualdade, bastando estudar e se dedicar para alcançar o tão almejado sonho profissional. São discursos utilizados para rechaçar, por exemplo, cotas raciais e sociais em universidades e concursos públicos, pois seria inconcebível favorecer alguém em detrimento de uma pessoa branca que tirou uma nota maior.

Trata-se de um tema rebatido diariamente pela realidade e o Judiciário não foge da regra. Segundo o censo de 2014, realizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), percebe-se a aprovação absurdamente maior de pessoas brancas em relação às negras e indígenas. Defender a meritocracia com base nesse gráfico seria dizer que brancos estudam mais e são mais inteligentes, tratando-se de uma afirmação racista que desconsidera os séculos de escravidão e exclusão de minorias de acesso às políticas públicas no país. Como é visível no gráfico abaixo, o Judiciário é branco:


Pesquisa realizada pelo censo do Conselho Nacional de Justiça em 2014

Dentro do racismo e do classismo, uma vez que falar de pobreza é também falar de negros e negras, ante a histórica marginalização sofrida pela população na escravidão e no pós escravidão, há também a supremacia masculina nas composição do Poder Judiciário, como se percebe no gráfico abaixo. Ou seja, homens brancos seguidos por mulheres brancas, que estão à frente dos homens negros e atrás na fila estão as mulheres negras.


Para entender essa realidade em imagens, basta observas as fotos de juízes e desembargadores em eventos ou poses oficiais. É um “mar” de homens brancos, com algumas poucas mulheres brancas e ainda mais raros homens negros e nenhuma mulher negra. Veja alguns exemplos:

Tribunal de Justiça do Pernambuco (TJPE)

De acordo com dados oficiais, a composição de gênero é de maioria feminina (52%) e a composição étnica da população pernambucana é constituída por negros e pardos (58,2%), brancos (40,4%) e índios (0,5%). Muitas mulheres não estão na foto, mas são alvo de vários processos judiciais, afinal nesse estado 81% das mulheres encarceradas são negras.
Na foto oficial do Tribunal de Justiça, os rostos falam e as ausências também.

Foto: TJPE

Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro – 1ª Região

Tapete vermelho e muita pompa para os desembargadores do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, mas o padrão é exatamente o apontado pela pesquisa do CNJ. A foto contrasta com a população étnica do estado com brancos (53,6%), seguidos por negros e pardos (45,9%) e amarelos ou indígenas (0,5%).

Foto: TRT/RJ

Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP)

De acordo com os dados do Censo Demográfico de 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estática), na cidade de São Paulo habitam mais de 11,2 milhões de pessoas, sendo que cerca de 37% (4,1 milhões) se declararam negros (pretos ou pardos). Quando se trata de população negra, era considerada maioria da população brasileira em 2014, representando 53,6% da população, ao ponto que 45,5% dos brasileiros se declaravam brancos.

Foto: TJSP

Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) 

Essa foto do Tribunal do Paraná também diz muito: São 14 homens brancos. Menos da metade de mulheres: 5 mulheres (também brancas). A contradição é clara ao analisar os dados do IBGE, que apontam para um total de 1.751.907 habitantes no só em Curitiba. Desses, mais de 916 mil residentes são mulheres, claramente não representadas.

Foto: TJPR

Tribunal de Justiça do Acre (TJAC)

De acordo com o Censo do Judiciário, o TJPB tem 47,4% dos magistrados que se declaram negros, sendo o Estado com maior número de juízes negros do país.

Foto: TJAC

Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB)

Ainda de acordo com o Censo do Judiciário, o TJPB tem 26,5% dos magistrados declarados como negros e mais de 73%, brancos. Os dados mostram que a corte está acima da média nacional que é de 15,5%.

Foto: TJPR
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